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Thaís Oyama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Inflação e desemprego explicam estancada de Bolsonaro e subida de Lula

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

27/05/2022 10h12

Lula (PT) cresce, Jair Bolsonaro (PL) empaca e a terceira via continua comendo poeira.

O Datafolha divulgado ontem mostrou que o petista ampliou para 21 pontos a sua vantagem sobre o presidente e que, se a eleição fosse hoje, ele seria eleito no primeiro turno.

Bolsonaro, por sua vez, parou de subir. O ex-capitão, que vinha oscilando para cima em levantamentos recentes, manteve praticamente os mesmos índices da pesquisa anterior do Datafolha, tanto em intenção de votos (27%) quanto em rejeição (54%).

Recortes feitos pelo instituto ajudam a entender o que impulsionou o crescimento de Lula.

O segmento em que o ex-presidente mais subiu, segundo o Datafolha, foi o dos eleitores com menor renda familiar, de até dois salários mínimos. Nele, Lula ganhou 6 pontos de março para cá. No recorte por região, a escalada do petista foi de 7 pontos no Nordeste, que concentra quase a metade dos eleitores em situação de pobreza no Brasil.

Lula cresce, portanto e sobretudo, entre os brasileiros mais afetados pela crise econômica. A reforçar a constatação está o placar dos dois principais candidatos entre os eleitores desempregados: 57% deles dizem escolher Lula, contra apenas 16% que afirmam votar em Bolsonaro.

Tirando as vítimas preferenciais do desemprego em 11% e do bujão de gás a R$ 140, o segmento em que Lula mais melhorou a sua performance foi o dos jovens entre 16 e 24 anos.

Neste caso, o aumento da exposição do nome do petista nas últimas semanas e a campanha feita nas redes sociais por artistas e influenciadores para estimular os jovens a tirarem o título de eleitor podem ter ajudado a alavancá-lo — nessa faixa etária, Lula sempre esteve à frente de Bolsonaro.

A notar ainda na pesquisa Datafolha está o número de indecisos. Eles estão diminuindo e nunca foram tão poucos, mas seus votos não estão indo para a chamada terceira via.

Ciro Gomes (PDT) oscilou apenas 1 ponto para cima, e continua no desanimador patamar de 7% de intenção de votos, com o risco de desidratar ainda mais diante da tendência de acirramento da polarização entre Lula e Bolsonaro.

Segundo o Datafolha, só 35% dos eleitores de Ciro dizem que não pretendem mudar seu voto; e 65% admitem fazê-lo até o dia da eleição.

Abaixo de Ciro, a situação fica ainda pior para os nomes da terceira via. Simone Tebet, provável candidata do bloco formado pelo seu partido, o MDB, mais o PSDB e o Cidadania, está no mesmo degrau do até há pouco desconhecido deputado André Janones — com a diferença de que o candidato do Avante cresce exponencialmente nas redes sociais, onde a senadora, até agora, dá pouco mais que traço.