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Traficantes locais mandaram matar jornalista, aponta investigação paraguaia

Jornalista Léo Veras, morto no Paraguai - Reprodução/Facebook
Jornalista Léo Veras, morto no Paraguai Imagem: Reprodução/Facebook

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

18/02/2020 14h12

Resumo da notícia

  • Para polícia e MP, traficantes que comandam fronteira são os principais suspeitos
  • Os suspeitos são acusados de negociar drogas e armas com as facções PCC e CV
  • "Salve" do PCC aponta que facção repudiou o crime e o classificou como "covarde"

Investigações preliminares da Polícia Nacional e da divisão de investigações da polícia paraguaia, além do Ministério Público do país vizinho, apontam que o assassinato do jornalista brasileiro Lourenço Veras, o Léo Veras, 52, ocorreu em 12 de fevereiro, em Pedro Juan Caballero, a mando de traficantes locais que atuam na fronteira entre o Paraguai e o Brasil.

De acordo com investigações locais, as facções brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) não foram as responsáveis diretamente pelo assassinato.

As apurações apontam que o tráfico que atuam na região é o principal suspeito. Atualmente, o grupo local é comandado por Edson Barbosa Sanilas, o Ryguasú, braço direito de Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, o Minotauro, que havia sido preso em fevereiro do ano passado

Jornalista é morto dentro de casa no Paraguai

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Ignacio Rodriguez Villalba, chefe da Polícia Nacional do Paraguai, afirmou que o assassinato de Léo Veras está vinculado a publicações feitas pelo jornalista sobre o crime organizado na fronteira. O jornalista relatava que recebia ameaças nos últimos anos.

Villalba afirmou que a corporação está empenhada para encontrar os criminosos e seus mandantes. Para integrantes da cúpula da polícia paraguaia, os homens paraguaios que dominam a região são os principais suspeitos do crime.

Para o promotor Marcelo Pecci, se houve ligação do PCC na morte de Léo Veras, não foi organizado pela facção paulista.

Um "salve" (ordem) do PCC apreendido pela Promotoria local aponta que os criminosos brasileiros repudiaram o ataque ao jornalista, classificaram como "covardia" e disseram que se alguém do grupo teve ligação, esse membro será punido com a morte. Segundo Pecci, a investigação está em "curso normal" e "avançada".

Placa em Ponta Porã (MS) que informa divisa entre Brasil e Paraguai - 27.jan.2020 - Marina Garcia/UOL - 27.jan.2020 - Marina Garcia/UOL
Placa em Ponta Porã (MS) que informa divisa entre Brasil e Paraguai
Imagem: 27.jan.2020 - Marina Garcia/UOL

"Estamos conscientes dos casos recentes ocorridos em Pedro Juan Caballero, especialmente desde janeiro deste ano, e isso envolveria interesses de natureza política. No entanto, as hipóteses levantadas sobre o assassinato do jornalista Léo Veras são mais amplas, o espectro, o cenário, o universo investigativo têm linhas bastante enquadradas em organizações criminosas que têm o poder organizacional de realizar esse tipo de evento", complementou o promotor.

A fronteira seca entre as cidades de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero é dividida por uma avenida. Pela facilidade na fronteira, o PCC vê o local como um território importante para trazer a maconha que é produzida no Paraguai e a cocaína produzida vinda da Bolívia, do Peru e da Colômbia. Para não haver problemas no tráfego, no entanto, a facção paulista paga propina.

Por isso, Pedro Juan Caballero é utilizada como um local de passagem para o tráfico internacional de drogas e de armas. Uma vez no território nacional, a droga é enviada aos principais portos do país e, de lá, exportada para Europa, África e Ásia dentro de navios, o que é tido como a principal forma de ganhar dinheiro da facção.

Ouça também o podcast Ficha Criminal, com as histórias dos criminosos que marcaram época no Brasil. Este e outros podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e outras plataformas de áudio.

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