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MP dá 10 dias para Bope enviar dados de investigação de ação com 24 mortos

Vítimas de operação na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio de Janeiro, foram encaminhadas para hospital Getúlio Vargas - Jose Lucena/Estadão Conteúdo
Vítimas de operação na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio de Janeiro, foram encaminhadas para hospital Getúlio Vargas Imagem: Jose Lucena/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

24/05/2022 18h56Atualizada em 25/05/2022 10h34

O MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) abriu um procedimento para investigar as "circunstâncias" das mortes ocorridas durante operação conjunta nesta terça-feira (24) na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio. A ação teve a presença de agentes do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e da PRF (Polícia Rodoviária Federal). Pelo menos 24 pessoas morreram.

Segundo o MP, o comando do Bope deve enviar em até dez dias o "procedimento de averiguação sumária dos fatos ocorridos durante a operação". Nesse período, conforme a promotoria, todos os policiais militares envolvidos deverão ser ouvidos e o batalhão deve indicar os agentes responsáveis pelas mortes, além de esclarecer sobre a licitude de cada uma das ações letais.

"Quanto aos agentes federais envolvidos na ação, foi expedido ofício ao Ministério Público Federal [MPF] para ciência dos fatos e a adoção das medidas cabíveis", informou o MP.

Inicialmente, a Polícia Militar e o Hospital Estadual Getúlio Vargas informaram que 11 pessoas morreram. Mas, ao longo do dia, o número foi atualizado. Outras sete pessoas ficaram feridas. Entre os mortos, está Gabrielle Ferreira da Cunha, 41, atingida por um disparo dentro de casa.

Os primeiros tiros começaram na madrugada desta terça-feira. Ao longo do dia, houve outros tiroteios. Em entrevista, mais cedo, o comandante do Bope, Uirá do Nascimento Ferreira, disse que os agentes encontraram dificuldades para entrar na região e que os "criminosos responderam com muita violência".

O MP também requisitou ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil informações sobre os inquéritos policiais instaurados para apurar os fatos.

"A 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada também encaminhou ofício à Delegacia de Homicídios, recomendando que todas as armas dos policiais militares envolvidos na ação sejam apreendidas e enviadas para exame pericial, inclusive comparando com os projéteis que venham a ser retirados das vítimas", afirmou o MP.

Movimentação de criminosos

Mais cedo, o Ministério Público já havia dito que a ação policial ocorreu após movimentação de criminosos do CV (Comando Vermelho) da Vila Cruzeiro para a Rocinha, na zona sul.

Em coletiva, a Polícia Militar informou que constatou aumento de lideranças criminosas de outros estados em comunidades do Rio devido decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que limita as operações policiais em comunidades no estado, segundo o coronel Luiz Henrique Marinho.

Na mesma entrevista, a PM confirmou que a ação policial vinha sendo planejada há meses e teve o objetivo de impedir a movimentação de um grupo de criminosos para a Rocinha —indicada por órgãos de inteligência.

Apesar do planejamento, a "ação foi emergencial" e "não tinha como objetivo cumprir mandados de prisão", disse comandante do Bope, Uirá do Nascimento Ferreira. Ele afirmou que as forças de segurança foram recebidas por criminosos fortemente armados. "Área com muito barricada, tivemos dificuldade de avançar no terreno, todas as áreas foram bloqueadas com barricadas difíceis de serem retiradas. Os criminosos responderam com muita violência e foram neutralizados."

O ouvidor da Defensoria Pública criticou a operação e disse que "jamais seria tolerada em bairros nobres" do Rio. E o MPF já anunciou, à tarde, a abertura de uma investigação para apurar condutas e possíveis violações cometidas por policiais de forma individual.

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