Relatos de truculência policial marcam dia de referendo na Catalunha

Bruno Aragaki

Colaboração para o UOL, no Rio

"Você não tem o direito de me tocar", disse a catarinense Debora Gaspar, 37, ao policial que a empurrou neste domingo (1º), dia do referendo pela independência da Catalunha, na Espanha.

O relato de Debora, que vive desde 2008 em Barcelona e está há alguns meses casada com um catalão, se soma aos diversos vídeos que circulam nas redes sociais mostrando truculência das forças enviadas por Madri para impedir a votação. A consulta é inconstitucional, segundo o governo espanhol.

Imagens mostram polícia jogando pessoas ao chão em Barcelona

Em um dos vídeos mais republicados na manhã deste domingo, idosos sentados em um dos locais de votação são arrastados pelas orelhas por policiais. Em outro, os guardas surgem distribuindo chutes e inclusive uma "voadora" em pessoas que se recusavam a esvaziar as zonas eleitorais.

"Estava tentando chegar perto da minha sogra para tirar minha cunhada, portadora de necessidades especiais, do meio daquela confusão", contou Debora ao UOL. "Mas não há diálogo. Falam que querem uma Espanha unida e estão conseguindo justamente o contrário."

A 'Generalitat' (governo catalão) contabilizava centenas de feridos por socos ou bala de borracha. Já as forças policiais do governo dizem ter sido recebidas a pedradas em algumas localidades e contabilizam 11 homens feridos.

Polícia catalã não impede votação

A polícia catalã, Mossos d'Esquadra, também foi convocada para impedir a votação, mas o que se viu foi uma atuação sobretudo protocolar, segundo relatos.

"Às 8h da manhã, chegaram dois 'mossos', eles fizeram uma ata relatando que tentaram fechar o local e não conseguiram porque tinha muita gente", diz a catalã Marta Arranz, em Taradell, pequena cidade a 70 km de Barcelona.

Arranz disse que "várias pessoas dormiram em um dos locais de votação, já que o medo era que a polícia fechasse o acesso hoje de manhã".

Um vídeo obtido pelo UOL mostra o momento em que a Polícia Nacional entra no colégio Jaume Balmes para recolher as urnas e impedir a votação. Do lado de fora, catalães vaiam e gritam "Votaremos! Votaremos!".

Com o fechamento de diversas zonas eleitorais (pelo menos 25% delas, segundo o governo local), a Generalitat ativou o sistema de "voto universal". A ideia era permitir que as pessoas votassem em qualquer colégio, já que os mesários poderiam conferir, online, a autenticidade do documento e se aquela pessoa já havia votado.

Mas o sistema eletrônico foi derrubado pelo governo central, e entidades catalãs acusaram também a polícia de derrubar a conexão de internet em alguns dos locais de votação.

O resultado foram filas que deram a volta nos quarteirões e uma espera de mais de 12 horas. 

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