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Pivô de fuga de opositor boliviano é removido de cargo

Do UOL, em São Paulo

29/08/2013 11h09

O ex-embaixador do Brasil na Bolívia, Marcel Fortuna Biato, e o ex-encarregado de negócios no país, Eduardo Paes Saboia, foram removidos de seus postos na Embaixada do Brasil em La Paz por ordem do Ministério das Relações Exteriores. A portaria com as remoções dos dois foi publicada na edição desta quinta-feira (29) do Diário Oficial da União.

A remoção dos diplomatas ocorre no momento em que há uma crise causada pela vinda do senador boliviano Roger Pinto Molina de La Paz, capital da Bolívia, a Brasília. Antes de sua demissão, Saboia ameaçou retaliar o governo brasileiro caso fosse responsabilizado pela operação que trouxe o opositor ao Brasil. "Se vierem para cima de mim, tenho elementos de sobra para me defender e para acusar", disse. O Itamaraty preferiu não comentar as declarações.

O novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, disse na quarta-feira (28) que Biato vai trabalhar no Brasil, mas não disse em qual função. Biato estava cotado para ser o embaixador do Brasil na Suécia, indicação retirada pela Presidência da República na terça-feira (27).

Diplomata pode ser expulso

Saboia pode ser alvo de uma série de punições que vão de uma advertência verbal até a exoneração da carreira diplomática.  Ele está afastado das funções diplomáticas enquanto é alvo de investigações pela comissão de sindicância, formada por um auditor fiscal e dois embaixadores, que apuram sua atuação no caso de Pinto Molina.

O ex-encarregado de negócios afirma que tomou a decisão de ajudar Molina a vir ao Brasil por razões humanitárias. Segundo ele, o senador boliviano estava deprimido e dava sinais de que pretendia se suicidar. 

A crise causada pela retirada de Pinto Molina da Bolívia causou a demissão do chanceler Antonio Patriota, substituído por Figueiredo. Para setores do governo, Saboia desrespeitou a hierarquia do Itamaraty.

Com mais de 20 anos de carreira, o diplomata é elogiado por superiores e colegas, como um profissional sério, dedicado e disciplinado. Nos últimos meses, ele se queixava da tensão causada pela indefinição sobre Molina.

Figueiredo e seu antecessor já haviam defendido na tarde desta quarta-feira (28) que a hierarquia fosse respeitada dentro das instituições. "Sem isso, correríamos o risco de desencadear processos de consequências imprevisíveis", afirmou Patriota, durante seu discurso na cerimônia de transmissão de cargo, em Brasília.
 
Na avaliação de Patriota, a quebra de hierarquia pode "causar prejuízos à nossa credibilidade, à capacidade de ação e à habilidade de exercer influência e solucionar questões, até mesmo aquelas com componente humanitário e de proteção dos direitos humanos".

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