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Análise: "Copia e cola" de Joice avisa: se sair pancadaria, vai vir daqui

Joice Hasselmann em entrevista ao Pânico - Reprodução
Joice Hasselmann em entrevista ao Pânico Imagem: Reprodução

Matheus Pichonelli

Colunista do UOL

09/10/2020 14h59

Quem deixou a TV ligada enquanto preparava o almoço nesta sexta-feira 9 provavelmente tomou um susto ao saber que, sim, tem uma campanha eleitoral em rolando e ela já está em campo.

No clima pandêmico, sem atos de rua, passagens por placas ou buzinaço nas esquinas de casa como em outros tempos, muita gente não se ligou que daqui a alguns dias elegerá os próximos vereadores e prefeito de sua cidade.

Em São Paulo, o jogo começou truncado, com os dois candidatos favoritos, Celso Russomanno (Republicanos) e Bruno Covas (PSDB), trocando bola na defesa e estudando o adversário antes de partir para o ataque.

Russomanno é o candidato de Jair Bolsonaro na capital paulista, mas quase não dá para perceber. Embora tenha trazido Jair Bolsonaro para a conversa, falta ao CR10, como ele se intitula, a postura incendiária, os talquêis e as bandeiras contra o comunismo e o politicamente correto. Ao menos por enquanto. Russomanno até agora é um candidato do bolsonarismo que sabe se comportar à mesa.

Covas largou agradecendo a população paulistana pelos esforços contra o coronavírus, tema também da estreia de Márcio França (PSB). Jogada arriscada em um dos epicentros da pandemia, mas nem tinha como ser diferente.

Ao menos na estreia, nada na propaganda eleitoral parecia convencer alguém a mudar o voto ou a se encantar com os candidatos em disputa.

Jilmar Tatto (PT), por exemplo, preferiu se apresentar ao eleitor como o candidato do ex-presidente Lula na disputa, num tom esquerda festiva, típica do início dos anos 2000.

Novidade mesmo, embora até isso já esperado, foi a estratégia de Joice Hasselmann de trazer para a campanha na TV a linguagem das redes, uma linguagem moleque, uma linguagem que chama os rivais pra dança com direito a caneladas.

Joice mirou na esquerda e em Bruno Covas. Justo ela, que há dois anos articulou o voto BolsoDoria.

Nos spots, ela fez um copia e cola (sem trocadilhos) de propagandas de recall para mostrar que o eleitor deveria trocar o produto eleitoral. Falava baixo, para "não acordar o prefeito que sonha estar trabalhando" e questionando se não era hora de eleger alguém que realmente quer governar a cidade. Era uma lembrança à debandada dos últimos candidatos tucanos eleitos na capital paulista, José Serra e João Doria, que deixaram o posto para disputar o governo do estado com vistas à eleição presidencial.

Na propaganda, se pintou para a guerra incorporando a linguagem dos memes e das figuras da cultura pop, da Peppa a Kill Bill, numa fala rápida que talvez o eleitor conservador tenha dificuldade para captar.

Goste-se ou não, foi a única candidata que botou o dedo na ferida mais exposta do adversário com quem disputa um lugar ao menos no segundo turno. Se tiver pancadaria, é dali que vai sair.