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Secretário compara área de risco no Rio com tsunami e terremoto no Japão

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

07/02/2019 08h37

O secretário de Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, coronel Roberto Robadey, afirmou na manhã desta quinta-feira (7) que os moradores do estado precisam conviver com áreas de risco como os japoneses "convivem com tsunami e terremoto". Ele disse ainda que o fato de as pessoas jogarem lixo nas ruas contribuiu para o caos provocado pela chuva.

A declaração foi dada por volta das 7h45 durante entrevista à TV Globo, horas após um forte temporal atingir a cidade do Rio na noite da quarta-feira (6), deixando ao menos três mortos

Temos que conviver com áreas de risco por algum tempo no nosso estado, como convivem, no Japão, com tsunami e terremoto

Roberto Robadey, secretário de Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro

A cidade amanheceu em estágio de crise, o mais grave em uma escala de três em situações do gênero. O desmoronamento de ao menos duas encostas na favela do Vidigal, na zona sul do Rio, atingiu um hotel de luxo e caiu em cima de um ônibus. Duas pessoas que estavam dentro do veículo ainda não foram localizadas pelos Bombeiros. 

Segundo Robadey, não estão previstos temporais para as próximas horas e que a expectativa do governo é que "a maioria das pessoas poderá ter uma vida normal hoje". "Estamos trabalhando para colocar a cidade na normalidade o mais rápido possível".

Ele responsabilizou a própria população dizendo que maus hábitos como "jogar papel de bala na rua" contribuem para o caos vivenciado no Rio por causa dos temporais. 

"Isso é cultural, nossa população precisa não jogar o papel de bala na rua porque ele vai para o bueiro. Há o esforço dos órgãos para limpar, um trabalho preventivo", disse. 

Ele recomendou ainda que antes de voltarem para suas casas, os moradores avaliem seus imóveis e a qualquer sinal de anormalidade entrem em contato com 199 solicitando uma vistoria. "Só retorne para o imóvel estando liberado pela defesa civil", declarou. 

Segundo o secretário, o temporal também atingiu outras cidades do estado, mas causou mais estragos e eventos mais graves na capital fluminense.

Em Petrópolis, o rio Quitandinha transbordou por causa das fortes chuvas, mas de acordo com Robadey não houve ocorrências graves como as verificadas na capital fluminense. 

"Tivemos transbordamento no rio Quitandinha, em Petrópolis. Mas a população de lá já está acostumada com isso. Não há registro de evento mais grave em outros locais", afirmou. 

Na avaliação dele, o sistema de sirenes instalados em áreas de risco "funcionou bem". Ele foi acionado às 21h48, segundo a Defesa Civil, nas comunidades da Rocinha e Sítio Pai João.

Os alertas indicam aos moradores o momento para desocuparem suas residências e irem para pontos de apoio. "Esse sistema funcionou ontem. Não tivemos um grande número de eventos de gravidade por causa dele", avaliou. 

Uma das mortes confirmadas, porém, foi na Rocinha. Na mesma comunidade, um vídeo que circula nas redes sociais mostra um homem sendo arrastado pela força da água. Ele teria sobrevivido.

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TV Folha

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