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Por Marcola, PCC determina que integrantes façam "greve branda" em SP

21.jan.2020 - Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, é levado de prisão em Brasília para fazer exames médicos - Lucio Tavora/Xinhua/Folhapress
21.jan.2020 - Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, é levado de prisão em Brasília para fazer exames médicos Imagem: Lucio Tavora/Xinhua/Folhapress

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

11/03/2020 12h06

Resumo da notícia

  • Presos se recusam a deixar cadeias de SP e comparecerem a audiências em fóruns
  • Recusa teria sido determinada por cúpula da facção, que está no sistema federal
  • Presos que estão em "greve" dizem querer que presos em Brasília sejam trazidos a SP
  • Advogados reclamam da comida servida em Brasília e citam perda de peso de presos

Integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) presos em São Paulo estão se recusando hoje a ir para audiências de alguns fóruns de todo o estado por determinação da cúpula da facção criminosa, em uma espécie de "greve branda".

Os chefes do grupo estão presos fora de São Paulo, em três presídios diferentes que pertencem ao sistema penitenciário federal. Mas, segundo policiais civis e militares e agentes penitenciários, os líderes determinaram a recusa por meio de um comunicado. Ainda não se sabe como ordem chegou aos detentos.

Agentes penitenciários afirmaram à reportagem, sob a condição de anonimato, que, ao se recusarem a sair da prisão, os detentos disseram estar reivindicando a saída de membros da facção de Brasília e melhoria na comida servida a eles.

No presídio federal de Brasília está Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado por investigações estaduais e federais como o principal chefe do PCC. Os principais integrantes da cúpula da facção também estão lá.

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente, apesar de a informação proceder, a questão está fixa no sistema prisional, sem grandes riscos de ter ações nas ruas do estado.

Advogados de integrantes do PCC presos na capital federal afirmaram à reportagem que há muita reclamação sobre a comida servida no presídio. Entre as queixas, a de qualidade e de quantidade.

Todos os integrantes da facção transferidos para lá no ano passado perderam quilos, segundo suas defesas. Marcola e seu irmão, Alejandro Camacho, por exemplo, teriam perdido entre 15 e 20 quilos.

Entre as penitenciárias que registraram recusa de presos hoje para irem a audiências estão as de Suzano, Guarulhos, Santo André, Praia Grande e Franco da Rocha.

A SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) apura as informações com diretores dos presídios. A reportagem apurou que, até o fim da manhã, o diretor da unidade de Suzano confirmou a "greve branda".

O cardápio de Marcola

Procurado, o Depen (Departamento Penitenciário Nacional), ligado ao Ministério da Justiça, informou que "os presos custodiados no sistema penitenciário federal têm a assistência material que, dentre outros, prevê o fornecimento de alimentação, vestuário e instalações higiênicas".

O Depen informou que há horas determinadas para "uma alimentação de boa qualidade, bem preparada, com valor nutritivo adequado à saúde e à robustez física". São oferecidas alimentações às 6h15, às 11h15 e às 17h15.

No início do dia, o cardápio oferecido inclui leite, pão, café, queijo e fruta da época. No fim da manhã, arroz (ou macarrão), feijão, farinha, proteína, legumes, salada fruta da época (ou sobremesa doce) e suco. No fim da tarde, além da mesma alimentação oferecida para o almoço, também há pão e margarina. Na Páscoa, Dia dos Pais e Natal também é oferecido refrigerante.

"As penitenciárias federais celebram contratos com empresas especializadas na preparação e fornecimento de refeições, elaborados com base em Parecer Nutricional contratado pelo DEPEN considerando as necessidades calóricas diárias para um homem médio de 2000 a 2500 kcal /dia", afirmou, em nota, o Depen.

O Tribunal de Justiça de São Paulo informou não ter como precisar a quantidade e/ou motivos de faltas em audiências de presos.

A SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) afirmou que houve poucas recusas, em algumas unidades, para comparecimento em juízo. "Os presos que não aceitaram serem levados para audiências foram transferidos para Pavilhão Disciplinar, além de serem submetidos a procedimento disciplinar, por cometimento de falta de natureza grave."

Ouça também o podcast Ficha Criminal, com as histórias dos criminosos que marcaram época no Brasil. Este e outros podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e outras plataformas de áudio.

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