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3 meses

'Repulsa e indignação': a repercussão da morte de homem negro após agressão

Do UOL, em São Paulo

20/11/2020 11h33Atualizada em 20/11/2020 17h37

O caso de um homem negro que morreu na noite de ontem após ser agredido por dois seguranças — um deles PM temporário, fora de serviço —, no supermercado Carrefour, na zona Norte de Porto Alegre, às vésperas do feriado da Consciência Negra, gerou manifestações de repúdio nas redes sociais. João Alberto Silveira Freitas tinha 40 anos.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que o caso causa "repulsa e indignação".

"No Dia da Consciência Negra, estas cenas de racismo demonstram o quanto precisamos evoluir para termos uma sociedade mais justa e igualitária", escreveu o tucano em sua conta no Twitter.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), condenou a atitude dos seguranças e afirmou que o caso será investigado.

"Infelizmente, nesta data em que deveríamos celebrar políticas públicas e avanços na luta por igualdade racial, deparamos com cenas que nos deixam indignados pelo excesso de violência que levou à morte de um cidadão negro", disse Leite, que se solidarizou com a família da vítima.

O vice-governador do Rio Grande do Sul e secretário estadual de Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior (PTB), descreveu como "horripilantes" as imagens.

"Vamos apurar esse fato a sua exaustão, não podemos admitir ações dessa natureza. As imagens são horripilantes, a Segurança Pública de nosso estado fará tudo para o seu total esclarecimento", escreveu ele em uma rede social.

Candidatos à prefeitura de Porto Alegre, cidade onde o caso aconteceu, Manuela D'Ávila (PCdoB) e Sebastião (MDB), também se pronunciaram sobre o caso.

"Estava no debate da Band e na saída soube do assassinato de um homem negro pela abordagem violenta dos seguranças do estacionamento do Carrefour. Sei que já há pedido de investigação sendo feito por parlamentares e pela bancada antirracista recém eleita. Mas as imagens dizem muito. O racismo que estrutura as relações de nossa sociedade precisa ser enfrentado de frente. As mulheres e homens brancos precisam assumir a sua responsabilidade na luta antirracista. Quantos Betos? Qual pessoa branca você viu ser vítima dessa violência??", escreveu Manuela.

"Acabo de saber da morte de um homem negro por seguranças do Carrefour da zona norte aqui de Porto Alegre. Um absurdo! As cenas são chocantes. Justamente no dia Nacional de luta contra o racismo. Medidas rigorosas devem ser tomadas imediatamente!", disse o emedebista.

'Assassinato bárbaro'

Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes também se manifestaram sobre o episódio nas redes sociais.

Gilmar classificou o episódio como "assassinato bárbaro". "O Dia da Consciência Negra amanheceu com a escandalosa notícia do assassinato bárbaro de um homem negro espancado em um supermercado. O episódio só demonstra que a luta contra o racismo e contra a barbárie está longe de acabar. Racismo é crime! #VidasNegrasImportam", escreveu.

Já Moraes se solidarizou com a família de João Alberto. "Na véspera do Dia da Consciência Negra, marcado pelo preconceito racial, o bárbaro homicídio praticado no Carrefour escancara a obrigação de sermos implacáveis no combate ao racismo estrutural, uma das piores chagas da sociedade. Minha solidariedade à família de João Alberto", disse.

Em homenagem a João Alberto Silveira Freitas, Luiz Fux, presidente do STF e da CNJ (Conselho Nacional de Justiça) pediu 1 minuto de silêncio antes de iniciar a sessão virtual da CNJ.

"Negro, 40 anos, morto ontem por seguranças de um supermercado em Porto Alegre", começou Fux. "Independentementa das versões, o que deve nos preocupar é a violência desacerbada. Toda violência desmetida deve ser banida da sociedade. É um triste episódio".

'Espancamento covarde'

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse que a morte de João Alberto é estarrecedora e "escancara a necessidade de lutar contra o terrível racismo estrutural que corrói nossa sociedade".

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que a "cultura do ódio e do racismo deve ser combatida na origem" e defendeu que "todo peso da lei" seja aplicado em casos de racismo.

Já a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) classificou a ação como "espancamento covarde" e usou a hashtag "vidas negras importam".

"O espancamento covarde mata o rapaz. O vídeo está nas redes. Não ia postá-lo, mas afinal... Homem foi morto! É uma denúncia! O racismo mata! Notem que passa um sujeito e não faz nada. Tem uma mulher filmando de perto. Nem tentou impedir! Ela é parte do horror!", escreveu.

Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, também mostrou sua "indignação" com o caso, mas não citou o fato de o homem agredido ser negro. Em uma sequência de publicações, a ministra colocou a sua pasta à disposição da família da vítima, pediu um basta na violência no Brasil, e parabenizou a polícia gaúcha por ter prendido os dois agressores.

Já a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), que concorreu à prefeitura do Rio, falou sobre o caso e também lembrou a morte da candidata a prefeita Leila Arruda (PT), assassinada em um conjunto residencial no bairro do Tenoné, na grande Belém. O ex-marido dela é suspeito.

"Todos os dias, o racismo e o machismo assassinam centenas de João e centenas de Leila em nosso país. Esses dois brutais assassinatos são retrato de um Brasil governado à luz do fascismo. Não podemos mais conviver com estas realidades. Precisamos ir à luta!", escreveu.

O ex-juiz e ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, lembrou o Dia da Consciência Negra e afirmou que "a violência racial não pode mais ser tolerada", pedindo punição aos agressores.

'Que haja Justiça'

Em nota, a Anistia Internacional no Brasil lamentou a morte de João Alberto Silveira Freitas e repudiou "o racismo e a violência empregados pelos dois autores" da agressão.

"É inadmissível que agentes de segurança pública ou privada façam uso excessivo da força, violando as normas internacionais e os princípios de legalidade, necessidade e proporcionalidade. O Carrefour, seu segurança e o policial da Brigada Militar do Rio Grande do Sul devem ser investigados e responsabilizados pelos crimes cometidos de homicídio e racismo", defendeu.

Também em nota, a Comissão Arns, que atua em defesa dos Direitos Humanos, lamentou o ocorrido e disse que a morte de João Alberto Silveira Freitas acrescenta mais um capítulo ao racismo histórico, estrutural, com o qual a sociedade brasileira convive - e, frequentemente, tolera"

"Não é à toa que a taxa de homicídios da população negra brasileira tenha alcançado 37,8 casos por 100 mil habitantes, enquanto está em 13,9 para os brancos, como informa o Atlas da Violência de 2020", pontuou. "Não podemos tolerar tanta injustiça. Basta!", acrescentou.

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