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Qual a estratégia de Russomanno para mudar a história e passar ao 2º turno

Celso Russomanno (Republicanos), candidato à Prefeitura de São Paulo nas eleições 2020 - Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo
Celso Russomanno (Republicanos), candidato à Prefeitura de São Paulo nas eleições 2020 Imagem: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

09/10/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Russomanno lidera nas pesquisas entre evangélicos, pardos e eleitores com até dois salários mínimos
  • Antes de buscar votos em outros segmentos da população, a estratégia prevê garantir estes votos
  • O apoio do presidente Jair Bolsonaro é considerado fundamental para avançar ao segundo turno
  • É a primeira vez que o candidato tem um parceiro com envergadura nacional e a intenção é demonstrar alinhamento
  • Também estão previstas respostas pontuais por meio de vídeos nas redes sociais a cada ataque sofrido

Apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), resposta a ataques de adversários e foco em eleitores da periferia formam a estratégia de Celso Russomanno (Republicanos) nesta eleição. A aposta da campanha é que, com esta combinação, acaba o histórico do candidato que larga na liderança das pesquisas e termina fora do segundo turno da disputa para prefeito de São Paulo, avalia o marqueteiro Elsinho Mouco.

Um dos pilares da campanha será cuidar da fatia da população que começa a corrida eleitoral com intenção de votar em Russomanno. Ainda na saída do debate da TV Bandeirantes, na semana passada, Elsinho contava que não pode acontecer como nas outras eleições, quando este eleitor escapava.

A pesquisa Datafolha de ontem mostra que o grosso do apoio a Russomanno vem por liderar a intenção de votos em alguns segmentos. Ele está na frente entre pessoas que ganham até dois salários mínimos (34%), evangélicos (39%), quem tem somente Ensino Fundamental (36%) e pardos (32%). Antes de buscar melhores resultados em outro perfil da população, a intenção é cristalizar estes votos.

Para isso, a campanha pretende focar nas periferias. No debate da TV Bandeirantes, Russomanno declarou algumas vezes que vai "cuidar de quem mais precisa". O jingle, que tem ritmo gospel, fala em "defensor do povo". O planejamento é transmitir preocupação com quem mora fora do centro expandido de São Paulo.

"Queremos subir nas camadas mais baixas. Vamos sofrer ataques das camadas mais altas. Vamos crescer na periferia e receber ataques do Jardim Europa, do Jardim Paulista. Nós vamos crescer do Jardim Brasil, do Jardim Ângela para o centro", detalhou Elsinho.

Pastel - ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO - ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Russomanno vai tentar cristalizar voto da periferia antes de avançar sobre outros eleitorados
Imagem: ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Todo ataque será respondido

Antes mesmo de a campanha começar, Russomanno subiu vídeo no YouTube se queixando de ataques. O candidato, assim como o prefeito Bruno Covas (PSDB), foi alvo dos adversários no debate, o único ocorrido até agora. O marqueteiro diz que qualquer sinal de agressividade de concorrentes terá resposta.

Ela será por meio de vídeo e publicada na internet. A resposta vai ser pontual e dirigida ao conteúdo específico do que for usado para tentar desgastar Russomanno.

Entre as acusações feitas contra o candidato até o momento há suspeita de figurar na lista da Odebrecht, um suposto esquema de pirâmide financeira que o genro estaria envolvido, pertencer ao toma lá, dá cá do centrão e apoio manifestado no passado a Dilma, Lula e Michel Temer. Fotos circulam nas redes sociais com diferentes personagens políticos para sugerir que ele não tem identidade politica.

Russomanno apoiou a chapa Dilma Rousseff e Michel Temer na eleição presidencial de 2010 - Reprodução Twitter - Reprodução Twitter
Russomanno apoiou a chapa Dilma Rousseff e Michel Temer na eleição presidencial de 2010
Imagem: Reprodução Twitter

Apoio de Bolsonaro é considerado essencial

O jingle da campanha de Russomanno escancara o apoio do presidente Bolsonaro porque ele é considerado fundamental para as pretensões eleitorais e também por ser a primeira vez em que o deputado concorre com o endosso de um nome de peso da política nacional. Mas haverá cuidado na apresentação desta parceria. Bolsonaro vai aparecer como alguém que está ombro a ombro com o candidato.

A mensagem a ser transmitida é de um alinhamento que trará benefícios para cidade, e não submissão a um tutor político. Elsinho afirma que não há preocupações com rejeição ao presidente - as pesquisas mostram que a maioria dos paulistanos não votaria em um candidato apoiado por ele. "Não temos problema nenhum em mostrar o Jair [Bolsonaro]. Assumimos no jingle da campanha."

Einstein - Divulgação - Divulgação
Russomanno posa para foto ao lado do presidente no hospital Albert Einstein
Imagem: Divulgação

O marqueteiro responde que ainda não está acertada uma participação de Bolsonaro na campanha ou gravação para a propaganda política do rádio e televisão. Mesmo sem a garantia da presença do presidente, Elsinho avalia que esta é uma campanha de candidatos com padrinhos políticos.

O raciocínio é que Bruno Covas concorre a reeleição com apoio do governador João Doria (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) conta com aval do ex-presidente Lula (PT).

Elsinho afirma que a ex-prefeita Luiza Erundina, candidata a vice pelo PSOL, é usada como biombo, mas que o verdadeiro padrinho é Lula e isto ficará claro ao longo da corrida eleitoral.