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Tropas federais vão reforçar segurança em 346 cidades no 1º turno

Candidatos a prefeito e vereador têm sido assassinados e sofrido atentados Brasil afora - Herculano Barreto Filho/UOL
Candidatos a prefeito e vereador têm sido assassinados e sofrido atentados Brasil afora Imagem: Herculano Barreto Filho/UOL

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

10/11/2020 04h00Atualizada em 10/11/2020 09h20

Pelo menos 346 cidades em oito estados terão segurança no primeiro turno das eleições reforçada por tropas federais, compostas sobretudo por homens das Forças Armadas. É o que mostram dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e do Ministério da Justiça..

Nestes oito estados, votam 25 milhões de pessoas, ou 17% do eleitorado brasileiro. A maioria das cidades está localizada no Nordeste e no Norte do país, com destaque para o Rio Grande do Norte, com 114 municípios, Maranhão, com 98, e Pará, com 72. A Força Nacional de Segurança Pública estará presente em apenas uma cidade: Caucaia (CE), onde um candidato a vereador foi assassinado em outubro.

Duas capitais estão na lista de cidades com reforço federal: São Luís (MA), com 699 mil eleitores, e Rio Branco (AC), com 256 mil. O número de homens que serão enviados aos municípios não foi informado.

A quantidade de locais com proteção extra pode ser maior. A Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, que costumam apoiar a segurança nas eleições, não responderam os pedidos de esclarecimentos do UOL.

Desde o início da campanha eleitoral, houve incidentes em várias cidades do Brasil. A cada três dias, um candidato foi morto no país desde de 17 de setembro. Foram assassinados 14 políticos disputando uma cadeira de vereador e um pleiteando o cargo de prefeito nesse período. Eles atuavam em 12 estados.

No Pará, o procurador regional eleitoral Felipe Palha afirma que o estado tem histórico de conflitos eleitorais e que, neste ano, também houve ameaças a juízes eleitorais.

Em 7 de outubro, Adriano Magalhães (SD), candidato a prefeito em Dom Eliseu (PA), foi morto com tiros na cabeça enquanto jantava numa barraca. Um carro parou e um homem deu vários tiros de dentro do veículo.

Em 15 de outubro, o candidato a prefeito de Parauapebas Júlio César (PRTB) fez uma reunião na zona rural da região. Ao voltar, seu carro foi abordado por outro veículo com três homens encapuzados. Eles atiraram e atingiram o peito o político no peito —César sobreviveu.

"Diante da grande quantidade de atentados contra candidatos, pedimos que fosse investigado se há relação desses crimes com as candidaturas", disse Palha ao UOL. "Ou seja, se esses fatos são atentados à democracia."

No Rio Grande de Norte, o candidato a prefeito de Pedro Velho, Júnior Balada (DEM), foi alvo de um atentado em 5 de outubro. Ele participava de uma caminhada. Segundo a rádio 98 FM, de Natal, dois homens tentaram esfaquear Balada, mas o segurança do político reagiu, atirando na dupla. O segurança acabou ferido. Já os dois autores do atentado, que seriam primos de um vereador de outro partido político de acordo com a rádio, morreram no local.

Pedro Velho não receberá reforço de tropas federais. Mas o presidente do TRE-RN, desembargador Gilson Barbosa, afirmou que está sendo feito esforço para manter garantir a segurança na eleição. "Este tribunal realiza reuniões diretamente com os órgãos de segurança municipais, estaduais e federais para garantia de um pleito com êxito e segurança", disse ele, em nota ao UOL.

Nas eleições de 2018, 97 municípios potiguares tiveram reforço na segurança. Em 2016, foram 121. "Historicamente, o Rio Grande do Norte vem recebendo um quantitativo elevado de tropas federais, como se percebe nos anos anteriores", disse Barbosa.

Em Caucaia, segundo maior colégio eleitoral do Ceará, a Força Nacional atuará em apoio à Polícia Federal até 1º de dezembro. Em 26 de outubro, o candidato a vereador Evangelista Jesus, 51 anos, foi encontrado morto dentro de casa. O corpo apresentava sinais de esfaqueamento.

Tribunal recebeu mais de 500 pedidos de proteção

O TSE recebeu 545 pedidos de reforço na segurança de tribunais regionais eleitorais — número menor do que solicitados em 2018 e em 2016— e não aprovou todos. O tribunal vai gastar R$ 40 milhões com o apoio das Forças Armadas nas eleições.

Segundo o TSE, para um município receber apoio de tropas federais, é preciso demonstrar a existência dos riscos, apontando fatos que "revelem o receio de perturbação das atividades eleitorais".

O presidente do tribunal, ministro Luís Roberto Barroso, afirmou em comunicado que o objetivo é "garantir o livre exercício do voto, bem como a normalidade da votação" nos locais aprovados pelo plenário.

Ficou justificado o uso das tropas federais nas localidades indicadas pelos TREs, em razão dos históricos de conflito em pleitos anteriores, reduzido efetivo da Polícia Militar, necessidade de assegurar a integridade física e dos cartórios eleitorais, além da distância e acesso dificultoso entre as localidades"
Roberto Barroso, presidente do TSE

A operações são chamadas de Garantia da Votação e Apuração (GVA) dentro do Ministério da Defesa. A assessoria a pasta explicou que "a missão dos militares na GVA, em parceria com os órgãos de segurança pública, é proporcionar tranquilidade para que o cidadão exerça o seu direito de voto, nas zonas eleitorais e nas seções eleitorais".

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