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Thaís Oyama

REPORTAGEM

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"Fulminar" Doria é o objetivo da reunião de amanhã da Executiva do PSDB 

João Doria: "eventuais deliberações" da Executiva do PSDB podem inaugurar mais um capitulo da novela da da sua pré-candidatura - Fredy Uehara/LIDE
João Doria: "eventuais deliberações" da Executiva do PSDB podem inaugurar mais um capitulo da novela da da sua pré-candidatura Imagem: Fredy Uehara/LIDE
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

16/05/2022 12h16

Na pauta da reunião da Executiva Nacional do PDSB marcada para amanhã, em Brasília, consta o item "eventuais deliberações".

Nos planos do presidente da sigla, Bruno Araújo, consta a determinação de usar o evento para fulminar a pré-candidatura de João Doria.

Na quarta-feira passada, o ainda chamado grupo da terceira via (do qual participam PSDB, MDB e Cidadania) anunciou a decisão de escolher o cabeça da prometida chapa única por meio do critério de pesquisas — o candidato, ou candidata, indicado seria aquele melhor posicionado nos levantamentos de opinião, quantitativos e qualitativos.

Diante disso, o ex-governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB sagrado nas prévias do partido teve a certeza de que a arapuca contra ele estava armada. Doria sabe que, embora leve vantagem sobre Simone Tebet nas pesquisas quantitativas, fica em sólida desvantagem em relação à senadora emedebista, e sua agora rival, nas qualitativas (que usam grupos menores de eleitores para aprofundar percepções pró e contra um determinado nome).

Na rodada de pesquisas qualitativas recebida há duas semanas pelo MDB, por exemplo, Tebet aparece como alguém pouco conhecida, cuja biografia, uma vez apresentada, desperta curiosidade no eleitor.

Já Doria figura como um nome já amplamente conhecido e que, posto à mesa, provoca, majoritariamente, o sentimento de rejeição do entrevistado.

O ex-governador, portanto, ciente do que o esperava a partir da decisão sobre o critérios de escolha do grupo da terceira via, antecipou-se: em carta endereçada a Bruno Araújo e divulgada no sábado, declarou estar em curso um golpe contra ele vindo de integrantes do seu partido e cobrou respeito ao resultado das prévias — no que contou com o inaudito apoio do sempre ladino e pragmático deputado Aécio Neves (que até então vinha trabalhando incansavelmente para derrubar a pré-candidatura do ex-governador, mas que agora, cada vez mais próximo do grupo bolsonarista na Câmara capitaneado pelo presidente Arthur Lira, parece ter decidido que não vale a pena fortalecer a parte do MDB, incluindo Tebet, que deve apoiar o ex-presidente Lula no segundo turno).

Foi em resposta à carta de Doria que Bruno Araújo convocou a reunião da Executiva do PSDB para amanhã.

As "eventuais deliberações" citadas na pauta do encontro, marcado para as 16h, só são "eventuais" porque serão tomadas se Araújo concluir que o quórum e a disposição dos presentes o favorecem.

No conteúdo, elas girarão em torno da questão crucial: os critérios de escolha da chapa única questionados por Doria.

A eventual votação e ratificação desses critérios pelo colegiado máximo do PSDB poderá escancarar o abandono do ex-governador pelo seu partido e empurrá-lo para o litígio na Justiça — o mais novo provável capítulo da novela repleta de reviravoltas que vem protagonizando desde o ano passado o ex-modorrento, mas sempre inconcluso, PSDB.