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Em três anos, sobe 63% o número de agentes públicos denunciados pelo MP-SP

03.mai.2019 - Divulgação/PM
Operação recente do Gaeco contra facção criminosa de SP apreendeu quase R$ 900 mil Imagem: 03.mai.2019 - Divulgação/PM

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

2019-05-09T04:01:00

2019-05-08T18:44:36

09/05/2019 04h01

Resumo da notícia

  • Levantamento indica três anos em que MP vêm denunciando mais agentes públicos
  • Prisões ligadas ao PCC também vêm aumentando e são metade do total no período

Relatório de prestação de contas do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), órgão do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), aponta que cresceram nos últimos três anos, após ações de promotores, as denúncias contra agentes públicos, de crimes como corrupção, concussão (extorsão cometida por funcionário público) e fraude em licitações.

"Mais de 60% da atividade do Gaeco no estado de São Paulo visa crimes contra a administração pública. Esses agentes são, principalmente, ligados a contratações públicas, licitações. Mas há também policiais, civis e militares, investigados por corrupção", afirmou à reportagem o promotor Amauri Silveira Filho, secretário-executivo do Gaeco de São Paulo.

Entre 2016 e 2018, foram 564 agentes públicos processados. Em 2016, 143 agentes públicos haviam sido denunciados. Em 2017, o número subiu para 188. Em 2018, para 233. Um aumento de 63% em três anos.

Ainda nos últimos três anos, a Justiça paulista condenou 1.300 pessoas, sendo, dessas, 253 agentes públicos.

Metade dos presos em 3 anos são do PCC

O mesmo levantamento aponta o aumento do número de prisões de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital).

No período 2016-18, o MP realizou 359 operações, o que representa uma média de uma a cada três dias. Ao todo, foram 4.103 presos, sendo 2.118 ligados ao PCC, pouco mais da metade.

"Todo grupo criminoso organizado visa ao lucro. Se visa ao lucro, para produzir dinheiro, tem que possuir um esquema de lavagem de dinheiro, seja mas sofisticado ou mais rudimentar. Além disso, toda organização criminosa precisa corromper agentes públicos. Em algum momento, ela vai se relacionar com um agente público corrupto", complementou o promotor.

02.jun.2011 - Lemes Simões/Folhapress
Amauri Silveira Filho, secretário-executivo do Gaeco de São Paulo Imagem: 02.jun.2011 - Lemes Simões/Folhapress

Por isso, foi identificada a chamada "tríplice vertente da atividade criminosa organizada". A partir dela, é possível identificar integrantes que agem de maneira estratégica em ações criminosas. "Nós combatemos uma organização criminosa, então, temos que combater a parte primária, o tráfico, mas também a lavagem de dinheiro e a corrupção de agentes públicos."

Número de presos ligados ao PCC aumenta 190%

Também nos últimos três anos, segundo o levantamento obtido pela reportagem, subiu 190% o número de presos ligados ao PCC. Passou de 340 em 2016 para 983 em 2018.

"O que nós temos tentado fazer para não 'enxugar gelo' é qualificar os resultados dessas operações. Com uma análise minuciosa de operações contra o PCC, podemos afirmar que prendemos mais e aqueles com posição hierárquica grande ou que influenciavam diretamente na logística do funcionamento da facção", disse Silveira Filho.

A operação Ethos, do Gaeco de Presidente Prudente (SP), apontou, em julho do ano passado, que o PCC se expandiu para outros estados e países, tornando-se, inclusive, mais violento do que era no passado.

Antes, segundo a denúncia, havia a premissa de tentar evitar o confronto para não atrapalhar os negócios. Com o enfrentamento de outras facções, em outros estados, o grupo paulista decidiu agir de forma semelhante ao CV (Comando Vermelho), do Rio: matar todos os inimigos.

"O MP, as polícias e outras instituições não enfrentam o PCC. Nós enfrentamos um sistema. O PCC cresceu por uma série de fatores. Uma legislação penal ruim, questões sociais, entre outros. A organização cresce porque o sistema a fomenta. O que fazemos são trabalhos que alcancem os níveis altos da facção, até que sejam corrigidas as outras esferas que continuam a fomentá-la", afirmou o promotor.

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