Após incêndio, prefeitura vai reavaliar prédios ocupados em São Paulo

Gabriela Fujita

Do UOL, em São Paulo

  • Marcelo Gonçalves/Sigmapress/Estadão Conteúdo

    O prefeito Bruno Covas (PSDB) na região onde prédio desabou após incêndio em SP

    O prefeito Bruno Covas (PSDB) na região onde prédio desabou após incêndio em SP

Bruno Covas (PSDB-SP) disse que a prefeitura vai avaliar a situação dos prédios ocupados após o incêndio que causou o desabamento de um prédio na madrugada desta terça-feira (1º).

O deficit habitacional na cidade é de 360 mil unidades, com 184 mil pessoas em imóveis e terrenos ocupados.

São cerca de 70 prédios ocupados irregularmente, com aproximadamente 4.000 famílias, de acordo com os dados oficiais. A Defesa Civil vai analisar a estrutura desses espaços para identificar possíveis situações de risco.

Covas também afirmou que foram feitas cinco interdições de prédios no entorno de onde aconteceu o desabamento e que o perímetro nas ruas ao redor dos destroços vai ter restrições de circulação por ao menos 15 dias.

Sobre as vítimas do incêndio no prédio que desabou na região central, a prefeitura disse que há 107 possibilidades para fazer o acolhimento dos desalojados e que a prefeitura chegou a fazer seis reuniões com os moradores do local para tentar retirá-los da ocupação.

"Fizemos cadastro, tentamos convencê-los a sair. Tinha um processo conjunto para que as famílias desocupassem aquele espaço. Sabíamos que não era o local adequado para receber aquelas famílias", afirmou

Os moradores vão ser levados para um local que escolheram, próximo ao prédio que desabou. Foram cadastradas 118 famílias hoje. Seus dados serão encaminhados ao governo do estado para que o auxílio-moradia possa ser liberado em 48 horas. O benefício será de R$ 1.200 no primeiro mês e de R$ 400 a partir do segundo, pago por um período de 12 meses.

Segundo a Secretaria de Habitação, o núcleo de mediação de conflitos, criado em 2017, monitora 206 ocupações em toda a cidade, com cerca de 46 mil famílias.

Desse total, 53 das ocupações ficam na região central, ou 26%, seguida da zona leste, com 45 ocupações ou 22%.

Segundo o secretário Municipal de Habitação de São Paulo, Fernando Chucre, esse grupo tem resultados mais rápidos do que a Justiça porque evita a reintegração com presença da polícia, mas não funciona para todos os casos.

Segundo a prefeitura, a maioria dos imóveis ocupados na cidade é de propriedade particular. Por isso o município só pode agir quando o proprietário dá andamento no processo de reintegração de posse.

Aí entra em ação o grupo de mediação de conflitos, que entra em contato com as lideranças dos grupos que estão ocupando o imóvel. O objetivo é negociar a desocupação sem uso da força policial.

"A dificuldade que a gente enfrenta muitas vezes é que as famílias querem sair de uma ocupação para ir para um outro edifício público, como os da Cohab. Quando você pega um conjunto de famílias num edifício ocupado e realoca elas diretamente para um empreendimento habitacional, você da um sinal que é o seguinte: ocupe um edifício que a prefeitura vai tirar você de lá e te colocar em um apartamento. Quando a gente faz a desocupação, o máximo que é ofertado é o auxílio-aluguel, que é um atendimento provisório, e a inscrição dessas pessoas na fila", diz Chucre.

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