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Debate Eleições 2020: Quem acertou e quem errou na disputa de SP

O UOL checou as falas dos candidatos à Prefeitura de São Paulo no debate da Band - Kelly Fuzaro/Band
O UOL checou as falas dos candidatos à Prefeitura de São Paulo no debate da Band Imagem: Kelly Fuzaro/Band

Carolina Marins e Lucas Borges Teixeira*

Do UOL, em São Paulo

02/10/2020 02h12

Números inflados, acusações sem base factual e informações exageradas são cartas marcadas nas disputas eleitorais. O primeiro debate televisivo com candidatos à Prefeitura de São Paulo, transmitido pela Band na última quinta (1º), teve um pouco de tudo isso.

Candidatos usaram números imprecisos, camuflaram informações em acusações contra os opositores e apontaram dados verdadeiros. Veja quem acertou e quem errou durante o primeiro debate das eleições municipais:

Juntos, vamos aliar coragem e experiência para virar o jogo em São Paulo. São Paulo, além de ser a segunda cidade do mundo onde mais morreu gente pelo coronavírus, é a capital mundial do desemprego, mais de 3 mi de pessoas."
Guilherme Boulos (PSOL)

VERDADEIRO: Apenas Nova York supera São Paulo

Até a última quinta-feira (1º), São Paulo registrava 12.791 mortes pelo novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da prefeitura. Está atrás apenas da cidade de Nova York, que, segundo o último balanço, teve 19.192 óbitos. Os sistemas de saúde e funerário da cidade norte-americana entraram em colapso entre os meses de abril e maio.

Quando assumimos a prefeitura, tínhamos 11 mil crianças aguardando fila na pré-escola da cidade de SP. É uma outra fila que o PT nos deixou, além da das 60 mil crianças aguardando vaga em creche. Zeramos essa fila aqui na cidade em nosso primeiro ano de gestão."
Bruno Covas (PSDB)

VERDADEIRO: Filas de creche eram de 65 mil e de pré-escolas, 10,5 mil

Quando João Doria (PSDB) assumiu a prefeitura de São Paulo, em janeiro de 2017, a fila para a pré-escola era de aproximadamente 10.500 crianças. Em maio de 2017, a prefeitura anunciou ter zerado essa fila.

Já a fila para as creches era de 65.040 quando o PT deixou o governo em 2016. Doria prometeu zerar o número logo no primeiro ano, mas não cumpriu. Até junho, a fila, segundo a prefeitura, era de 22.732.

O que vocês [administração petista] deixaram foi um grande rombo nas contas públicas municipais. O orçamento de 2017 tinha um rombo de R$ 7 bilhões."
Bruno Covas (PSDB)

FALSO: Gestão Haddad deixou R$ 3,15 bi em caixa

De acordo com as contas do município, a gestão de Fernando Haddad (PT), anterior à de Doria, deixou a Prefeitura de São Paulo com um caixa de R$ 5,34 bilhões, dos quais, R$ 2,19 bilhões eram de despesas a serem quitadas em curto prazo. Isso significa que o governo tucano assumiu a cidade com R$ 3,15 de suficiência financeira.

Na verdade, o rombo de R$ 7 bilhões já foi citado por Doria em 2017, ainda prefeito, mas quando se referia à receita prevista pela gestão Haddad, e não ao caixa.

Bruno, você fala de entregar tablets sem internet. Como é isso? O Tribunal de Contas impediu que isso acontecesse porque você não disse de que forma as crianças iam acessar a internet."
Celso Russomanno (Republicanos)

FALSO: TCM não cancelou contrato por falta de internet

É verdade que o TCM-SP (Tribunal de Contas do Município de São Paulo) suspendeu a licitação que previa a compra de 465.500 tablets para alunos da rede municipal de ensino anunciada pela gestão Covas. Não é verdade, no entanto, que o motivo tenha sido o acesso à internet. Os tablets foram anunciados com dois chips para acessar a rede.

Segundo o TCM, o "ato convocatório estipulou prazos de entrega, de garantia dos equipamentos e de garantia contratual totalmente desconexos, dificultando a elaboração de propostas pelos licitantes, acarretando um maior custo operacional e final a ser ofertado".

O senhor diz que defende o consumidor enquanto [...] votou contra o projeto ficha limpa. Com esse histórico, como o senhor pretende administrar uma cidade como São Paulo?"
Joice Hasselmann (PSL)

FALSO: Celso Russomanno não votou contra a lei da Ficha Limpa

Apenas o deputado Marcelo Melo (PMDB-GO) votou contra o projeto de lei, mas disse que cometeu um erro e apertou o botão por engano. 388 deputados votaram a favor.

Sua relação com [o presidente Jair] Bolsonaro tem mais coisas em comum: escândalos, esquemas. Você teve uma rachadinha particular de contratar funcionária para prestar serviço privado com dinheiro público."
Guilherme Boulos (PSOL)

VERDADEIRO: Russomanno foi condenado a devolver dinheiro

Apesar de não haver o termo "rachadinha" na decisão, em agosto de 2019, Russomanno foi condenado pela Justiça federal a devolver os salários pagos com dinheiro público, entre junho de 1997 e março de 2001, a uma secretária de seu gabinete que, nesse período, também teria trabalhado para uma empresa privada do parlamentar simultâneamente.

Na decisão, o Tribunal Regional Federal da Primeira Região do Distrito Federal afirmou que a servidora exercia ao mesmo tempo atividades parlamentares e na produtora de vídeos Night and Day Promoções Ltda., da qual Russomanno é sócio majoritário, sendo paga exclusivamente com recursos da Câmara.

Se você [Boulos] fosse atrás do que existe, saberia que o STF [Supremo Tribunal Federal] me inocentou de uma coisa que você traz de volta."
Celso Russomanno (Republicanos)

VERDADEIRO: STF absolveu Russomanno

Também é verdade que Russomanno foi absolvido da acusação de peculato (apropriação ou desvio de dinheiro, valor ou bem móvel público ou particular em função do cargo que exerce, para benefício próprio ou alheio) pela Segunda Turma do STF pelo mesmo caso em 2016.

Aprovamos a Lei da Anistia que regularizou mais de 200 mil imóveis."
Bruno Covas (PSDB)

VERDADEIRO: Lei da Anistia beneficiou 200 mil imóveis

Até o final de agosto, a Lei de Regularização de Imobiliária, chamada Lei da Anistia, de autoria do Executivo e aprovada pela Câmara Municipal em janeiro, regularizou e beneficiou mais de 200 mil construções na capital, de acordo com a Prefeitura de São Paulo.

[A esquerda] deixou como legado a maior crise econômica do país: 12 milhões de desempregados."
Joice Hasselamnn (PSL)

VERDADEIRO: Dilma deixou a presidência com 12 milhões de desempregados

No segundo semestre de 2016, quando Dilma Rousseff (PT) — última presidente dita de esquerda no país — foi retirada do cargo e deixou o Planalto, o Brasil registrava uma taxa de desemprego de 11,8%, o que correspondia a cerca de 12 milhões de desempregados.

Nós tiramos sim o subsídio do vale-transporte aqui da cidade de São Paulo porque é uma obrigação das empresas. Vocês [o governo do PT] davam para os empresários mal pagadores R$ 400 milhões por ano em subsídio."
Bruno Covas (PSDB)

INSUSTENTÁVEL: Economia com o fim do subsídio foi calculada em R$ 419 milhões

A gestão Covas retirou o subsídio ao vale-transporte na cidade e reduziu o número de viagens para dois transportes em um período de 3 horas. Com isso, a prefeitura estimou uma economia de R$ 419 milhões em 2019. No entanto, não foi possível checar se esse era o valor pago às empresas durante o governo do PT.

A gestão do PT foi a mais reprovada na história [da cidade de São Paulo]."
Bruno Covas (PSDB)

FALSO: Pior avaliação é de Celso Pitta

Os ex-prefeitos petistas Fernando Haddad, Marta Suplicy e Luiza Erundina não deixaram a prefeitura paulistana com a pior aprovação. De acordo com o Datafolha, esta posição é de Celso Pitta (PTB), que, quando deixou o cargo, em 2000, tinha apenas 7% de aprovação (ótimo/bom).

Haddad fica em segundo, com apenas 14% de aprovação, quando tentou a reeleição e perdeu para Doria em 2016. Marta e Erundina tinham, respectivamente, 29% e 19% de aprovação quando deixaram seus cargos, em 2004 e 1993.

*Colaborou Felipe Oliveira

O UOL Confere é uma iniciativa do UOL para combater e esclarecer as notícias falsas na internet. Se você desconfia de uma notícia ou mensagem que recebeu, envie para uolconfere@uol.com.br.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informando no último parágrafo, a gestão de Marta Suplicy terminou em 2004 e a de Luiza Erundina, em 1993, e não o contrário. O texto foi corrigido.

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