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'Fez tudo errado': colega diz ter desconfiado de falso médico no 1º plantão

Gerson Lavísio prestava serviço como médico, mas não possui diploma - Reprodução/ TV Vanguarda
Gerson Lavísio prestava serviço como médico, mas não possui diploma Imagem: Reprodução/ TV Vanguarda

Do UOL, em São Paulo

20/03/2022 23h52Atualizada em 21/03/2022 13h12

Colegas do falso médico que foi preso após ordenar a amputação da perna de uma vítima de engavetamento disseram que sempre desconfiaram da conduta dele. A suspeita surgiu logo no primeiro plantão juntos, quando Gerson Lavísio, 32, aplicou uma medicação errada em uma vítima de acidente e fez uma sutura irregular.

"A conduta que ele tomava não era de um médico. Por exemplo, quando é problema de coluna, a gente tem que aplicar um analgésico, ou até mesmo um remédio via oral, mas o que ele fez? Ele aplicou um calmante, 10 mg na veia. O usuário ficou desfalecido, já não estava nem andando mais. E também teve um paciente que precisou ser suturado. Ele fez a sutura, mas os pontos que ele fez estavam todos irregulares, ele não conseguia fazer o laço do ponto. E fez tudo errado", disse um dos colegas, que preferiu não se identificar, para a reportagem do Fantástico.

Gerson usava um diploma falso, de um outro médico, para exercer a medicina ilegalmente e foi denunciado ao MPF (Ministério Público Federal) na terça-feira (15). Ele foi detido em Pindamonhangaba, também no interior paulista. De acordo com informações obtidas pelo UOL, ele trabalhava havia apenas quatro dias na equipe médica da rodovia quando atendeu a ocorrência que acabou revelando a fraude, no domingo (13).

O falso médico atuou em três locais, sendo dois desses relacionados a prefeituras. Em um posto de saúde em Parelheiros, na zona Sul de São Paulo, Gerson chegou a atender 18 pessoas, incluindo crianças e idosos.

Ele também foi contratado por um serviço médico da prefeitura de Votorantim (SP). Lá, ele trabalhou por apenas um dia, e atendeu três pacientes. Além de receitar o mesmo antibiótico para pessoas com problemas diferentes, os erros de português no prontuário chamaram a atenção.

Outras farsas

Além de se passar por médico, Gerson também se passou por pastor. Atendendo e pregando a fiéis de igrejas, ele dava conselhos espirituais e fazia até previsões sobre o futuro das pessoas.

A reportagem do Fantástico mostrou que, nas redes sociais, ele anunciava cultos em organizações que não existiam. Ele também foi acusado de pedir dinheiro para viagens missionárias que nunca foram realizadas.

Gerson também enganou a namorada. Em entrevista ao programa deste domingo, Regiane Arabi contou que o conheceu pela internet. Ela afirmou tê-lo ajudado financeiramente com algumas contas e que os valores nunca eram devolvidos.

"As minhas amigas me alertavam. Falavam: 'cuidado, porque ele não é médico'", conta Regiane.

Além de descobrir que o namorado era um falso médico, a jovem teve outra surpresa ao saber que Gerson se relacionava com outra mulher. Em conversas, elas perceberam que ele mandava as mesmas mensagens para as duas.

"Agora quem vai desvendar ele sou eu. Porque ele vai ficar enganando mais quantas pessoas? Vai entrar na fragilidade das pessoas até quando? Ele tem que parar. Alguém tem que parar ele", disse.

  • Veja as notícias do dia no UOL News com Fabíola Cidral:

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