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'Não promovam campanhas oportunistas', diz mãe de Kathlen sobre grife

Kathlen Romeu morreu em ação policial - Reprodução/Instagram
Kathlen Romeu morreu em ação policial Imagem: Reprodução/Instagram

Do UOL, em São Paulo

10/06/2021 22h15Atualizada em 10/06/2021 22h25

Jackeline de Oliveira Lopes, mãe da designer de interiores Kathlen Romeu, de 24 anos, que morreu após uma ação policial no Complexo do Lins, na zona norte do Rio, na terça (8), criticou a grife Farm que usou o nome da jovem para uma campanha de vendas.

A empresa, que Kathlen trabalhava em uma das filiais na capital carioca, compartilhou ontem pelas redes sociais que todas as vendas de roupas feitas com o cupom de Kathlen teriam lucro revertido para a família da jovem, que estava grávida de 14 semanas. A ação foi duramente criticada e, em seguida, retirada do ar.

"Querida Farm, não vamos estragar essa relação tão bacana da minha filha com vocês. A família já está cansada demais e ainda tenho que vir aqui defender a memória da Kathlen?! Sou grata a vocês por todo esse tempo que minha filha fez parte dessa equipe, que por sinal dali saíram grandes amizades, relacionamentos de carinhos eternos?", escreveu.

"Se querem enaltecer minha filha e deixar viva a memória dela, promovam suas lindas negras, valorizem suas funcionárias, façam uma estampa que tenham algo a ver com a minha filha, façam tributo... Mas não promovam campanhas oportunistas usando o nome da minha filha. Vocês erraram, erraram feio, mas depois de tudo isso que estou passando, darei a vocês a oportunidade de se retratarem, não somente nas redes sociais."

Ainda ontem, após a repercussão negativa da ação, a marca publicou um pedido de desculpas, informando que o código de Kathlen foi retirado do ar e que a empresa continuará "dando apoio e suporte à família" da jovem, sem entrar em mais detalhes sobre o contato com a família da funcionária.

'Estado agonizando'

Na manhã de hoje, Jackeline de Oliveira Lopes foi ao programa "Encontro com Fátima Bernardes" para falar sobre a morte da filha.

"Esse problema não é nosso, é do estado. O estado está agonizando e a gente está pagando a conta. Tem alguma maneira, eles estudam para isso. Na guerra também tem tática, tem hora de saber recuar. Se eles estavam ali e viram, deixavam os bandidos correrem e perdessem aquela batalha, não baleassem minha filha. Poderiam ser três vidas, duas foram embora, e eu poderia ter perdido minha mãe junto. E eu? E meu marido, minha família? E agora?", disse Jackeline.

Em nota, a Polícia Militar informou que não havia operação no momento e que os tiros começaram após suspeitos atirarem contra agentes da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Lins.

Os moradores contam outra versão. Segundo eles, os agentes estavam escondidos em uma casa para surpreender suspeitos do tráfico de drogas no chamado Beco da 14. A jovem foi atingida exatamente no momento em que os policiais saíram do imóvel disparando em direção a um ponto de venda de drogas. Ela estava caminhando com a avó quando foi atingida.

Kathlen foi nascida e criada no Complexo do Lins. Mas, por conta da violência, ela e os pais tinham se mudaram há um mês. Segundo o pai dela, Luciano, a filha "viva o melhor momento da vida".

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