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"Queria chorar", diz pastor de igreja destruída; obras devem custar R$ 5 mi

Parte do prédio da igreja luterana caiu após o desabamento do edficío vizinho - Marcelo Justo/UOL
Parte do prédio da igreja luterana caiu após o desabamento do edficío vizinho Imagem: Marcelo Justo/UOL

Janaina Garcia e Marcelo Freire

Do UOL, em São Paulo

01/05/2018 14h10

Além do edifício Wilton Paes de Almeida, inaugurado em 1961, outro prédio ainda mais antigo ficou quase totalmente destruído com o incêndio seguido de desabamento, da madrugada desta terça (1), no centro de São Paulo: o da Igreja Luterana, ao lado, fundado em 1908. A restauração da torre e do altar havia sido entregue há cerca de dois anos. O custo da obra, R$ 1,3 milhão, foi bancado pela comunidade. 

A estimativa agora, com 80% da construção destruída, é que pelo menos R$ 5 milhões sejam necessários para reerguer o templo. A informação é do pastor Frederico Carlos Ludwig, 61 anos, 20 deles no comando da igreja cristã no largo do Paissandu.

Pastor Frederico Carlos Ludwig, 61 - Janaina Garcia/UOL
Pastor Frederico Carlos Ludwig, 61
Imagem: Janaina Garcia/UOL

O prédio da igreja centenária é patrimônio público tombado pelos órgãos municipal e estadual.

Ludwig conta que o desabamento do prédio vizinho, embora chocante, é uma tragédia que se anunciava há décadas.

"Há 20 anos que estou aqui, há 20 anos via que esse prédio estava torto. Estivemos várias vezes em órgãos governamentais debatendo sobre a moradia irregular, muito embora eu nem questione a invasão, mas a situação de indignidade em que essas pessoas viviam ali. Corria esgoto a céu aberto e isso vinha até perto da igreja — imaginem o que era isso no auge dos casos de dengue”, afirma.

A gente sempre teve medo de que algo pior acontecesse, infelizmente. Mas há anos procurávamos uma autoridade para falar sobre a inclinação desse prédio.”

Ludwig contou que saiu da igreja ontem por volta das 18h. Soube do incêndio no prédio vizinho durante a madrugada, pela TV, e já com barulho de helicópteros. Em março, cerca de 150 famílias moravam na ocupação do prédio Wilton Paes de Almeida.

“Nessa hora, eu queria chorar. A maioria das pessoas ali era trabalhadora”, lamentou.

Cotidiano