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Lula sobre homem que negou marmita a eleitora do PT: 'Cena grotesca'

Gleisi Hofman, Marina Silva, Lula e Geraldo Alckmin em entrevista coletiva - Lucas Borges/UOL
Gleisi Hofman, Marina Silva, Lula e Geraldo Alckmin em entrevista coletiva Imagem: Lucas Borges/UOL

Do UOL, em São Paulo

12/09/2022 15h23Atualizada em 12/09/2022 15h27

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou hoje sobre o caso de um homem que gravou um vídeo dizendo a uma mulher pobre que ela não receberia mais marmita por ser eleitora do petista. Durante coletiva de imprensa junto à ex-ministra e candidata a deputada federal por São Paulo Marina Silva (Rede), Lula disse que cena foi "grotesca, vergonhosa e humilhante".

"Vocês viram a cena grotesca, vergonhosa e humilhante do comportamento de um reacionário bolsonarista entregando uma cesta básica para uma companheira que necessitava do alimento e teve a pachorra de perguntar em quem ela ia votar. E quando ela disse que ia votar no Lula, ele fez insinuações para os amigos dele, dizendo que ela não merecia mais cesta básica e ainda a mandou pedir para mim", disse.

Apoiador de Jair Bolsonaro (PL), o empresário Cassio Joel Cenali gritou o nome do presidente antes de gravar o vídeo, segundo a mulher que recebeu a marmita. Depois de dizer que é da campanha de Bolsonaro, ele pergunta em quem ela vai votar. Quando ela se revela eleitora do petista, o homem diz, olhando para a câmera:

"Ela é Lula, a partir de hoje não recebe mais marmita. É a última marmita. A senhora peça para o Lula agora". Depois da repercussão, ele se desculpou ontem em um novo vídeo.

Ele não precisava mandar ela pedir, porque a única razão para eu voltar a ser presidente da República é que nós temos que fazer mais do que fizemos nos primeiros mandatos. Eu não quero nem utilizar a palavra governar, nós temos que utilizar a palavra cuidar porque o povo brasileiro precisa de cuidado, sobretudo o povo mais pobre
Ex-presidente Lula

O petista também citou outros casos que aconteceram recentemente e que, na visão dele, demonstram que "a democracia está correndo risco nesse país". Lula citou o caso do guarda municipal petista Marcelo Arruda, morto no dia 9 de julho em Foz do Iguaçu (PR) durante sua festa de aniversário pelo agente penitenciário Jorge José da Rocha Guaranho.

O candidato do PT à Presidência também lembrou do caso mais recente, no qual uma discussão sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Lula terminou com a morte a facadas de Benedito Cardoso dos Santos, 42, que era pró-Lula, por Rafael Silva de Oliveira, 24.

"Os exemplos estão dados. Vocês sabem que, em 2018, duas pessoas foram assassinadas. Vocês viram agora um companheiro do PT assassinado no dia do seu aniversário. Vocês viram agora um companheiro quase ser decapitado por outro no Mato Grosso", completou.

Por isso, defendeu a importância da aliança com Marina Silva. Lula elogiou a ex-ministra e as propostas apresentadas por ela à candidatura petista, mas também ressaltou que a aproximação representa "um dia histórico para quem sonha em fortalecer a democracia no nosso país".

"Eu acho que a minha geração, que é a geração com mais idade do que todas que estão aqui, não estava habituada a fazer política disseminando o ódio e violência como estamos vendo agora. [...] O momento que estamos vivendo exige muito mais compreensão de todas as pessoas que fazem política", disse.