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Cotidiano

Metrô aponta prejuízo R$ 73 mil com vandalismo em manifestação e diz que vai processar autores

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

07/06/2013 14h01Atualizada em 07/06/2013 17h13

A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô-SP) divulgou nota no início da tarde desta sexta-feira (7) na qual informou que os danos causados por atos de vandalismo durante a manifestação desta quinta-feira (6) na avenida Paulista totalizaram R$ 73 mil. A empresa disse ainda que acionará judicialmente os autores do atos por danos ao patrimônio público.

De acordo com o Metrô, a maior parte do prejuízo foi de vidros quebrados –R$ 68 mil. Outros R$ 5.000, segundo a empresa, foram necessários para substituir lâmpadas quebradas.

Os danos foram registrados nas estações Brigadeiro e Trianon-Masp, da linha 2-verde, na avenida Paulista, palco principal do confronto entre manifestantes contrários ao aumento da tarifa de transporte público na cidade (de R$ 3 para R$ 3,20) e policiais militares.

Ao todo, 15 pessoas foram detidas, mas 13 já foram liberadas. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, seis foram indiciados por dano ao patrimônio qualificado. Entre os nove ouvidos e liberados ainda durante a noite estava o presidente do Sindicato dos Metroviários do Estado de São Paulo, Altino Prazeres.

Nas duas estações, os vidros de seus acessos foram quebrados e pichados. Já as estações Consolação (linha verde) e Vergueiro (da linha 1-azul) tiveram de ser fechadas enquanto os manifestantes passavam pelo entorno “para evitar riscos aos usuários”, diz trecho da nota.

Na Vergueiro, a companhia apontou ter havido depredação na área interna “que resultou em um agente de segurança do Metrô ferido, sem gravidade”.

A exemplo dos ônibus e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), a tarifa do Metrô também foi reajustada para R$ 3,20 no último dia 2.

Manifestação foi "revolta popular", diz líder de movimento

Em entrevista ao UOL, um dos líderes do Movimento passe Livre em São Paulo, o aluno de história da USP (Universidade de São Paulo) Caio Martins Ferreira, 19, classificou a manifestação que terminou em confronto como "revolta popular" e a atribuiu a um suposto ataque da PM contra o grupo já desde a avenida 23 de Maio.

Além disso, o jovem citou a a dimensão que o ato ganhou para justificar a dificuldade de evitar ações como as registradas nas estações e na via, onde uma grande quantidade de lixo também foi jogada na via ou incenciada no protesto. Pelos cálculos da PM, foram cerca de 2.000 manifestantes.

"O lixo na avenida tem o único sentido de atrasar o avanço da polícia, é uma barricada. Já sobre o que foi quebrado, o MPL é um grupo que convocou o protesto, mas outros grupos participaram. Não dá para separar quem é manifestante e quem é população, a gente não tem esse controle. O que virou ali foi uma revolta popular  e um clima de guerra; é normal que algumas coisas aconteçam”, concluiu.

Protesto hoje

Na manhã desta sexta-feira (7), já não havia nenhum sinal do confronto na avenida Paulista. As lixeiras, derrubadas durante a noite, já estavam no lugar, e até a vidraça da estação Consolação do Metrô, estilhaçada durante a manifestação, já foi substituída. O vidro quebrado na entrada do metrô Trianon Masp também estava sendo trocado.

O Movimento Passe Livre, que fechou a avenida Paulista e outras vias importantes da cidade de São Paulo na noite desta quinta-feira (6), marcou, pelo Facebook, um novo protesto para hoje, com concentração às 17h em frente ao largo da Batata, em Pinheiros, na zona oeste da cidade. De acordo com o grupo, "se a tarifa não baixar, amanhã vai ser maior".

 

O confronto

A manifestação terminou em confronto com a Polícia Militar, que lançou bombas de efeito moral para conter o protesto, e uma tentativa do grupo de entrar no shopping Pátio Paulista, já próximo ao Paraíso. O estabelecimento precisou ser cercado pela Polícia Militar.

Foram disparadas cerca de dez bombas e também tiros de borracha. Os pedestres, muitos sem relação com a manifestação, estavam com rostos cobertos para se proteger contra os gases das bombas.

Imagens captadas por câmeras de TV, no alto, mostraram ainda civis saqueando bancas de jornais localizadas na avenida. Na confusão, a entrada das estações Trianon-Masp e Brigadeiro, da linha 2 - verde do metrô, foram depredadas e foi ateado fogo em lixo lançado no meio da avenida.

Mais cedo, os manifestantes bloquearam a avenida Nove de Julho, no sentido bairro, na altura da praça da Bandeira. Passageiros que seguiam para o terminal Bandeira e para o metrô acabaram sendo atingidos pelo gás lacrimogêneo lançado pela polícia. Não há informações sobre feridos.

O Movimento Passe Livre reúne estudantes, trabalhadores e representantes de partidos políticos, como PSOL e PSTU.

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