Wálter Maierovitch

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Opinião

Hamas tinha obrigação de proteger bebê refém que supostamente morreu

Neste espaço, por diversas vezes, destacamos a desumanidade do Hamas em ter feito refém um bebê de 10 meses de vida.

O bebê refém, Kfir Bibas, foi levado junto com a mãe, Sherry Silverman Bibas, e o irmão de 4 anos, Ariel Bibas.

Conforme informaram as Brigadas Al Qassan, o braço armado do Hamas em combate com Israel, os três mencionados reféns foram mortos.

Pela informação prestada pelo comando das Brigadas Al Qassan, o bebê Kfir, o seu irmãozinho Ariel e a mãe Sherry, morreram dias antes de ser fechado o acordo de cessar-fogo e troca de reféns. Tal fato foi omitido até ontem, pelo Hamas.

Numa tentativa de reduzir a responsabilidade pelo terrorismo do 7 de outubro passado, quando feitos 242 reféns, incluídos o bebê Kfir, irmão e mãe, o Hamas, pela informação dos brigadistas, atribui exclusivamente a Israel a causa das mortes.

Ou seja, o bebê refém, irmãozinho e mãe, morreram em decorrência do bombardeamento por Israel. E bombardeamento do cativeiro onde se encontravam. Teriam sido atingidos pelas bombas.

Na verdade, o Hamas, no seu plano para sequestrar civis inocentes e mantê-los em cativeiro, teve por meta transformá-lo em moeda de troca. E crianças, velhos e mulheres, são os reféns mais valiosos.

Com efeito, não foi à toa que o Hamas sequestrou o bebê Kfir e o irmão Ariel. Prevaleceu apenas o valor de troca futura e não os direitos da pessoa humana.

No particular, o Direito das Gentes, num conflito, proíbe que civis inocentes sejam capturados para trocas futuras. Isso é ilegal pelo direito internacional e imoral. A vida da pessoa humana é bem intocável pelo chamado Direito Natural, quer de matriz positivista, quer religiosa.

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Se verdadeira a versão sobre a causa das mortes, claro ficou não ter tido o Hamas a cautela de colocar os referidos reféns em zona onde não se guerreava e, portanto, não cogitável como alvo.

Não deve passar despercebido, volto a destacar, o fato de nas negociações conduzidas pelo Qatar, resultantes em cessar-fogo temporário com troca de reféns por prisioneiros, haver o Hamas omitido a morte do bebê, do irmãozinho e da mãe.

Israel chegou a exigir a libertação do refém-bebê e dos seus familiares. A resposta do Hamas foi de oposição sob justificativa desses três reféns representarem trunfo não conveniente a entrar numa negociação inicial e limitada.

Pelo que sabe pelos 007 de inteligência do Ocidente, Israel fez duas exigências marcantes. Além do refém bebê, mãe e irmão de 4 anos, Israel pretendeu, e logrou êxito, a liberação de Abigail Mor Idan, de 4 anos idade completados no dia 24 de novembro passado. Abigail possui dupla cidadania, a de Israel e a dos EUA.

Israel também pretendeu a liberação de dois israelenses octogenários. Libertou-se, no entanto, um septuagenário que faleceu em hospital israelense, 24 horas depois de recuperar a liberdade.

Só para lembrar, Abigail assistiu ao pai e a mãe sendo metralhados e mortos pelos terroristas do Hamas no dia 7 de outubro.

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Pano rápido. É de obviedade ululante, para usar a expressão de Nelson Rodrigues, a frase de que numa guerra a população civil é a maior das vítimas. O injustificável e ilegítimo à luz do Direito Natural é se levar intencionalmente, como fez o Hamas, um bebê, o irmão de 4 anos e a mãe, por representar maior valor de troca.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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