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"Não sou mercador de ilusões", diz secretário de segurança sobre UPPs do Rio

Julio Reis

Do UOL, no Rio

27/03/2012 15h13Atualizada em 27/03/2012 15h22

O secretário de Segurança Pública do Rio, José Beltrame, esteve no início da tarde desta terça-feira (27) na sede da Força de Pacificação do Complexo do Alemão, na zona norte da capital fluminense, para acompanhar a primeira fase da instalação de uma UPP na comunidade.

"É preciso ponderar que as políticas de UPPs tem um legado de mais de 30 anos de ausência de políticas públicas na segurança das áreas pacificadas. Estamos mexendo com uma lógica que era de interesse de muita gente, mas não recuaremos nenhum milímetro", disse em entrevista coletiva ao deixar o local.

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Questionado sobre a situação da favela da Rocinha, na zona sul, que recentemente foi pacificada, mas que tem vivido uma onda de violência, Beltrame disse que não era um “mercador de ilusões”. "Nenhuma pacificação é fácil. Qual a política que existia lá? Eu não sou mercador de ilusões, há pessoas insatisfeitas com nossa ação. Temos resultados animadores nas UPPs, mas ainda não vencemos nada."

Hoje, o Bope iniciou uma operação de varredura do complexo do Alemão –a ação deve durar dez dias e pretende apreender drogas, armas e foragidos da Justiça. A operação integra os planos para a instalação de duas UPPs no local (Fazendinha e Nova Brasília), de uma série de oito que devem ser inauguradas até o fim de junho.

Segundo o relações públicas da força de pacificação, coronel Fernando Fantazzini, é possível que uma redução de 1.800 homens do Exército –que estavam no local desde a ocupação policial em novembro de 2010– aconteça já no dia 9 de abril, quando o efetivo será substituído, como acontece a cada três meses.

"Uma vez que a patrulha em Fazendinha e Nova Brasília já estará sendo feita por policiais militares das UPPs, é possível que se entenda por uma redução do contingente de homens do Exército", disse.
 
O relações públicas da Polícia Militar, Frederico Caldas, confirmou que, pela manhã, o teleférico do Alemão foi fechado. "Por medida de segurança complementar, nós tomamos essa decisão. Mas já esperávamos encontrar um clima tranquilo na área uma vez que o Exército já estava presente aqui", disse Caldas, referindo-se ao fato de que até o momento só um foragido foi preso e uma quantidade ainda desconhecida de droga, apreendida.
 
As outras UPPs a serem instaladas no local são as da Grota, Vila Cruzeiro e Itararé, no complexo da Penha; além do Alemão no complexo do Alemão e também nas comunidades do Adeus e da Baiana.

A Polícia Militar estima que cerca de 2.000 homens deverão fazer a segurança da área.

Rocinha

Após quatro meses de ocupação pelas forças de segurança, a comunidade da Rocinha, na zona sul da capital fluminense, recebeu na semana passada um reforço de 130 policiais militares para conter a atividade criminosa no local. A Polícia Militar do Rio de Janeiro admitiu que a favela ainda tem pontos desprotegidos e espera que o reforço possa ajudar a ocupar as áreas onde ainda haja presença de traficantes.

Na madrugada do dia 19, um confronto entre traficantes deixou três mortos e um ferido. Os mortos teriam envolvimento com o tráfico. Na noite seguinte, um intenso tiroteio assustou os moradores, embora não tenha deixado vítimas. 

Na madrugada de segunda-feira (26), o presidente da Associação de Moradores do Bairro Barcelos, uma das entidades comunitárias da Rocinha, Vanderlan Barros de Oliveira, conhecido como Feijão, 41, foi morto com cinco tiros. Ele havia saído da associação e manobrava uma moto na travessa Palmas, a poucos metros da via Ápia, uma das principais da comunidade, quando um homem passou de moto, disparou contra Oliveira e conseguiu fugir. Atingido pelas costas, o líder comunitário morreu na hora.

Acusado de ser comparsa do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, preso em novembro, Feijão seria julgado em maio por associação para o tráfico.

(Com agências Estado e Brasil)

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