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Prefeito Crivella quer que desembargador do TRE-RJ seja declarado impedido

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos) - André Melo Andrade/Myphoto/Estadão Conteúdo
O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos) Imagem: André Melo Andrade/Myphoto/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

23/09/2020 21h48

O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) quer que um dos desembargadores do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) que votou pela inelegibilidade do prefeito da capital fluminense seja declarado impedido no julgamento, previsto para amanhã (24). O TRE havia formado maioria, mas o julgamento foi suspenso no início da semana depois do pedido de vista de um dos membros.

Crivella reclama que, além de juiz no TRE, Gustavo Alves Teixeira também é advogado da Lamsa, concessionária que administrava a Linha Amarela, uma das principais vias expressas do Rio. Crivella e Lamsa travam batalha pela administração da linha. Na semana passada, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) devolveu a concessão da via ao município. A Lamsa recorreu à Justiça.

Em entrevista à TV Record, Crivella reclamou publicamente da participação do desembargador do TRE-RJ no julgamento. "O advogado da Lamsa, que assumiu essa vaga no TRE do Rio de Janeiro, havia se julgado impedido. E, no último momento, durante o julgamento, ele se julgou desimpedido e votou pela condenação do prefeito. Nesse momento, a nossa defesa ficou cerceada porque foi uma decisão surpreendente, no último momento", disse Crivella, na tarde de hoje.

"A gente ainda não entrou com esse pedido (para suspender o julgamento), mas nós estamos fazendo esse apelo [ao presidente do TRE], via imprensa. Hoje eu digo a vocês: se eu tenho adversário político é a Lamsa. Quem mais quer que eu perca a eleição é a Lamsa. Então essas pessoas estão inconformadas e querem que eu perca [a eleição]", acrescentou.

O TRE-RJ formou maioria nesta semana para condenar o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, por abuso de poder político e conduta vedada, ficando inelegível por oito anos. Falta apenas um voto para que o julgamento seja concluído, e Crivella perde até aqui por seis votos a zero.

O órgão entendeu que o prefeito usou a máquina pública do município para favorecer a candidatura de seu filho Marcelo Hodge Crivella a deputado federal em 2018, assim como a de Alessandro Duarte, que tentava se eleger deputado estadual.

Veículos e funcionários da Comlurb, companhia de limpeza urbana do Rio, foram usados para levar servidores públicos para um evento de campanha dos dois candidatos na quadra da escola de samba Estácio de Sá, na região central do Rio, em julho de 2018. Crivella participou do evento.

Uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara dos Vereadores do Rio constatou, através de depoimentos de funcionários e gerentes da Comlurb, que o comando da empresa induziu os funcionários ao erro, afirmando que o evento se tratava de uma reunião com o prefeito para tratar de assuntos de interesse da companhia.