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Malafaia usa vídeo antigo e com alegação falsa para criticar Datafolha

14.mai.2021 - O pastor Silas Malafaia compartilha vídeo de 2018 para criticar o Datafolha - Reprodução/Twitter Silas Malafaia
14.mai.2021 - O pastor Silas Malafaia compartilha vídeo de 2018 para criticar o Datafolha Imagem: Reprodução/Twitter Silas Malafaia

Beatriz Montesanti

Colaboração para o UOL, em São Paulo

14/05/2021 16h42Atualizada em 14/05/2021 18h33

O pastor Silas Malafaia postou ontem (13) em suas redes sociais um vídeo de 2018 e com alegações incorretas para criticar o instituto de pesquisas de opinião pública Datafolha. A publicação foi feita um dia depois de um levantamento da empresa mostrar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), de quem Malafaia é apoiador, em intenções de voto para as eleições de 2022.

No vídeo compartilhado por Malafaia, um homem confronta um pesquisador do Datafolha por supostamente se recusar a entrevistá-lo para uma pesquisa de intenção de votos em Niterói, região metropolitana do Rio. O rapaz ataca verbalmente o pesquisador, alegando que não foi entrevistado por ser eleitor de Bolsonaro. "Eu quero fazer [parte da] pesquisa e não posso porque sou eleitor do Bolsonaro! Aí vem me dizer que o Bolsonaro es caindo e que o PT está subindo!", diz o homem.

A Folha noticiou o caso no dia da gravação do vídeo, em 27 de outubro de 2018, a dois dias do segundo turno das eleições daquele ano.

Procurado pelo UOL Confere, o Datafolha disse que, "para não gerar viés, os pesquisadores não podem entrevistar pessoas que se ofereçam para participar da pesquisa, o que abriria margem para distorções".

Além disso, explicou o instituto, "os pesquisadores só entrevistam pessoas que atendam às cotas de sexo e idade do eleitorado", como forma de garantir que a amostra esteja o mais próximo possível do perfil da população como um todo. "O homem abordado poderia não atender ao perfil de eleitor que o pesquisador precisava para completar sua tarefa", afirmou o Datafolha.

O Estadão Verifica, que também publicou uma checagem deste vídeo, ouviu cientistas políticos que explicaram que a decisão do pesquisador de não entrevistar o rapaz do vídeo faz parte do padrão de pesquisas de intenção de voto, justamente para evitar que pessoas que se ofereçam para participar possam influenciar e distorcer o resultado do levantamento.

Malafaia já citou Datafolha para exaltar Bolsonaro

Malafaia já usou o Twitter em diversas outras ocasiões para criticar o Datafolha, como mostra esta busca na rede social. No entanto, o pastor também já citou uma pesquisa do instituto para exaltar Bolsonaro quando o presidente atingiu, em agosto do ano passado, seu maior nível de aprovação até então.

"A IMPRENSA EO ESQUERDOPATAS PIRAM COM BOLSONARO! Como pode isso acontecer ? 5 meses de massacre na mídia e Bolsonaro consegue sua maior aprovação, segundo o DataFolha, desde sua eleição. O POVO NÃO É BOBO E A IMPRENSA PARCIAL PERDEU CREDIBILIDADE. CHUPA ESSA MANGA CAMBADA!", publicou Malafaia em 14 de agosto de 2020 no Twitter.

Na quarta (12), quando saiu a pesquisa do Datafolha com Lula à frente de Bolsonaro, a Folha mostrou em seu Twitter que apoiadores do presidente costumam desqualificar o instituto quando há resultados negativos para Bolsonaro e comemorar quando os números são favoráveis a ele.

O vídeo desinformativo foi publicado por Malafaia às 17h de ontem no Facebook e, quase 24 horas, tinha recebido pelo menos 419 mil visualizações e 30 mil compartilhamentos. O pastor também postou o vídeo no Twitter, onde teve pouco mais de 7 mil visualizações e 550 retweets entre o começo da tarde de ontem e o fim da tarde de hoje.

Malafaia e sua assessoria foram procurados por telefone para comentar a publicação do vídeo, mas não atenderam. Esta reportagem será atualizada caso o pastor responda.

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