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Líder do PCC na fronteira com Paraguai e Marcola tomam banho de sol juntos

21.jan.2020 - Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, deixou prisão em Brasília para passar por bateria de exames - André Coelho/Folhapress
21.jan.2020 - Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, deixou prisão em Brasília para passar por bateria de exames Imagem: André Coelho/Folhapress

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

26/03/2020 16h16Atualizada em 27/03/2020 12h19

Resumo da notícia

  • Marcola, o "cabeça", e Minotauro, o "guerreiro", têm duas horas diárias em companhia
  • Minotauro havia sido colocado na fronteira do Paraguai para dominar toda a região
  • Quem os conhece diz que deixá-los lado a lado é como "colocar combustível na fogueira"

Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, acusado de ser o principal chefe do PCC (Primeiro Comando da Capital), está acostumado a ficar isolado. Ao longo de 20 anos enclausurado no sistema penitenciário paulista, ele ficou 1.415 dias sem contato com outros detentos.

Ao ser levado para o sistema penitenciário federal em fevereiro do ano passado, junto de toda a cúpula da facção paulista, Marcola e outros 21 membros do PCC ficaram, por decisão judicial, mais um ano em regime de isolamento. Há um mês, ele pôde voltar a tomar banho de sol acompanhado.

Minotauro, do PCC - Divulgação - Divulgação
Sérgio de Arruda Quintiliano, o Minotauro do PCC, ao ser preso em fevereiro de 2019
Imagem: Divulgação

Sua única companhia, durante suas duas horas diárias de banho de sol, é nada mais, nada menos que Sérgio de Arruda Quintiliano, o Minotauro, apontado como o principal chefe do PCC na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. A informação é de familiares e de advogados de presos.

Minotauro estava escalado por Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, apontado como principal aliado de Marcola em liberdade, para ficar à frente na "guerra" pelo controle da fronteira, principalmente entre as cidades de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, e de Pedro Juan Caballero, no Paraguai. O local é utilizado como passagem para o tráfico internacional de drogas e de armas.

Pela facilidade da fronteira, o PCC vê o local como um território importante para trazer a maconha que é produzida no Paraguai e a cocaína produzida vinda de Bolívia, Peru e Colômbia. Por isso, após confrontos com o CV (Comando Vermelho) e com Jorge Rafaat Toumani, traficante que chefiava a região, a facção paulista dominou o local.

Minotauro foi preso em fevereiro do ano passado. Seu posto no comando da facção está terceirizado. Investigações paraguaias apontam que seu braço direito, Edson Barbosa Salinas, o Ryguasú, que foi solto em Ponta Porã no início deste mês após pagar R$ 80 mil de fiança, é quem domina a região atualmente. Ele é suspeito de mandar matar o jornalista Léo Veras.

Marcola no parlatório

A reportagem apurou que Marcola, além dos banhos de sol com Minotauro, sai de sua cela em Brasília apenas para ir ao parlatório para conversar com seu advogado, sua cunhada (que também é advogada) e sua mulher. Lá, o contato, em vídeo e áudio, é monitorado o tempo inteiro pelo Depen (Departamento Penitenciário Nacional).

No parlatório, Marcola reclama por não poder abraçar o filho e pela comida que é oferecida. A insatisfação foi motivo de uma greve de fome feita por membros da cúpula do PCC em Brasília e ocasionou uma "greve branda" em São Paulo, quando presos da facção se recusaram a ir para audiências em fóruns do estado, como forma de chamar a atenção.

Advogados entrevistados pela reportagem dizem acreditar que é proposital deixar Marcola, considerado o cérebro do PCC, ao lado de Minotauro, o guerreiro, para que o governo consiga captar conversas e possíveis ordens. Quem conhece ambos afirma que deixá-los lado a lado é como "colocar combustível na fogueira".

Procurado desde ontem (25) pelo UOL, o Depen não se posicionou sobre o assunto.

Sem visitas devido à covid-19

Por prevenção à disseminação do novo coronavírus, o Depen suspendeu por 30 dias as visitas sociais, os atendimentos de advogados, as atividades educacionais e de trabalho, as assistências religiosas e as escoltas dos presos custodiados nas cinco penitenciárias federais do país.

Ouça também o podcast Ficha Criminal, com as histórias dos criminosos que marcaram época no Brasil. Esse e outros podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e outras plataformas de áudio.

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