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Ministro diz que Rocinha está pacificada, mas que a Defesa não vai resolver o problema do Rio

"Havia uma estabilidade na Rocinha", diz secretário de Segurança

SBT Online

Do UOL, em São Paulo

22/09/2017 23h06Atualizada em 22/09/2017 23h44

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou na noite desta sexta-feira ao programa RJTV, da TV Globo, que a favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, está "pacificada". “A Rocinha, pelas informações que tive pelo Comando Militar do Leste, nesse momento se encontra pacificada”, disse.

Desde as 15h30 desta sexta, cerca de 950 militares das Forças Armadas ocupam a comunidade que, nesta sexta, voltou a ter confrontos e ataques a policiais. Ao menos duas pessoas foram baleadas.

Após o início da disputa entre os bandos dos traficantes Nem e Rogério 157, no domingo, a região registra tiroteios diários. Nesta sexta pela manhã, o tráfico voltou os ataques contra as forças de segurança na parte baixa, a mais movimentada da favela, o que levou pânico a moradores e provocou o fechamento por quase quatro horas de uma das principais ligações entre as zonas sul e oeste da capital, a autoestrada Lagoa-Barra.

22.set.2017 -  Tropas das Forcas Armadas faz inervencao na favela da Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro - Eduardo Anizelli/Folhapress - Eduardo Anizelli/Folhapress
Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress
“As tropas estão procurando localizar os criminosos. Eles se encontram nas matas ou espalhados na própria Rocinha em algum lugar, por isso fizemos o certo. Vamos permanecer a noite inteira, pelo menos até a manhã”, disse o ministro.

Jungmann afirmou ainda que as tropas são “extremamente especializadas e têm competência para usar força proporcional ao desafio que estão enfrentando”.

Em outra entrevista concedida nesta noite, desta vez à GloboNews, Jungmann afirmou que o "crime cooptou parte das instituições do Rio de Janeiro". O ministro citou o encontro que teve na manhã desta sexta-feira com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge. "Fui pedir gente dedicada ao Rio, para fazer o desmonte desse 'Estado paralelo' em conjunto com as instituições saudáveis", relatou.

Na avaliação do ministro, o Rio precisa de uma "força integrada federal por um bom tempo, junto com as demais forças, para reverter essa situação".

Jungmann também lançou mão de uma analogia com a saúde para afirmar que é preciso escolher prioridades e "atacar as urgências" para combater a crise que abala o Rio de Janeiro. O ministro pondera, contudo, que as Forças Armadas não resolverão o problema de segurança no Estado.

As Forças Armadas podem ajudar, mas o papel fundamental é das polícias. O problema de segurança [do Rio] não será resolvido pela Defesa.

Ministro Raul Jungmann

“Quando temos uma situação crítica, a gente [o ministério da Defesa] responde. Mas o problema de segurança tem que ser resolvido na [secretaria de] Segurança, não na Defesa. É importantíssimo fortalecer e reestruturar as polícias do Rio”, afirmou à TV.

Pezão culpa a crise econômica

Já o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), atribuiu a violência e a criminalidade registradas no Estado ao momento econômico brasileiro.

Em entrevista à GloboNews nesta noite, Pezão confirmou que a crise reduziu os investimentos sociais do Estado em áreas vulneráveis. “É um momento difícil da economia. Estamos vivendo a maior crise brasileiro. Estamos pagando o preço por esse decréscimo”, disse. 

O governador afirmou que na próxima semana o presidente Michel Temer deve ir ao Estado para anunciar investimentos de quase R$ 300 milhões em áreas sociais.

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