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Investigação detecta membros do PCC em EUA, Europa e América do Sul

Menina brinca em quadra com pichação do PCC na cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai - 29.jan.2020 - Marina Garcia/UOL
Menina brinca em quadra com pichação do PCC na cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai Imagem: 29.jan.2020 - Marina Garcia/UOL

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

06/10/2020 04h00

Departamentos de inteligência e de segurança do Brasil detectaram que o PCC (Primeiro Comando da Capital) não se expande apenas por todas as unidades federativas do país. Já foram identificados pelo menos 387 integrantes da facção paulista em outros 16 países.

Relatório federal obtido com exclusividade pelo UOL mostra que há pessoas batizadas pelo PCC nos Estados Unidos, em oito países da América do Sul —sem contar o Brasil— e em sete países da Europa.

Além desse integrantes identificados, a facção paulista também trabalha com sócios em outros países, incluindo alguns na África e na Ásia.

A principal atuação do PCC, atualmente, é o tráfico internacional de drogas e a lavagem de dinheiro. Relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) aponta que apenas em um dos tentáculos de lavagem de dinheiro 78 empresas lavaram R$ 32 bilhões ao PCC em um período de quatro anos.

Países com membros do PCC identificados:

América do Norte:

  • Estados Unidos - 8

América do Sul:

  • Suriname - 14
  • Argentina - 17
  • Guiana - 35
  • Chile - 2
  • Uruguai - 72
  • Venezuela - 163
  • Colômbia - 6
  • Peru - 3

Europa:

  • Espanha - 16
  • Itália - 2
  • Suíça - 1
  • Inglaterra - 1
  • Portugal - 43
  • Holanda - 1
  • França - 3

Nos Estados Unidos foram identificados pelo menos oito integrantes batizados pela facção criminosa paulista. A suspeita de investigadores brasileiros é de que membros do PCC estejam no país norte-americano não só para importar cocaína a um dos países que mais consomem a droga, mas, também, aprimorar ações de lavagem de dinheiro.

Fronteira do Norte do Brasil

Na América do Sul, os países com maior presença de integrantes da facção paulista são aqueles que fazem divisa com o Norte do Brasil. Há 163 membros identificados na Venezuela e 35 na Guiana Inglesa.

De acordo com investigadores, o PCC é muito forte do estado de Roraima. A partir de lá, a facção paulista se estende para a Venezuela e para a Guiana.

A região Norte é estratégica para a chegada de drogas ao país, sobretudo por meio de pequenos aviões e embarcações. Uma vez no Brasil, a droga que passa por essa fronteira vai para portos do Nordeste, de onde são despachadas para a Europa e África.

Apesar de não estarem listados no relatório, Bolívia e Paraguai têm intensa movimentação de membros do PCC. É a partir da fronteira com o Paraguai que chega grande parte da droga que parte para a Europa a partir dos portos do Sudeste e do Sul do Brasil.

Segundo investigadores, traficantes bolivianos e paraguaios, apensar de serem parceiros fiéis ao PCC, não costumam ter integrantes batizados do PCC. Costumam trabalhar em regime de sociedade.

Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, por exemplo, nunca foi integrante do PCC. Mesmo assim, foi, por anos, o braço-direito em liberdade de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. Ele foi detido em Moçambique, em abril deste ano. Lá, Fuminho planejava controlar o tráfico em toda a África.

Solução Uruguai

Em dezembro do ano passado, a Direção Nacional de Aduanas do Uruguai realizou a maior apreensão de drogas da história do país: seis toneladas de cocaína que estavam distribuídas entre contêineres de farinha de soja de um navio que deixaria o porto de Montevidéu com destino à África do Sul.

Os policiais uruguaios rastrearam de quem era a carga. Chegaram até uma fazenda da região de Soriano, no oeste do país. Lá, encontraram mais 1,5 tonelada de cocaína. Segundo investigadores brasileiros, nos últimos dois anos, foi identificada forte atuação do PCC naquele país.

O relatório aponta que existem, pelo menos, 72 integrantes batizados do PCC no Uruguai. A investigação aponta que houve uma crescente da facção paulista no país por dois pontos: o primeiro, era preciso desviar parte da droga que estava sendo muito apreendida em Santos (SP); o segundo, foi identificado que as autoridades locais não tinham experiência contra grandes organizações criminosas.

O PCC na Europa

Antes de ser preso em setembro do ano passado, André de Oliveira Macedo, o André do Rap, suspeito de ser, desde fevereiro de 2018, o principal negociador de drogas do PCC na região de Santos com a máfia italiana 'Ndrangheta, morou em Portugal e na Holanda.

De acordo com as investigações brasileiras, há outros integrantes do PCC que fazem o mesmo caminho. Lá, os criminosos têm sócios, mafiosos ou não, com quem fazem negócios de exportação de drogas, sobretudo da cocaína.

Atualmente, os principais portos recebedores das drogas que partem do Brasil estão na Espanha, na Itália e na Holanda. Mas, por causa da língua, o país que mais abriga traficantes brasileiros é Portugal. Ao todo, 43, segundo a investigação. Depois, a Espanha, com 16 integrantes batizados.

Na Itália, haviam sido rastreados apenas dois, na região sul do país, onde está baseada a 'Ndrangheta. De acordo com procuradores antimáfia da região da Calábria, não são necessários integrantes do PCC no país para o negócio continuar em ritmo acelerado.

Ouça também o podcast Ficha Criminal, com as histórias dos criminosos que marcaram época no Brasil. Esse e outros podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e outras plataformas de áudio.

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