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Papa Francisco transforma Irmã Dulce em 1ª santa nascida no Brasil

Do UOL, em São Paulo

13/10/2019 05h10Atualizada em 13/10/2019 14h28

Resumo da notícia

  • Multidão se reúne para ver papa canonizar Irmã Dulce
  • Freira teve milagres confirmados e vira 1ª santa nascida no Brasil
  • Curado pela agora chamada de Santa Dulce dos Pobres também esteve em missa

Irmã Dulce, a freira conhecida como o "anjo bom da Bahia" pela fé e pela dedicação no trabalho de assistência aos pobres, foi canonizada hoje pelo papa Francisco em missa no Vaticano e se tornou a primeira santa nascida no Brasil. A cerimônia foi acompanhada por 50 mil pessoas, segundo a Igreja Católica.

Com dois milagres reconhecidos pela Igreja Católica, ela passa a ser chamada de Santa Dulce dos Pobres.

"Hoje agradecemos ao Senhor pelos novos santos, que andaram com fé e agora os evocamos como intercessores", disse o papa Francisco diante de uma multidão reunida na praça São Pedro.

"Três são religiosos e nos mostram que a vida consagrada é um caminho de amor nas periferias existenciais do mundo", acrescentou.

O pontífice também canonizou o cardeal britânico John Henry Newman (1801-1890), fundador do Oratório de São Filipe Néri; a italiana Giuseppina Vannini (1859-1911), cofundadora da Congregação das Filhas de São Camilo; a indiana Maria Teresa Chiramel Mankidiyan (1876-1926), fundadora das Irmãs da Sagrada Família; e a suíça Margarita Bays (1815-1879), da Ordem Terceira de São Francisco de Assis.

O Vaticano havia anunciado a canonização de Irmã Dulce em maio deste ano, quando um segundo milagre atribuído à religiosa foi reconhecido por meio de decreto. Trata-se da cura de um paciente que estava cego por conta de um glaucoma, o músico José Maurício Bragança Moreira.

Moreira participou da missa e presenteou o papa com uma relíquia de Irmã Dulce, um pedaço de sua costela colocado em um relicário sobre uma ametista em forma de coração.

13.out.2019 - Fiéis na praça São Pedro, no Vaticano, durante missa de canonização de Irmã Dulce, com uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida e a bandeira brasileira - ALBERTO PIZZOLI / AFP
13.out.2019 - Fiéis na praça São Pedro, no Vaticano, durante missa de canonização de Irmã Dulce, com uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida e a bandeira brasileira
Imagem: ALBERTO PIZZOLI / AFP

No próximo domingo (20), a Arena Fonte Nova, em Salvador, receberá uma grande celebração pela canonização da freira soteropolitana.

A missa no Vaticano teve a presença de uma ampla delegação brasileira, liderada pelo vice-presidente Hamilton Mourão, que trocou breves cumprimentos com o papa.

Transformou galinheiro em hospital

Nascida em 1914 em Salvador, Maria Rita Lopes de Sousa Brito se dedicou ao trabalho social nas ruas da capital baiana.

Começou prestando assistência à comunidade favelada dos bairros de Alagados e de Itapagipe e depois fundou a União Operária São Francisco, primeiro movimento cristão operário de Salvador, e o Círculo Operário da Bahia, que proporcionava atividades culturais e recreativas, além de uma escola de ofício.

Em 1949, acolheu no galinheiro situado ao lado do Convento Santo Antônio cerca de 70 doentes recolhidos das ruas de Salvador. O episódio é considerado a origem da OSID (Obras Sociais Irmã Dulce), instituição filantrópica fundada por ela dez anos depois.

13.out.2019 - Missa de canonização da brasileira irmã Dulce (a partir da esq.), da italiana Giuseppina Vannini, do cardeal britânico John Henry Newman, da indiana Maria Teresa Chiramel Mankidiyan e da suíça Margarita Bays - ALBERTO PIZZOLI / AFP
13.out.2019 - Missa de canonização da brasileira irmã Dulce (a partir da esq.), da italiana Giuseppina Vannini, do cardeal britânico John Henry Newman, da indiana Maria Teresa Chiramel Mankidiyan e da suíça Margarita Bays
Imagem: ALBERTO PIZZOLI / AFP

O primeiro milagre atribuído a ela e que lhe rendeu a beatificação aconteceu em 2001, quando uma mulher havia sido desenganada pelos médicos depois de dar à luz devido a um quadro grave de hemorragia.

Rápido processo

A canonização de Irmã Dulce é a terceira mais rápida da história da Igreja Católica a partir da data da morte: 27 anos após seu falecimento, atrás da santificação do papa João Paulo 2º (nove anos após sua morte) e de Madre Teresa de Calcutá (19 anos após o falecimento).

Antes de ser aprovado, o Vaticano submete a postulação a três análises, uma médica, outra teológica e a final feita pelo colégio de cardeais.

Para ser aprovado, um milagre deve cumprir quatro itens. A instantaneidade, a perfeição e o atendimento completo do pedido, a durabilidade do pedido, e aspecto preternatural, aquele que não pode ser explicado pela ciência.

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