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Com menos seguidores que Boulos, Covas gasta o dobro em impulsionamento

Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), adversários no segundo turno das eleições em São Paulo - Antônio Molina/Zimel Press/Estadão Conteúdo e Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo
Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), adversários no segundo turno das eleições em São Paulo Imagem: Antônio Molina/Zimel Press/Estadão Conteúdo e Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

25/11/2020 04h00

Candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB) gastou bem mais do que o adversário Guilherme Boulos (PSOL) com impulsionamento nas redes sociais.

Enquanto o prefeito desembolsou R$ 230 mil com o patrocínio de postagens no Facebook e no Instagram ao longo do primeiro turno, a campanha do psolista pagou metade disso: R$ 110 mil. Contudo, os resultados foram melhores para Boulos.

Os números são de um levantamento do Movimento Transparência Partidária feito em parceria com a agência de dados Volt Data Lab.

Valeu a pena?

Apesar dos maiores investimentos do PSDB, Boulos —popular nas redes antes da eleição— ganhou proporcionalmente mais seguidores do que Covas no período de 27 de setembro a 15 de novembro.

De acordo com a agência de dados Torabit, enquanto Covas aumentou em 4,4% o número de seguidores no Facebook e em 7,35% no Instagram, Boulos avançou 7,35% e 18,7%, respectivamente.

Covas ganhou 18.272 seguidores nas duas redes. Boulos recebeu a adesão de 264.832 pessoas no período. Hoje, faltando quatro dias para o segundo turno, o prefeito conta com 319.527 seguidores nas duas redes sociais, enquanto Boulos conta com 2,3 milhões de adeptos.

Por que Covas cresceu pouco?

"O impulsionamento alavanca melhor os candidatos que já têm presença nas redes sociais há mais tempo", afirmou ao UOL Marco Iten, especialista em marketing político e redes sociais. "O patrocínio de post não tem muita força de voto se o candidato não tem vida política em uma rede social maturada."

Esse pode ter sido problema enfrentado por Covas, que praticamente abandonou suas redes às vésperas da eleição. Ele só retomou as postagens no decorrer da campanha.

O perfil de seu eleitor também conta, diz o especialista. Enquanto o prefeito é favorito entre quem tem mais de 60 anos (73% dos votos válidos), Boulos é mais citado entre eleitores de 16 a 24 anos (65%), segundo a última pesquisa Datafolha.

"O eleitor do Boulos usa muito mais a internet, enquanto o do Covas está em uma faixa de idade superior, com menos uso das redes, principalmente do Instagram", analisa Iten. "É por isso que, mesmo gastando mais, Covas não teve grande aproveitamento das postagens."

Ele diz, no entanto, que Covas fez bem em investir em impulsionamentos. "Eu me assustei com o valor baixo de investimentos nessas mídias, principalmente em uma cidade como São Paulo, com toda essa concentração eleitoral e quantidade de indecisos", disse.

O investimento de ambos é muito baixo, ainda mais com menos gente nas ruas na pandemia. Esse valor não corresponde em nada ao necessário para se ter uma grande abrangência nas redes.
Marcos Iten, especialista em marketing político e redes sociais

O UOL procurou as campanhas dos candidatos para comentar os números, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.

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