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Polícia joga bombas em manifestantes na marginal Pinheiros; 1 pessoa é ferida

Débora Melo e Marivaldo Carvalho

Do UOL, em São Paulo

07/06/2013 17h41Atualizada em 07/06/2013 21h44

Os manifestantes contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo ocuparam a pista local na marginal Pinheiros, sentido Castello Branco, após bloquearem as duas faixas da avenida Faria Lima e da Eusébio Matoso.

A Força Tática jogou bombas nos manifestantes, que até então faziam um protesto pacífico e sem incidentes. Uma fotógrafa foi ferida na cabeça por estilhaços de bomba.

Questionado sobre o uso de bombas de efeito moral, o capitão Mário, comandante da Polícia Militar da região do Largo da Batata, disse que o motivo foi o fechamento da marginal. "Porque existe uma ordem para não bloquear nunca a marginal", justificou.

Aumento de tarifas de ônibus gera protestos pelo Brasil

Por volta das 20h, os manifestantes estavam de volta no largo da Batata, onde o protesto começou, às 18h, conclamando as pessoas a irem para a avenida Paulista de metrô. Mas funcionários conseguiram bloquear a entrada deles em um dos acessos, e eles desistiram.

Segundo empregados da Via Quatro, que administra a linha, integrantes do protesto quebraram uma das portas de vidro da catraca, por isso a estação ficou fechada por um curto tempo.

Agora, os manifestantes interditam duas faixas da avenida Doutor Arnaldo.

Segundo uma das líderes do movimento, a estudante Letícia Alcântara de Freitas, diretora do DCE da USP (Diretório Central dos Estudantes da USP) e membro da Anel (Assembleia Nacional dos Estudantes Livres), a ideia inicial era ir até o terminal Butantã.

Mas a Polícia Militar frustrou essa proposta. Mais cedo, a PM havia dito que não iam deixar os bloqueios de ruas acontecer: "A nossa função é não deixar que os manifestantes tranquem as vias. Caso isso aconteça, o Choque será acionado", disse o capitão Mário.

O capitão não quis informar quantos policiais havia na região nem se o efetivo seria maior do que o que conteve o protesto de ontem, na região central e da avenida Paulista.
 
Os manifestantes entregaram folhetos com informações sobre o próximo protesto, marcado para as 17h de terça-feira (11) na praça do Ciclista, na avenida Paulista. O mote é o mesmo de hoje: "Se a tarifa não baixar, São Paulo vai parar".

 

Segundo a PM, o protesto reuniu pelo menos 5.000 manifestantes, que cantaram "mãos para o alto, R$ 3,20 é um assalto".

 
O protesto de hoje foi marcado via Facebook ontem à noite com o mote "se a tarifa não baixar, amanhã [hoje] vai ser maior".
 
 
Antes de começar a passeata, Caio Martins, um dos líderes do movimento Passe Livre, disse esperar que a manifestação de hoje seja "mais pacífica" e que houve "exagero" ontem por parte da polícia.
 

 

PM faz relatório de danos

Conforme o relatório da PM à secretaria, um grupo de 2.000 pessoas pichou as ruas e incendiou lixeiras na Paulista na quinta-feira. "Algumas jogavam garrafas, pedras e pedaços de madeira contra a polícia. Manifestantes também invadiram o Terminal Bandeira e picharam diversos ônibus, além de um DP [distrito policial] próximo ao metrô Trianon. Também entraram em um shopping [o Pátio Paulista] e danificaram um carro exposto para sorteio", diz trecho do relatório da PM encaminhado à Secretaria de Segurança Pública.

Nas redes sociais do movimento, nesta manhã foram comuns os relatos de eventuais abusos da PM diante dos manifestantes. Indagada se também estão sob investigação casos desse tipo, a SSP informou que não há nenhum boletim de ocorrência do tipo.

Metrô vai acionar vândalos na Justiça

Também hoje, a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô-SP) divulgou nota na qual informou que os danos causados por atos de vandalismo durante a manifestação na avenida Paulista totalizaram R$ 73 mil. A empresa disse ainda que acionará judicialmente os autores do atos por danos ao patrimônio público.

De acordo com o Metrô, a maior parte do prejuízo foi de vidros quebrados –R$ 68 mil. Outros R$ 5.000, segundo a empresa, foram necessários para substituir lâmpadas quebradas.

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