Vídeo não mostra israelenses destruindo caixas de leite que iriam para Gaza

Um grupo de israelenses não destruiu caixas de leite que seriam doadas a palestinos na Faixa de Gaza, como sugerem postagens que circulam nas redes sociais.

Na verdade, as imagens mostram um protesto de produtores de vinho realizado no Sul da França, em outubro

O que diz o post

Nos vídeos compartilhados no Instagram e TikTok, um grupo de pessoas são filmadas retirando produtos de um caminhão e jogando ao chão. As embalagens se espatifam e, na pista, se acumula um líquido branco, dando a impressão ser leite.

Uma legenda acrescentada ao vídeo descreve "Grupos de manifestantes israelenses param caminhão de leite Halal de ajuda humanitária e jogam tudo fora".

Enquanto na descrição da postagem, um texto detalha o falso ataque aos caminhões com donativos: "Ajuda para Gaza, sendo destruída por israelenses. O produto são caixas de leite de origem Halal. A palavra Halal (no idioma árabe significa permitido, autorizado, lícito, legal, dentro da lei, ou seja, está de acordo com as regras estabelecidas pela Lei Islâmica (Shariah) que rege os costumes e à vida diária dos muçulmanos".

Por que é falso

Destruição de produtos não aconteceu em Israel. Na verdade, o vídeo registra um protesto realizado por produtores em Le Boulou, no Sul da França. A gravação original foi localizada por UOL Confere em uma busca simples no Google (aqui), que indicou entre os primeiros resultados o site francês Vitisphere (aqui). Veículos brasileiros também noticiaram o protesto (aqui).

Manifestantes destruíram caixas de vinho, não de leite. O produto jogado ao chão é, na verdade, vinho espanhol e não leite, como afirmam as postagens desinformativas. Imagens da agência AFP (veja aqui) mostra o caminhão que foi vandalizado e revela que o vinho é da marca Freixenet, com sede na Espanha.

Manifestação não teve relação com o conflito entre Israel e Hamas. Segundo informações divulgadas à época, os produtores alegavam que os preços baixos da bebida espanhola agravavam a crise que atinge o setor na França.

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Viralização. Uma publicação no Instagram da desinformação, compartilhada em 19 de novembro, acumula 2.062 curtidas e 1,7 mil visualizações nesta sexta-feira (24).

O conteúdo também foi checado pelo Aos Fatos (aqui) e por Reuters (aqui).

Sugestões de checagens podem ser enviadas para o WhatsApp (11) 97684-6049 ou para o email uolconfere@uol.com.br.

Fabíola Cidral conta como reconhecer logo de cara uma fake news

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