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OPINIÃO

Como é ser um psicopata (parte 1)

Imagem: Getty/Images
Thaís Oyama

Colunista do UOL

08/03/2022 04h00

Esta é parte da versão online da edição de segunda-feira (7) da newsletter de Thaís Oyama.

Neste texto, o carioca P.D.S., psicopata grau 18, numa escala que vai de 0 a 24 (*), relata quando passou a ter "atração por coisas mórbidas (como cadáveres na estrada e cenas de tortura na TV), diz que já teve uma "vontade muito grande de matar gente" e conta por que não sentiu qualquer remorso quando, por divertimento, golpeou com um cassetete a nuca de um ciclista desconhecido, que ele nunca se importou em saber se morreu. Para assinar o boletim e ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

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Desde criança, curtia ver cenas de gente morrendo, incêndios, tortura

"Quando recebi o diagnóstico de psicopatia, não me espantei. Era uma coisa que eu já suspeitava. Sempre tive atração por coisas mórbidas. Quando eu tinha sete ou oito anos, íamos para a praia nos fins de semana e toda vez que tinha um acidente na avenida Brasil eu pedia para a minha mãe parar. Gostava quanto tinha mortos, gostava de ver os corpos, ficava fascinado. Também assistia muito "Faces da Morte". Era uma série de vídeos para alugar. Eu curtia muito ver as cenas verdadeiras de gente morrendo, incêndios, tortura. Hoje tem tudo isso na internet (...).

Eu tinha uma vontade muito grande de matar gente

Nessa época, eu tinha uma vontade muito grande de matar gente, mas muito grande mesmo. Eu queria matar, matar. Prestei exame para a Polícia Civil e passei, mas fiquei no antropométrico, por causa do meu peso [P.D.S. tem 35 anos, 1,86 m de altura e pesa 120 quilos. É careca, usa barba, tem um pescoço taurino e uma compleição física de levantador de peso]. Minha vontade era de ir para a rua e matar gente pra caralho (....)

A falta de remorso, que é um traço da psicopatia, para mim é uma coisa muito clara. Já fiz coisas bem ruins e realmente não tenho remorso. Uma vez, por exemplo, eu estava muito bêbado junto com um pessoal. Na época que toda semana tinha aumento de passagem de ônibus no Rio, andei com uns skinheads —queria juntar uma galera para tocar fogo nos ônibus.

Uma noite, saí com eles para fazer aquela brincadeira da "tapetada": a gente pega o tapete de borracha do carro, enrola e bate em quem estiver dando mole na calçada. Pra dar um susto.

Daquela vez, eu enrolei o tapete tão enroladinho que ele virou tipo um cassetete de borracha. Passou um cara de bicicleta e eu dei com toda a minha força, mas com toda a minha força mesmo, na nuca dele. Ele capotou na hora. Certamente se machucou muito seriamente, mas muito seriamente, no mínimo.

Não sei se morreu porque eu não fiquei pra ver. É uma brincadeira muito idiota e eu tenho até vergonha de ter feito isso. Agora, se eu disser que me preocupo com o sujeito da bike estou mentindo. Nunca perdi uma noite de sono por isso (...)

Dificilmente um sujeito entende que o fato de seu ser um psicopata não quer dizer que eu vá cortar a garganta dele enquanto ele estiver de costas. A não ser, claro, que me ofereçam muito dinheiro para fazer isso." [Continua na próxima newsletter].

(*) na escala PCL-SV, criada a partir da escala de Hare PCL-R para avaliar o grau de psicopatia também de não criminosos

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P.S.D. também conta qual é o desejo mais premente de um psicopata e qual é a única coisa que o impede de ser violento com outras pessoas.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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