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Existem dezenas de "gabinetes do ódio" disseminado fake news, diz Manuela

Do UOL, em São Paulo

03/12/2020 11h20Atualizada em 04/12/2020 14h28

Com uma campanha marcada por batalhas judiciais contra notícias falsas, a ex-deputada federal Manuela D'Ávila (PCdoB) voltou a criticar hoje a rede de fake news da qual foi alvo durante a disputa pela Prefeitura de Porto Alegre. Em entrevista ao UOL, Manuela afirmou que existem "vários gabinetes do ódio" divulgando conteúdos falsos sobre ela na internet.

"Nós derrubamos mais de 600 mil fake news numa cidade com 1,5 milhão de habitantes. Elas estavam sob controle da estrutura articulada pelo gabinete do ódio, pelos gabinetes do ódio. Acho importante que a gente passe a se referir no plural porque nunca houve só um gabinete a destilar e construir redes de ódio na internet, são dezenas deles", afirmou ao participar do UOL Entrevista, conduzido pela colunista do UOL Carolina Trevisan e pelo jornalista Hygino Vasconcellos.

O "gabinete do ódio" seria uma estrutura organizada para desferir ataques ofensivos a autoridades, figuras públicas e instituições, com objetivo de minar as reputações dos alvos na internet. O setor, que teria origem dentro do Palácio do Planalto, é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por meio do chamado "inquérito das fake news".

"Talvez a [fake news] que tenha mais me magoado e machucado seja o conjunto de notícias falsas relacionadas à minha fé, porque fizeram com que eu tivesse muito mais dificuldade de estar nos espaços de minha religião, que é a Igreja Católica. Mas não significa que tenha sido a mais perigosa. Inventar um envolvimento meu com a facada do Bolsonaro coloca minha vida em risco permanentemente, e essa é uma das que jamais deixou de circular. Grande parte do debate que fizemos no primeiro turno foi falar a verdade sobre mim", completou.

Durante a campanha, Manuela entrou na Justiça e conseguiu retirar do ar ao menos 91 links contendo mentiras ao seu respeito, além de mais 70 mil compartilhamentos de notícias falsas no Facebook e Twitter. Segundo ela, boa parte dos conteúdos falsos eram relacionados à sua condição de mulher.

Manuela foi derrotada no segundo turno pelo adversário Sebastião Melo (MDB). Foi a terceira vez que a ex-deputada tentou ganhar a prefeitura de Porto Alegre.

"Resultado de 2020 é extraordinário"

Manuela analisou que, em comparação com o pleito de 2018, as eleições de 2020 apontaram um resultado "extraordinário" da esquerda no Brasil.

"Em 2018, o bolsonarismo venceu com um conjunto de valores e com métodos que fizeram com que a sociedade vivesse um movimento antipetista, anticomunista, tudo junto. O bolsonarismo se constrói fortemente na sociedade tentando desconstruir quem somos e defendemos. Então, em 2020 o resultado que temos, na minha interpretação, é extraordinário diante da derrota que tivemos em 2018", disse.

Como exemplo de triunfo, a ex-deputada lembrou o desempenho de candidatos de esquerda nas eleições em algumas capitais importantes do país.

"Vermos a nossa força que tivemos em cidades como Porto Alegre e São Paulo, a vitória em Belém, a disputa em Vitória, enfim, estou trazendo algumas capitais em que chegamos ao segundo turno e fomos derrotados depois de uma eleição como a que foi em 2018. Realmente acho que a gente precisa se lembrar do que pensou em 2018 para avaliar 2020", concluiu.