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Alvos de ataques, Covas e Russomanno recorrem ao antipetismo em 1º debate

Ana Carla Bermúdez e Vitor Pamplona*

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em São Paulo

02/10/2020 00h47Atualizada em 02/10/2020 08h56

O primeiro debate entre os candidatos a prefeito de São Paulo, que reuniu 11 dos 14 nomes na corrida pela prefeitura da capital, foi marcado por ataques ao prefeito Bruno Covas (PSDB), ao deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) e ao PT, do ex-prefeito Fernando Haddad, que há quase quatro anos não administra a cidade.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), por outro lado, foi poupado dos ataques realizados pelos candidatos, à exceção daqueles de partidos mais à esquerda, como Guilherme Boulos (PSOL) e Orlando Silva (PCdoB).

Líder nas pesquisas, Russomanno buscou se associar à imagem do presidente. Disse que é o único candidato "amigo" de Bolsonaro e defendeu as medidas tomadas pelo governo federal no combate aos efeitos da pandemia da covid-19, como o auxílio emergencial.

O debate foi promovido pela Band e retransmitido pelo UOL. O UOL Confere também verificou momentos em que os candidatos fizeram afirmações falsas, verdadeiras ou imprecisas. Veja, abaixo, os principais destaques do encontro:

Mira em Covas e Russomanno

Líderes nas pesquisas de intenção de voto, Covas e Russomanno foram os principais alvos dos rivais na disputa pela prefeitura.

Pesquisa Datafolha divulgada no dia 24 de setembro mostra Russomanno à frente, com 29% das intenções de voto. Em seguida, vem o atual prefeito, com 20%.

Matarazzo afirmou que o prefeito Bruno Covas abandonou seu mandato de deputado federal e recebeu a prefeitura "de herança do João Doria, que abandonou a prefeitura para ser governador". Covas, por sua vez, disse lamentar que "uma pessoa tão inteligente" como Matarazzo "tenha se tornado tão amargo graças às derrotas que acumulou ao longo dos últimos anos".

Em outro embate direto, Tatto e Covas trocaram acusações envolvendo o programa Leve Leite e o orçamento da cidade de São Paulo. Ao ser questionado pelo candidato do PT sobre o porquê da "maldade de tirar o Leve Leite das crianças", o prefeito respondeu dizendo que precisou reorganizar o programa "para passar para as crianças que ainda aguardam na fila da creche da cidade de SP".

"Fila essa que o PT gosta tanto, porque deixou 60 mil crianças aguardando vaga em creche", declarou. A afirmação, segundo verificou o UOL Confere, é verdadeira: a fila para as creches era de 65.040 vagas quando o PT deixou o governo, em 2016.

Tatto, então, disse que Doria e Covas, quando assumiram a prefeitura, queriam dar "ração, farináceos" para as crianças. "O que vocês deixaram foi um grande rombo nas contas municipais", rebateu o tucano. Desta vez, a afirmação de Covas foi falsa. De acordo com as contas do município, a gestão de Haddad deixou R$ 3,15 bilhões em caixa.

Já no confronto direto entre Joice Hasselmann e Celso Russomanno, a deputada federal acusou o rival de ter recebido doação ilegal da Odebrecht, segundo as investigações da operação Lava Jato. Russomanno se defendeu afirmando que tem 30 anos de defesa do consumidor e disse que, para isso, sai às ruas e dá a cara a tapa. "Você nunca foi às ruas de São Paulo, seu título de eleitor foi transferido recentemente para cá", disse.

O candidato do Republicanos também foi alvo de ataques por Arthur do Val (Patriotas), que se dirigiu a Russomanno dizendo que ele teria o dom de estar ao lado de políticos de diferentes ideologias, desde a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) até o governador João Doria.

"Digo a você que tenho história na política", respondeu Russomanno, que disse ainda defender as pessoas em causas difusas, como problemas envolvendo acidentes de botijão de gás e também internet ilimitada.

Embate entre os líderes nas pesquisas

Já em um dos poucos confrontos diretos entres os líderes nas pesquisas, o prefeito Bruno Covas perguntou quais as propostas do deputado federal Celso Russomanno para as áreas de saúde e educação pós-pandemia.

Russomanno partiu para o ataque: "Em primeiro lugar, a covid está sendo tratada, mas as outras doenças estão esquecidas. As pessoas reclamam que não conseguem fazer cirurgias eletivas, fazer exames ou consultar especialistas e eu vou trabalhar especialmente nisso", declarou o candidato do Republicanos.

Covas disse que pretende focar na prevenção da covid-19, ampliar hospitais e entregar 500 mil tablets para todos os alunos da rede municipal. "Bruno, você fala de entregar tablets sem internet. Como é isso?", provocou Russomanno, que prometeu "conversar com companhias de telefonia" e entregar tablets com acesso à internet.

Cracolândia e a 'Bolsa Crack'

Ao falar sobre o que faria para enfrentar o problema do consumo e venda de drogas no centro de São Paulo, na região conhecida como Cracolândia, Jilmar Tatto afirmou que voltaria com o programa De Braços Abertos, criado na gestão do ex-prefeito Fernando Haddad.

O candidato ainda associou Covas ao também ex-prefeito e hoje governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e disse que os tucanos passaram a usar da "violência" contra os dependentes químicos na capital paulista.

Já Joice e Covas apontaram suas miras contra medidas adotadas pelo PT. O prefeito declarou que quem tem dependentes químicos em casa "sabe o tamanho do desafio". E afirmou: "Acabamos mesmo com a Bolsa Crack do PT".

A candidata do PSL, por sua vez, afirmou que, quando se fala em dependentes químicos que "não respondem mais por si", é preciso recorrer à internação compulsória. "Isso só será feito com muita coragem, coragem para enfrentar inclusive esse pessoal que apoia o Bolsa Crack", disse.

O amigo de Bolsonaro

Russomanno, que até o momento aparece à frente nas pesquisas, fez elogios e buscou se associar à imagem de Jair Bolsonaro. O candidato disse ser o único com "amizade" com o presidente e, por isso, também declarou ser capaz de trazer recursos para a cidade.

"Criei o auxílio paulistano porque, no meu último encontro com o presidente Bolsonaro , pegou no meu braço e disse: Celso, cuide de São Paulo. Sou o único candidato com amizade com presidente a fim de trazer esses recursos para cá", disse ele.

As poucas críticas ao nome do presidente vieram de Boulos e Silva, candidatos de partidos ligados à esquerda. Ao afirmar que Russomanno é amigo de Bolsonaro, o psolista afirmou que o presidente, na verdade, foi contra a criação do auxílio emergencial.

Já o candidato do PCdoB, ao se dirigir a Russomanno, disse que recursos públicos não podem ser tratados como "dinheiro do [Fabrício] Queiroz, de rachadinha". "Celso, você quer trazer esse governo para São Paulo?", perguntou.

"Se você tem problemas com Bolsonaro, deve levar isso para 2022", respondeu Russomanno, que, mesmo assim, defendeu o presidente e disse as medidas tomadas por ele são corretas.

Menções ao Google e sites dos candidatos

Em diferentes oportunidades, os candidatos tentaram driblar o curto tempo de exposição no debate para impulsionar conteúdos na internet.

Marina Helou não respondeu a primeira pergunta feita a ela e pediu para que os eleitores visitassem o seu site para conhecê-la melhor.

"Adorei que a Band deu a você o poder de escolher essa pergunta, mas todos os 17 temas são muito importantes. Por isso, gravei um vídeo contando minha ideia de como vou fazer diferente em cada um deles, inclusive em geração de trabalho e renda, que estou postando agora em minhas redes sociais e em meu site", disse.

Mais à frente, Joice também recorreu à mesma tática. "As informações estão no Google, basta um Google e todos verão", disse.

Já Boulos pediu para que os eleitores fossem ao Google após ser acusado de disseminar notícias falsas por Márcio França. "Ninguém precisa acreditar em mim, vai, digita no Google, digita Márcio França mais feminicídio e vocês vão ter as matérias que ele acabou de dizer que é fake news", afirmou o candidato do PSOL.

Até mesmo Celso Russomanno indicou seu canal no YouTube como fonte de "mais de 1.200 reportagens" sobre como ajudar as pessoas mais vulneráveis. "Eu sei ajudar os mais carentes e vamos trazer auxílio para essas pessoas", disse.

*Colaborou Felipe Oliveira.