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Ayres Britto sobre fala de Bolsonaro: 'Nossa Constituição foi estapeada'

Colaboração para o UOL

07/09/2022 13h01Atualizada em 07/09/2022 13h33

O presidente Jair Bolsonaro aproveitou o seu discurso neste 7 de Setembro para mais uma vez atacar a democracia e o sistema democrático, transformando a comemoração em oportunidade de palanque político, na análise do ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Carlos Ayres Britto, em entrevista a Fabíola Cidral e ao colunista Josias de Souza, no UOL News.

Na opinião do jurista, o discurso de Bolsonaro e até mesmo o da primeira-dama, Michelle, ferem a Constituição.

"A nossa Constituição resultou estapeada nesse discurso. Quem elaborou a Constituição não foi um governo, foi a nação brasileira. Não há chefe da nação. A nação é que é chefe de todo mundo", afirmou Ayres Britto.

O ex-ministro concordou com o jornalista Josias de Souza, que chamou a atenção da exposição pública recebida por Bolsonaro, com relação à exposição que os demais candidatos não tiveram neste 7 de setembro. O colunista do UOL disse que não havia sido respeitada a "paridade de armas" entre os candidatos e que Bolsonaro estaria se aproveitando da mídia e da cobertura do 7 de setembro para se promover eleitoralmente.

Ayres Britto: Há indício de apropriação para fins eleitorais

"Há indícios de que o presidente se apropriou do 7 de setembro para fins eleitorais".

"Ele falou do dia 2 de outubro ao final do discurso. 'Até a vitória', ele afirmou. O que configura um pedido de voto. Não se pode tapar o sol com a peneira. O princípio da 'paridade de armas' eu prefiro chamar de correlação de forças. O TSE vai ter que apreciar e usar de isenção, de tecnicidade no equacionamento jurídico desse caso. Comprovar se configura um ilícito eleitoral".

Para o ex-ministro, Bolsonaro sabe o que está fazendo. E cita frases dos escritores William Shakespeare e Bertold Brecht para ilustrar o comportamento do presidente: "Em Hamlet, Shakespeare diz: 'Há muito método nessa loucura'. Já Brecht escreveu certa vez: 'Há quem prepare cuidadosamente o seu próximo erro'. No caso do presidente, esse erro é atentar contra a Constituição".

Ayres Britto cita também o discurso da primeira-dama , Michelle, para ilustrar a afronta à Constituição. "No artigo 19, a constituição proibe aliança com religiao. Princípio da laicidade. O discurso da primeira-dama foi um discurso confessional. É preciso que o Tribunal Superior Eleitoral analise com bastante critério tudo isso".

O UOL News especial reuniu análises e entrevistas sobre os atos de 7 de Setembro. Assista à íntegra: