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Sobe para 25 o número de mortos em operação policial na Vila Cruzeiro (RJ)

Vítimas de operação na Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio, foram encaminhadas para o Hospital Getúlio Vargas - Jose Lucena/Estadão Conteúdo
Vítimas de operação na Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio, foram encaminhadas para o Hospital Getúlio Vargas Imagem: Jose Lucena/Estadão Conteúdo

Henrique Sales Barros e Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, em São Paulo e no Rio de Janeiro

25/05/2022 08h33Atualizada em 27/05/2022 22h00

O número de mortos em decorrência de uma operação policial deflagrada ontem na comunidade da Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio de Janeiro, já chega a 25. Com isso, essa chacina já é considerada a segunda mais letal em apenas um ano de gestão do governador Cláudio Castro (PL), ficando atrás da ação na favela do Jacarezinho, com 28 óbitos.

Quatro pessoas feridas seguem hospitalizadas, sendo duas em estado grave. Uma quinta pessoa atendida no local foi transferida à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária.

O Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, confirmou 23 óbitos —21 pessoas que chegaram sem vida e duas foram atendidas, mas não resistiram.

Já a Polícia Militar confirmou a 24ª morte, de uma mulher de 41 anos, que estava em sua casa, enquanto o 25º óbito foi informado pela direção da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Alemão. Este último é um menor de idade, sem identificação, que foi levado para a unidade, mas já chegou sem vida. O corpo dele foi encaminhado para o IML.

Mapa Rio de Janeiro - Folhapress - Folhapress
Imagem: Folhapress

Vítimas atingidas em casa e escolas fechadas

Nas redes sociais, moradores da Vila Cruzeiro relataram tiroteios na região desde por volta das 4h (horário de Brasília) de ontem. Quase 20 escolas municipais situadas na comunidade não abriram as portas. Durante o dia, houve mais disparos.

A mulher de 41 anos que morreu é Gabrielle Ferreira da Cunha, que foi atingida por um tiro em sua casa, na Chatuba, favela vizinha à Vila Cruzeiro. Natan Werneck, 21, também foi baleado em meio à operação —ele chegou a pedir socorro por telefone após ser ferido, mas só foi resgatado seis horas depois, segundo advogados que chegaram a levá-lo a um hospital. Ele morreu a caminho da unidade.

O ouvidor da Defensoria Pública do RJ, Guilherme Pimentel, criticou a operação, dizendo que ações do gênero "jamais seriam toleradas em bairros nobres". Ainda ontem, o MPF (Ministério Público Federal) abriu um procedimento investigatório criminal para apurar condutas e possíveis violações cometidas por policiais na ação na Vila Cruzeiro.

O Ministério Público também abriu procedimento para investigar as "circunstâncias" das mortes e fixou prazo de dez dias para o comando do Bope enviar "procedimento de averiguação sumária dos fatos ocorridos durante a operação". O MP também disse que a ação policial foi autorizada após movimentação de criminosos do CV (Comando Vermelho) da Vila Cruzeiro para a Rocinha.

Já a Polícia Militar disse que constatou aumento de lideranças criminosas de outros estados em comunidades do Rio devido decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que limita as operações policiais em comunidades no estado, segundo o coronel Luiz Henrique Marinho. A PM salientou ainda que a ação policial vinha sendo planejada há meses e ocorreu para impedir a movimentação de um grupo de criminosos para a Rocinha, comunidade de São Conrado, zona sul da cidade.

A operação

A ação foi deflagrada pela Polícia Militar do RJ sob a justificativa de impedir o movimento de criminosos ligados ao grupo criminoso CV (Comando Vermelho) da Vila Cruzeiro para a Rocinha, na zona sul do Rio.

"Nesta madrugada, identificamos grande movimentação de elementos que controlam essa e outras localidades. Provavelmente essa movimentação seria para invasão a outra comunidade", disse coronel Luiz Henrique Marinho, em entrevista coletiva realizada ontem.

No entanto, a ação, embora planejada há meses, ocorreu em caráter "emergencial" e "não tinha como objetivo cumprir mandados de prisão", segundo o comandante do Bope, Uirá do Nascimento Ferreira.

A polícia estimou que cerca de 50 criminosos iriam se deslocar da Vila Cruzeiro para a Rocinha. Entre eles, estavam lideranças de outros estados, que têm migrado para o Rio nos últimos meses.

Segundo a PM, há um aumento no número de lideranças criminosas fora do estado em comunidades cariocas como decorrência de uma decisão judicial que limita as operações policiais no RJ, proferida pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Em um ano de gestão, o governo Cláudio Castro (PL) no RJ já acumula 182 mortes em 40 chacinas, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado e do Geni (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos), ligado à UFF (Universidade Federal Fluminense).

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