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À CNN, Moro exagera sobre êxito da Lava Jato contra corrupção

Sergio Moro em entrevista a William Waack na CNN - Reprodução
Sergio Moro em entrevista a William Waack na CNN Imagem: Reprodução

Letícia Mutchnik

Do UOL, em São Paulo

24/11/2021 20h19

Em entrevista ontem (23) à CNN, o ex-ministro Sergio Moro disse que a Operação Lava Jato, da qual ele fez parte quando era juiz em Curitiba, "conseguiu quebrar a impunidade da prática da grande corrupção".

A Petrobras foi saqueada como nunca antes neste país e ninguém era punido. A Lava Jato veio e quebrou essa tradição."
Sergio Moro, em entrevista à CNN

A informação do atual pré-candidato à Presidência em 2022 pelo Podemos é INSUSTENTÁVEL. Muitos investigados que foram presos acabaram soltos tempos depois ou cumprindo pena em casas luxuosas, como o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Além disso, algumas condenações foram arquivadas ou modificadas, como a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Dos políticos brasileiros denunciados pela força-tarefa da Lava Jato desde o início da operação, em 2014, havia 174 condenados (somando 1ª e 2ª instâncias), mas apenas um continuava atrás das grades: o ex-governador do Rio Sérgio Cabral.

Isso sem contar os políticos que foram alvos de inquéritos da Lava Jato, mas não chegaram a enfrentar de fato denúncias. Também houve críticas por excesso de delações premiadas, que acabaram por aliviar condenações de envolvidos nos crimes.

É falso que todas as decisões de Moro foram mantidas

Na entrevista, Moro também afirmou que não fez decidiu sozinho na Lava Jato e os tribunais superiores mantiveram as condenações proferidas por ele na primeira instância. Isso, contudo, não é verdadeiro para todos os casos, já que houve anulações de condenações.

Eu tomei as decisões, mas hoje, quando se critica a Lava Jato, parece que eu fiz tudo sozinho. Não foi. Foi um trabalho institucional e as minhas decisões foram analisadas pelo Tribunal Regional Federal, de Porto Alegre, pelo Superior Tribunal de Justiça."
Sergio Moro, em entrevista à CNN

A Oitava Turma do TFR-4, em agosto de 2020, derrubou por unanimidade uma decisão de Moro e absolveu o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira e o presidente da empreiteira Construcap, Roberto Ribeiro Capobianco.

Já em maio deste ano, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou uma sentença da 13ª Vara de Curitiba de 2020 contra a empreiteira Queiroz Galvão.

O STJ recentemente também tomou ações contrárias à Lava Jato. Em fevereiro, o presidente da corte, Humberto Martins, abriu um inquérito contra procuradores do MPF (Ministério Público Federal) em Curitiba que atuaram na operação. A decisão foi suspensa pela ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), em março deste ano.

Maiores recessões em 2014 e 2016

Moro ainda criticou as gestões do PT na Presidência, afirmando que "a semente plantada" no governo Lula fez com que os anos de 2014 e 2016 tivessem a pior recessão da história do Brasil.

Nunca houve uma recessão tão grande assim na história do Brasil."
Sergio Moro, em entrevista à CNN

Em 2014, o Produto Interno Bruto (PIB), após revisão feita em 2016, chegou a R$ 5,779 trilhões —registrando crescimento de 0,5%. Em 2015, por sua vez, o PIB apresentou queda de 3,8%. Já em 2016, a economia brasileira encerrou o ano pela segunda vez com baixa de 3,6%.

Segundo o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Relações Internacionais do Banco Central do Brasil, realmente "a recessão de 2014-16 foi a pior da história, notando que não temos dados trimestrais antes de 1980 nem dados anuais plenamente comparáveis antes de 1947".

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