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Rodoviários dizem ser impossível colocar 70% nas ruas do Rio nesta quarta

Em entrevista coletiva, os líderes da greve dos rodoviários afirmaram que a próxima assembleia da categoria só ocorrerá na próxima quinta-feira, às 16h, na Candelária, no centro do Rio de Janeiro - Hanrrikson de Andrade/UOL
Em entrevista coletiva, os líderes da greve dos rodoviários afirmaram que a próxima assembleia da categoria só ocorrerá na próxima quinta-feira, às 16h, na Candelária, no centro do Rio de Janeiro Imagem: Hanrrikson de Andrade/UOL

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

13/05/2014 17h39Atualizada em 13/05/2014 19h42

O comando de greve dos rodoviários do Rio de Janeiro informou nesta terça-feira (13) "não ter condições" de cumprir a ordem judicial que determinou que 70% dos trabalhadores voltem às suas funções nesta quarta-feira (14), segundo dia da paralisação de 48 horas anunciada pela categoria. Os grevistas afirmam que 80% dos motoristas e cobradores de ônibus da cidade do Rio estão de braços cruzados desde a última madrugada.

De acordo com Hélio Teodoro, um dos líderes do movimento, não há tempo hábil nem organização suficiente para antecipar a assembleia marcada para a próxima quinta (15). Maura Gonçalves, que também faz parte do comando de greve, afirmou "não ter controle" sobre a maioria dos trabalhadores. "A categoria está muito revoltada", comentou ela.

"Na última assembleia, quando foi decidida essa paralisação de 48 horas, já foi marcado a próxima reunião para quinta-feira. Não temos como agora reunirmos toda a categoria para colocar 70% dos profissionais na rua", disse Teodoro.

Nesta terça, o TRT-RJ (Tribunal Regional do Trabalho do Rio) deferiu liminar que determina a manutenção em serviço de pelo menos 70% do efetivo total de motoristas e cobradores de ônibus do Rio de Janeiro durante a paralisação da categoria. Cerca de 1,9 milhões de pessoas utilizam ônibus no Rio por dia.

Segundo a Justiça, caso a determinação seja descumprida, a pena diária será de R$ 50 mil contra o Sintraturb (Sindicato Municipal dos Trabalhadores Empregados em Empresas de Transporte Urbano de Passageiros). A decisão da desembargadora Maria das Graças Cabral Viegas Paranhos levou em conta o fato de o transporte rodoviário de passageiros ser atividade essencial e de que o sindicato é o legítimo representante da categoria.

Os trabalhadores reivindicam aumento salarial de 40% (e não os 10% acordados entre o sindicato da categoria e as empresas de ônibus), o fim da dupla função e reajuste no valor da cesta básica –de R$ 150 para R$ 400. A convocação é feita por um grupo dissidente, que não se sentiria representado pelo Sintraturb.

Durante a paralisação, pelo menos 75 ônibus foram depredados por grevistas em toda a cidade, de acordo com informações divulgadas pelo Rio Ônibus. A Polícia Militar informou que dez pessoas foram detidas.

Um motorista da Viação Jabour que chegou a tentar circular com um ônibus foi atacado a pedras por dois homens em uma motocicleta no Largo do Correia, em Guaratiba, na zona oeste do Rio de Janeiro. Ele precisou voltar para a garagem, que fica em Campo Grande, onde falou com a reportagem do UOL. "Eu só quero trabalhar. Isso é uma covardia danada, porque são meus próprios colegas de trabalho que estão tacando as pedras. Só não consegui identificar, porque estão de capacete, mas estão uniformizados", disse o motorista, que pediu para não ser identificado. "Essa covardia tem que acabar, porque eu não sou obrigado a fazer greve."

Plano de contingência

A Prefeitura do Rio desenvolveu um plano de contingência para minimizar os impactos da greve, reforçando metrô, trens e barcas, e a Polícia Militar informou que garantiria a segurança na saída das garagens dos quatro consórcios, nas estações do BRT Transoeste e nos terminais de ônibus. No entanto, de acordo com a Secretaria Municipal de Transportes do Rio, apenas 18% da frota de ônibus está circulando.

Motoristas e cobradores fazem greve no Rio de Janeiro

SuperVia, metrô e barcas tiveram o horário de pico ampliado. Segundo usuários de metrô ouvidos pela reportagem, o movimento intenso na estação da Central do Brasil na manhã desta terça foi maior que o de hábito nos guichês de compra de bilhetes e nas plataformas, com muita aglomeração, mas os trens, que passaram a sair em maior número , circularam com lotação normal para o horário.

"Pego metrô todo dia na Pavuna pra vir pra Central e hoje está muito mais cheio aqui. Mas os trens estão saindo mais rápido e menos lotados", afirmou a operadora de telemarketing Débora Lemos, 29.

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