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Acre e Mato Grosso anunciam reforço na segurança na fronteira com a Bolívia

Ponte da Amizade, que liga Brasiléia (AC), interditada do lado boliviano, em Cobija, por militantes do movimento que reinvindicava a anulação das eleições - Raylanderson Frota / Cedida ao UOL
Ponte da Amizade, que liga Brasiléia (AC), interditada do lado boliviano, em Cobija, por militantes do movimento que reinvindicava a anulação das eleições Imagem: Raylanderson Frota / Cedida ao UOL

Marcelo Oliveira

Do UOL, em São Paulo

12/11/2019 16h39

Resumo da notícia

  • Acre e Mato Grosso anunciam reforço no policiamento na fronteira com a Bolívia
  • No Acre, secretário de segurança recomendou que brasileiros evitem atravessar para o país vizinho
  • Muitos brasileiros que moram no Acre estudam ou trabalham em Cobija, capital do estado de Pando, na Bolívia
  • Aulas nas universidades bolivianas de Cobija, onde estudam brasileiros, estão suspensas

As secretarias de Segurança Pública do Acre e do Mato Grosso, dois dos quatro estados brasileiros que fazem fronteira com a Bolívia, fizeram recomendações de segurança sobre o país vizinho e aumentaram o patrulhamento em pontos específicos dos 3.400 quilômetros de divisa entre os dois países.

A Bolívia sofre com protestos contra e a favor do ex-presidente Evo Morales desde o último dia 20, quando houve eleições presidenciais. As manifestações se acirraram após o anúncio do resultado das eleições, dando a vitória em primeiro turno ao agora ex-presidente Evo Morales.

No último domingo (10), após a Organização dos Estados Americanos (OEA) denunciar fraudes nas eleições, Morales anunciou novo pleito e decidiu renunciar após perder o apoio da polícia e das Forças Armadas.

Recomendação para evitar a Bolívia

No Acre, o Secretário de Justiça e Segurança Pública, coronel Paulo Cézar Rocha dos Santos, em entrevista ao portal ac24horas, pediu que os acreanos evitem entrar no território boliviano.

Segundo a secretaria, muitos brasileiros das duas cidades do Acre que fazem fronteira com a Bolívia (Epitaciolândia e Brasileia), estudam em universidades bolivianas na cidade de Cobija.

De acordo com o secretário, estudantes e trabalhadores brasileiros que cruzam diariamente a fronteira devem evitar fazê-lo até que volte a calma no país vizinho. As pontes que ligam cada um dos municípios à Cobija foram fechadas por manifestantes desde o último dia 5.

O secretário informou que desde a semana passada, as forças estaduais estão mobilizadas para garantir mais efetivo policial na fronteira. Um pelotão do policiamento de choque, com 20 homens, foi destacado de Rio Branco para prestar auxílio às forças de segurança em Epitaciolândia.

Aulas online

O estudante de medicina Raylanderson Frota, que mora em Brasileia e estuda em Cobija, diz que as aulas presenciais nas universidades da capital de Pando estão suspensas.

"Estão disponíveis apenas aulas online", disse.

O estudante fez registros da interdição das pontes pelos manifestantes bolivianos. No momento, passam no local apenas ciclistas e pedestres. Motociclistas podem passar, mas têm que descer das motos.

No MT só ambulâncias passam

Segundo a Sesp-MT (Secretaria de Estado da Segurança Pública de Mato Grosso), o Grupo Estadual de Segurança na Fronteira informa que, mesmo após a renúncia de Morales, as manifestações continuam.

De acordo com o informe da secretaria, a linha regular de ônibus entre Cuiabá e Santa Cruz de La Sierra está impedida de passar pela fronteira. O documento também diz que o acesso pela BR-070 está bloqueado.

"Os manifestantes estão permitindo apenas o acesso de ambulâncias e veículos que estiverem prestando socorro a alguma vítima", afirma a nota.

Segundo a secretaria, o foco do grupo de fronteira é a região de La Curicha, logo após a fronteira.

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