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Tio de suspeitos de atentado em Boston pede para sobrinho se entregar

Allison Shelley/Getty Images/AFP
Ruslan Tsarni, tio dos dois jovens suspeitos do atentado na Maratona de Boston Imagem: Allison Shelley/Getty Images/AFP

Do UOL, em São Paulo

2013-04-19T15:54:29

19/04/2013 15h54

"Dzhokhar, se você está vivo, se entregue e peça perdão", pediu nesta sexta-feira (19), o tio dos dois jovens suspeitos de serem os responsáveis do atentado da Maratona de Boston, considerado um dos piores nos Estados Unidos desde 11 de setembro de 2001.

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Os sobrinhos de Tsarni, Dzhokhar e Tamerlan Tsarnaev, são os principais suspeitos dos ataques de segunda-feira. Tamerlan morreu após um tiroteio com a polícia, e a cidade agora está isolada em meio a uma caçada em busca do irmão mais novo. Tsarni disse também que ficou chocado ao ver imagens do FBI de seus sobrinhos na televisão e na internet.

Em uma entrevista muito emocionada de dez minutos à imprensa, em frente a sua casa em Maryland, Ruslan Tsarni disse que seus sobrinhos "envergonharam todo o povo da Tchetchênia" e expressou o desejo de que se desculpe pessoalmente com as vítimas, enquanto um dos sobrinhos é caçado pela polícia.

"Se entregue e peça perdão", diz tio de suspeito de atentado

"Eu estou pronto para me curvar na frente deles, me ajoelhar na frente deles buscando seu perdão", afirmou se referindo às vítimas das explosões, e ressaltando que sua família não tem ligação com a família do seu irmão há vários anos.

Tsarni disse que está em situação legal nos Estados Unidos e que sua família é composta de muçulmanos tchetchenos, mas disse também que os sobrinhos nunca foram à Tchetchênia, uma região majoritariamente muçulmana no sul da Rússia, e é improvável que estejam envolvidos nos conflitos que atingiram a região nos últimos anos. "Se isso aconteceu, provavelmente alguém os radicalizou".

Tsarni disse que seus sobrinhos chegaram aos Estados Unidos provenientes do Quirguistão, na Ásia Central, em 2003, e receberam asilo, mas ele os chamou de perdedores que não conseguiram se integrar ao estilo de vida americano.


Quando perguntado sobre as razões pelas quais eles podem ter se voltado para o terrorismo, ele disse: "Ódio em relação àqueles que conseguiram se adaptar. Estas são as únicas razões que eu posso imaginar. Qualquer outra coisa, qualquer outra coisa ligada à religião, ao Islã, é uma fraude. É mentira".

FBI divulga imagens de suspeitos de atentados em Boston

Tsarni, vestido com uma camisa polo azul e falando em frente a sua casa de tijolos em Montgomery, em Maryland, disse estar angustiado pelo que ocorreu. "Claro que estamos envergonhados. Respeito este país. Amo este país, que dá a chance para que todos sejam tratados como seres humanos.... isso é o que eu sinto sobre este país".

Já o suposto pai dos suspeitos alega que seus filhos são inocentes, afirmando que eles caíram em uma "armadilha". "Em minha opinião, os serviços especiais armaram uma armadilha para os meus filhos porque são muçulmanos fervorosos", declarou o homem, Anzor Tsarnaev, à agência Interfax, falando da capital do Daguestão, Makhatchkala.

 

Personagens da tragédia

  • Reprodução/The Boston Globe

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  • Arquivo pessoal

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15 horas de "caçada"

A "caçada" aos principais suspeitos já dura mais de 15 horas nos Estados Unidos. A megaoperação policial começou um tiroteio por volta das 22h30 (23h30 horário de Brasília) de quinta-feira (18), no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), onde um policial foi morto dentro do campus universitário da instituição localizado em Cambridge, na região metropolitana de Boston (EUA).

Até as 15h (horário de Brasília) desta sexta-feira (19), Dzhokhar, continuava a ser perseguido pela polícia, que montou uma operação com agentes locais, estaduais e federais.
 
Seu irmão, Tamerlan, 26, que aparece nas imagens divulgadas pelo FBI (polícia federal norte-americana) com um boné preto, foi baleado durante confronto com a polícia pouco depois do tiroteio no MIT. Entretanto, informações desencontradas divulgadas pela imprensa norte-americana dizem que o suspeito pode ter detonado bombas presas ao seu corpo. Dois policiais também morreram na operação.

Perseguição cinematográfica

Segundo Davis, policiais foram acionados na quinta-feira à noite, após um alerta de que tiros tinham sido ouvidos no campus do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Cambridge, perto de Boston.

Ao chegarem ao local, os agentes encontraram um policial ferido por vários tiros, que não resistiu aos ferimentos. Mais tarde, o policial foi identificado como Richard H. Donohue Jr, de 33 anos.

A polícia conseguiu interceptar um carro, que seria roubado, com dois suspeitos que seguia em direção a Watertown e deu-se início uma perseguição pelas ruas do distrito.

Mais tarde, um morador da área disse à polícia que tinha sido sequestrado por dois homens que levaram o seu carro. Depois de meia hora, ele foi solto ileso.

Durante a perseguição policial, os suspeitos jogaram explosivos e atiraram contra os carros da polícia. O suspeito que morreu foi atingido na troca de tiros. Outro policial também morreu na ação.

Ainda segundo Davis, durante a troca de tiros o suspeito Dzhokhar conseguiu fugir e está sendo procurado pela polícia. Em comunicado, a polícia confirmou que os homens estariam envolvidos na morte do policial no MIT.

Cidade sitiada

A polícia do Estado de Massachusetts pediu, por meio de sua conta oficial no Twitter, que os moradores de Watertown não saiam de suas residências e só abram a porta de casa para a polícia. As autoridades suspenderam temporariamente o transporte na área metropolitana de Boston e decretaram toque de recolher na cidade de Watertown.

Em um comunicado, a Casa Branca informou que o presidente dos EUA, Barack Obama, está sendo informado sobre a evolução dos acontecimentos e da investigação no caso pela assistente de Segurança Nacional e Antiterrorismo, Lisa Mónaco. Ontem (18), Obama participou de um ato ecumênico em homenagem às vítimas do atentado, na Catedral da Santa Cruz de Boston. "Sim, nós vamos encontrá-lo e vamos fazer justiça! Nós vamos terminar a corrida! Não podemos deixar algo como isso nos parar", disse na ocasião.

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