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Fechamos um capítulo muito importante desta tragédia, diz Obama

Brendan Smialowski/AFP
Barack Obama fez pronunciamento na noite desta sexta (19) após prisão de suspeito em Boston Imagem: Brendan Smialowski/AFP

Do UOL, em São Paulo

2013-04-19T23:13:02

2013-04-20T00:25:48

19/04/2013 23h13Atualizada em 20/04/2013 00h25

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse em pronunciamento na noite desta sexta-feira (19) que fechou-se um capítulo muito importante da tragédia em Boston. A polícia de Massachusetts prendeu o segundo suspeito em Watertown, cidade vizinha à Boston, hoje.

"AGENDA ODIOSA NÃO VAI PREVALECER", DIZ OBAMA (ÁUDIO ORIGINAL)

Obama também agradeceu aos policiais, lembrou das vítimas, mas disse que ainda há muitas dúvidas, como por exemplo o porquê estes jovens pensariam em fazer uma coisa dessa [o atentado]. "Seja o que levou essas homens a fazer o que fizeram, nós não vamos aceitar. Por que esses irmãos se viraram contra o país? Eles tiveram ajuda? Nós vamos descobrir o que houve", disse. "Eles falharam porque nós nos recusamos a ser aterrorizados", afirmou.

"Esta noite agradecemos também aqueles que se feriram". O presidente americano também recordou do policial que foi baleado no MIT que "perdeu sua vida servindo e protegendo outros".

"Quero que a comunidade de Boston saiba que eles não estão esquecidos, assim como a comunidade de West, no Texas, [onde ocorreu a explosão de uma fábrica de fertilizantes essa semana]. Foi uma semana muito difícil, mas percebemos o caráter do país mais uma vez. Como presidente, percebo a coragem que temos para seguir em frente", disse.

Prisão

A polícia de Massachusetts, nos EUA, confirmou, via Twitter, que o suspeito pelo atentado na Maratona de Boston, Dzhokhar Tsarnaev, 19, foi preso em Watertown, cidade vizinha à Boston, após 23 horas de buscas. Horas antes, moradores da cidade dizem ter ouvido tiros em uma rua local, onde mais de 70 policiais se concentraram logo após o telefonema de um morador à polícia.

O atentado ocorrido durante a Maratona de Boston na última segunda-feira (15) deixou três mortos e mais de 170 feridos. Mais de dez feridos ainda estão internados em um hospital de Boston, três em estado grave.

O governador de Massachusetts, Deval Patrick, afirmou durante coletiva de imprensa realizada após a prisão que foi uma investigação "muito difícil", mas que a detenção foi possível graças a união dos policiais. No entanto, a polícia afirmou que as investigações vão continuar.

Os tiros teriam sido ouvidos na rua Franklin, segundo o jornal "Boston Globe". As primeiras informações indicavam que o suspeito estaria escondido em alguma casa da rua. Em seguida, a polícia desconfiou que Dzhokhar estivesse dentro de um barco coberto por uma lona, localizado no jardim dessa residência.

O suspeito foi encontrado dentro do barco com o corpo banhado em sangue. A cor vermelha foi o que chamou atenção do morador da casa cuja embarcação estava estacionada, segundo a polícia.

Como a visão era pouco nítida, a Swat (polícia de elite dos EUA), que também participou da operação, usou granadas para dispersar o suspeito e, com isso, pode desarmá-lo. Autoridades pediram muita cautela na busca, pois deveriam trabalhar com a possibilidade de Dzhokhar estar portanto bombas no próprio corpo.

A polícia declarou: "A caçada acabou. A busca acabou. O terror acabou. E a Justiça venceu".

Dzhokhar e o suspeito morto Tamerlan Tsarnaev, 26, são apontados pelo FBI –polícia federal norte-americana– como responsáveis pelas duas explosões da maratona. Segundo o FBI, as explosões foram provocadas por bombas caseiras, montadas em panelas de pressão e transportadas em mochilas deixadas no local das explosões, onde havia uma concentração de milhares de pessoas.

Saiba mais sobre os russos suspeitos dos ataques em Boston

  • Divulgação/FBI

    Os dois suspeitos apontados pelo FBI como responsáveis pelas explosões da Maratona de Boston foram identificados como sendo os irmãos Dzhokhar A. Tsarnaev, 19, e Tamerlan Tsarnaev, 26. Os dois são russos, provenientes de uma região próxima à Tchetchênia, e residentes legais nos Estados Unidos há no mínimo um ano.

Os dois são russos, provenientes de uma região próxima à Tchetchênia, e residentes legais nos Estados Unidos há no mínimo um ano. Informações ainda não confirmadas dizem que o mais velho teria recebido o visto de permanência no país em 2007, enquanto o irmão mais jovem recebera o seu em 11 de setembro do ano passado.

Caçada cinematográfica

Até a prisão do segundo suspeito, um enorme grupo de policiais composto pelas polícias local, estadual, agentes da Swat e do FBI fizeram uma varreduras pelas ruas do subúrbio de Boston e de Watertown atrás de Dzhokhar, já que Talerman havia sido morto durante a noite desta quinta-feira (18) em tiroteio com a polícia. Dzhokhar conseguira escapar e estava foragido desde então.

O médico que recebeu Talerman ferido disse que ele sofreu múltiplas lesões, o que causou uma parada cardiorrespiratória. Questionado sobre a quantidade de tiros que ele levou, o médico afirmou: "incapaz de contar".

As autoridades isolaram uma parte da localidade de Watertown e orientaram os moradores a não saírem de casa nem abrir as portas, enquanto agentes iam de casa em casa numa área de 20 quarteirões em busca do suspeito, descrito como armado e perigoso.

Na tarde de sexta-feira, um porta-voz policial disse que 60 a 70% da área das buscas já havia sido coberta.

Dois helicópteros Black Hawk sobrevoavam a área. A empresa ferroviária Amtrak decidiu suspender por tempo indeterminado o serviço entre Boston e Nova York. O time de beisebol Boston Red Sox adiou o jogo que faria na noite de sexta-feira no histórico Fenway Park.

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Os fatos motivaram uma reação de Moscou condenando o terrorismo, e do dirigente pró-russo da Chechênia criticando a polícia de Boston por matar um cidadão com origem étnica na região. Ele disse que a violência foi motivada pela criação que os rapazes tiveram nos EUA.

"Eles cresceram e estudaram nos Estados Unidos, e suas atitudes e crenças foram formadas lá", disse Ramzan Kadyrov em declarações divulgadas pela internet. Qualquer tentativa de estabelecer uma conexão entre a Chechênia e os Tsarnaevs é em vão."

Um homem que disse ser tio deles afirmou que os irmãos chegaram aos EUA no começo da década passada e se estabeleceram na região de Cambridge, cidade vizinha a Boston.

"Eu digo o que eu acho que está por trás disso - serem derrotados", disse Ruslan Tsarni a jornalistas nos arredores de Washington. "Não serem capazes de se estabelecerem e, portanto, odiarem todos que conseguiram."

Ligação com islamismo

Numa rede social,  Dzhokhar se descreve como integrante de uma minoria do Cáucaso, área que abrange a Chechênia, o Daguestão e a Inguchétia e venera o Islã.

Uma conta no Youtube em nome de Tsarnaev Tamerlane --mesmo nome do suspeito morto-- também continha conteúdo com conotação islâmica. Pela conta, criada em agosto de 2012 nos EUA, o usuário compartilhou vídeos relacionados ao islamismo, muito deles rotulados de "terroristas", que acabaram sendo bloqueados.

O pais dos irmãos, Anzor Tsarnaev, que mora na cidade russa de Makhachkala, disse à agência russa "Interfax" que o serviço secreto americano fez uma armadilha para seus filhos por eles serem "crentes muçulmanos". Ele ainda descreveu o filho mais novo, o foragido, como "um verdadeiro anjo".

O FBI informou nesta sexta-feira que seus agentes interrogaram Tamerlan em 2011, a pedido de um governo estrangeiro, mas nenhuma informação suspeita foi encontrada na ocasião. (Com agências internacionais)

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