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1 mês

Idoso é agredido por empresário após suposto furto de carne na BA; vídeo

Alexandre Santos

Colaboração para o UOL, em Salvador

15/05/2022 09h00Atualizada em 15/05/2022 10h10

Um idoso foi agredido pelo dono de um frigorífico na cidade de Juazeiro (BA) por supostamente furtar pacotes de frango e de carne moída. O caso ocorreu na manhã de quinta-feira (12). O empresário Erasmo Neves, que afirma ter flagrado a ação, expôs o idoso em um vídeo divulgado no Instagram do estabelecimento, a Casa de Carnes Morumby.

Na rede social, seguidores rechaçaram a atitude do empresário e disseram que caberia à polícia resolver a situação. Após as críticas, Neves deletou a publicação e pediu desculpas "pela forma destemperada" com que agiu (leia nota abaixo). Para justificar a reação, afirmou que o homem cometeu o mesmo delito pela terceira vez em duas de suas lojas.

Nas imagens que ganharam repercussão, o empresário segura o idoso pela camisa, mostra a sacola com os produtos do suposto furto e, antes de repreendê-lo, pergunta se estão gravando a cena. O suspeito, por sua vez, aparece sentado na porta do frigorífico e mantém a cabeça baixa.

"Pegamos um ladrão aqui na loja do Alto da Maravilha. Já tinha pegado ele um dia na Areia Branca, roubando. Hoje conheci ele aqui e peguei de novo. Tá aqui roubando um frango e uma carne moída", diz Neves.

"Eu trabalho feito um filho da puta, e o cabra roubando, roubando, roubando", prossegue o empresário. Em seguida, ele dá um tapa na cabeça do idoso, joga uma sacola em cima dele e, por fim, dá um chute no suspeito, antes de expulsá-lo do local.

Procurada pelo UOL, a Polícia Civil informou que não registrou nenhum boletim de ocorrência a respeito do caso. A Polícia Militar também afirma que não foi acionada para atender a ocorrência.

Furto famélico

O suposto delito em questão é classificado como furto famélico, que se ocorre quando alguém furta comida, medicamentos ou qualquer outro item que seja imprescindível para sua sobrevivência ou de outra pessoa. Diferente do roubo, não deve haver uso de ameaça, violência ou arma.

Desde 2004, existe um entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) de que casos de furto famélico devem ser arquivados, seguindo o princípio da insignificância.

"Me comportei como um selvagem"

Em um comunicado publicado no Instagram do frigorífico, Erasmo Neves confirma ser sócio-proprietário da Casa de Carnes Morumby e disse lamentar o triste fato que protagonizou. Ele pede desculpas pela forma "destemperada" com que reagiu ao se deparar com um suposto caso de furto no estabelecimento. De acordo com Neves, é dali que alimenta os filhos e consegue empregar mais de cem funcionários.

"Ao perceber que estava sendo furtado pela mesma pessoa que já havia sido flagrada outras duas vezes furtando em outra filial da minha empresa, me comportei como um selvagem, tentando proteger o meu 'ganha-pão'", acrescentou o empresário.

O dono do frigorífico diz que, na primeira vez que flagrou o idoso furtando em uma de suas lojas, teria ficado comovido com a situação alegada pelo homem. "Após adverti-lo que da próxima vez chamaria a polícia, acabei liberando para que ele levasse a mercadoria que estava na sacola", afirma.

Ele continua: "Na segunda vez que o flagrei, retirei a mercadoria da sacola e solicitei que chamassem a polícia. Porém, ao ser interpelado por alguns clientes e demais passantes que presenciaram a cena, acabei desistindo de prestar queixa para não destruir a vida de uma pessoa já com uma certa idade. Porém, aconteceu de hoje flagrá-lo novamente com o mesmo modo de agir das outras vezes: entra como se fosse um cliente em dúvida do que vai levar e acaba aproveitando o momento de distração de algum funcionário para enfiar produtos dentro da sacola e sair sem pagar".

Ainda na nota, Neves diz que, mesmo sabendo que não pode "defender com unhas e dentes o único instrumento de trabalho", afirma que se arrepende "profundamente da atitude movida pela forte emoção violenta" que o acometeu naquele momento.

"Continuarei investindo em sistema de monitoramento eletrônico e segurança preventiva e/ou ostensiva para que os clientes e amigos sintam-se cada vez mais seguros ao adentrarem nas nossas lojas. Com mais de 40 anos de tradição na região do Vale do São Francisco, a nossa empresa é reconhecida pelas boas condutas perante os clientes, amigos e colaboradores, contribuindo para o desenvolvimento econômico das cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE)", conclui o texto.

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