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Covas adotou "discurso do bolsonarismo, do ódio", diz Boulos

15.nov.2020 - Boulos voltou a criticar a fala de seu adversário no segundo turno, Bruno Covas (PSDB), que o qualificou como radical - Reinaldo Canato/UOL
15.nov.2020 - Boulos voltou a criticar a fala de seu adversário no segundo turno, Bruno Covas (PSDB), que o qualificou como radical Imagem: Reinaldo Canato/UOL

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

16/11/2020 12h46Atualizada em 16/11/2020 12h58

Candidato do PSOL a prefeito de São Paulo, Guilherme Boulos, voltou a criticar a fala de seu adversário no segundo turno, Bruno Covas (PSDB), que o qualificou como radical.

"Esse discurso de me chamar de extremista, de radical é o discurso do bolsonarismo, é o discurso do ódio", disse Boulos hoje. "Que o Bruno Covas tenha aderido a isso por conveniência eleitoral só o diminui."

Para o candidato do PSOL, Covas "vai mudando seu discurso de acordo com os ventos para tentar ganhar voto".

Ele quer o voto bolsonarista e quer me atacar a partir disso. É triste ver o Bruno Covas cair nessa cilada
Guilherme Boulos, candidato do PSOL a prefeito de São Paulo

No final da manhã de hoje, Boulos esteve no campo do Morro da Lua, espaço no Campo Limpo, na zona sul, onde realizou a convenção que lançou sua candidatura em setembro passado. No local, foi saudado por apoiadores e tomou café com eles.

"Projeto do Doria"

Em sua fala, Boulos já indicou que sua aposta para o segundo turno deverá ser a de reforçar o elo entre Covas e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que tem sido figura ausente na campanha do tucano e que, segundo pesquisa do Datafolha, não é um bom cabo eleitoral. E também sobre as suspeitas de envolvimento do vice na chapa de Covas, o vereador Ricardo Nunes (MDB), na "máfia das creches".

"O Bruno Covas representa um projeto político que não é dele, é o projeto do João Doria, que foi eleito há quatro anos e abandonou a prefeitura [para ser governador]", disse Boulos.

Boulos reforça que o resultado das urnas mostrou que sete em cada dez votos válidos para prefeito não foram para Covas, o que, na sua visão, sinalizaria um desejo de "mudança" pela população. "E é com esse eleitorado que eu quero dialogar, independentemente de ter votado ou não em mim no primeiro turno, para concretizar essa mudança no dia 29".

"Frente por justiça social"

Boulos evitou falar em apoios para a disputa de segundo turno. Ele disse esperar construir uma frente em defesa da justiça social, da democracia e do combate à desigualdade".

Boulos disse esperar contar com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) , "mas muitas outras lideranças que tenham compromisso com o projeto que a gente está apresentando para São Paulo". O candidato disse que ainda não conversou com o petista.

As tratativas em busca de apoio deverão ser conduzidas por Boulos e pelo presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros. "Vamos construir uma frente, mas eu tenho muita confiança que a onda da virada já está, sim, acontecendo."