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Principal linha de investigação aponta para "execução" de vereadora no Rio

Marcela Lemos*

Colaboração para o UOL, no Rio

15/03/2018 10h44

A principal linha de investigação da Divisão de Homicídios do Rio no caso do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), na noite desta quarta-feira (14), aponta para um homicídio doloso (quando há intenção de matar), segundo fontes ouvidas pelo UOL. A possibilidade de que o crime tenha sido uma tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte) é considerada remota.

A forma com o crime ocorreu, de acordo com um policial que atua na investigação, indica que os criminosos tinham por objetivo apenas matar a vereadora. Nada foi roubado. "A Divisão de Homicídios está trabalhando com execução. Ainda nem pensamos em outra possibilidade, mas tudo está sendo investigado", afirmou.

A Polícia Civil do Rio já recolheu as imagens das câmeras de segurança da área do local do crime, que aconteceu no bairro do Estácio, região central do Rio, a 100 metros de uma estação de metrô e a 700 metros da prefeitura da cidade.

Marielle estava dentro de um carro quando foi assassinada. A vereadora voltava de um evento chamado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, na Lapa, também na região central, quando um carro emparelhou com o veículo em que ela estava e efetuou disparos.

A perícia identificou ao menos nove disparos contra o veículo, todos na direção da vereadora, que estava no banco de trás. Marielle foi atingida por ao menos quatro tiros e morreu na hora. O motorista Anderson Pedro M. Gomes, 39, também foi atingido pelos disparos e morreu no local.

Policiais disseram que os responsáveis pelo crime tinham conhecimento sobre a posição exata que a vereadora ocupava no veículo, que possuía vidros escuros.

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A polícia busca também todas as câmeras de segurança do trajeto realizado pela vereadora para descobrir em qual ponto o carro começou a ser seguido.

Uma assessora da vereadora que estava no carro foi atingida por estilhaços e levada imediatamente para o Hospital Souza Aguiar, no centro. Com ferimentos leves, ela foi liberada na madrugada e estava abalada emocionalmente.

A assessora terminou de depor à polícia por volta das 4h e não quis falar com a imprensa. O delegado também não divulgou detalhes de seu depoimento.

Reprodução/Facebook
Marielle era socióloga e foi a quinta vereadora mais votada no Rio em 2016 Imagem: Reprodução/Facebook

Temer fala em “extrema covardia”

O presidente Michel Temer (MDB) chamou de extrema covardia o assassinato da vereadora. Em mensagem nas redes sociais, ele se solidarizou com os familiares e amigos da política e afirmou que o crime “não ficará impune”.

Temer informou ainda que pediu ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, que coloque a Polícia Federal à disposição do interventor Braga Netto para ajudar na investigação.

Em nota, Braga Netto disse que “acompanha o caso em contato permanente com o secretário de Estado de Segurança”.

Vítimas serão enterradas à tarde

Marielle era socióloga e foi a quinta vereadora mais votada no Rio em 2016 com 46.502 votos. O enterro dela será às 16h, no Cemitério do Caju, zona norte do Rio. Ela deixa uma filha de 20 anos.

Já o enterro de Anderson Gomes será no Cemitério do Inhaúma a pedido da família, às 16h. Anderson deixou mulher e um filho de um ano.

*Colaboração de Paula Bianchi, do UOL, no Rio

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