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Vicente Toledo

Biden escorrega no debate e dá brecha para Trump subir em estado decisivo

Vicente Toledo

O jornalista Vicente Toledo começou sua carreira em 2000 no UOL, onde foi redator, repórter, vídeo reporter, apresentador e editor assistente. Participou das coberturas especiais da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, das Eleições Presidenciais, em 2006, e dos Jogos Pan-Americanos de 2003, em Santo Domingo, e 2007, no Rio de Janeiro, dentre outros grandes eventos. Apresentou programas da TV UOL como a "Tabelinha", com Juca Kfouri, e o "Pit Stop", com Fábio Seixas. Após 12 anos como editor na Microsoft, incluindo passagens por Canadá e Estados Unidos, retorna ao UOL para contribuir com a cobertura das eleições presidenciais norte-americanas.

Colunista do UOL

23/10/2020 10h35

Joe Biden teve um bom desempenho no último debate contra Donald Trump antes das eleições presidenciais dos Estados Unidos (EUA), realizado na noite da última quinta-feira, em Nashville. Mas uma resposta do candidato do Partido Democrata sobre fracking (método de extração de gás do solo) pode lhe trazer problemas na Pensilvânia, um dos estados mais importantes na disputa do Colégio Eleitoral.

"Eu faria uma transição da indústria de petróleo, sim", admitiu Biden respondendo a uma pergunta engenhosa de Trump. O presidente sabe que está perdendo a eleição e atacou o rival em um de seus pontos mais vulneráveis com os eleitores do estado, onde a indústria do fracking gera dezenas de milhares de empregos.

No debate, Trump não desperdiçou a chance de colocar Biden em posição delicada. Ao perguntar se Biden planeja "fechar a indústria do petróleo", Trump o forçou a admitir publicamente uma posição impopular com boa parte do eleitorado da região.

A Pensilvânia tem 20 votos no Colégio Eleitoral (o candidato que alcançar 270 votos é eleito presidente) e importância estratégica no caminho de Trump rumo à reeleição. O presidente venceu o estado em 2016 por uma diferença de pouco mais de 40 mil votos, resultado na época surpreendente que impulsionou sua chegada à Casa Branca.

As pesquisas de intenção de voto na Pensilvânia dão vantagem para Joe Biden. Segundo a média calculada pelo site "Real Clear Politics", Biden tem 49.5% contra 44.6% de Trump. A margem em favor do democrata chegou a cair abaixo de três pontos percentuais na última semana, mas tem oscilado pouco durante toda a campanha.

Durante as primárias do Partido Democrata, o ex-vice presidente havia dito "Nenhum fracking novo", dando a entender que não fecharia operações existentes. Os republicanos se aproveitaram da brecha e acusaram Biden de querer proibir o método no país.

Donald Trump e Joe Biden participam de debate nos Estados Unidos - Chip Somodevilla / Getty Images / AFP - Chip Somodevilla / Getty Images / AFP
Donald Trump e Joe Biden participam de debate nos Estados Unidos
Imagem: Chip Somodevilla / Getty Images / AFP

"Basicamente o que ele está dizendo é que vai destruir a indústria do petróleo", afirmou Trump." Vocês se lembrariam Texas? Você se lembraria disso Pensilvânia? Oklahoma, Ohio?", ironizou o presidente, citando outros estados com forte dependência desse setor da economia.

Não importa que Biden tenha tentado explicar após o debate que se referia a uma transição gradual de combustíveis fósseis para fontes de energia renováveis. "Não vamos nos livrar dos combustíveis fósseis por muito tempo", disse sobre seu plano de priorizar energias eólica, solar e nuclear. "Vamos criar muitos empregos com essas alternativas".

O estrago já estava feito. Trump conseguiu uma frase de efeito para usar em seus anúncios e se posicionou como o salvador da indústria do petróleo, recriando um de seus melhores momentos da campanha de 2016 quando Hillary Clinton declarou que iria "tirar muitas minas de carvão do mercado".

Talvez seja tarde para Trump mudar os rumos de uma eleição em que mais de 45 milhões já votaram. Mas se o presidente conseguir virar o jogo na Pensilvânia e mantiver vivas suas chances de reeleição, esse trecho do debate pode ter sido decisivo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.