Brasileiros "presos" em NY esperam há cinco dias para voltar das férias

Beatriz Montesanti

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo pessoal

    Grávida de seis meses, Camila Kredens Bueno apenas recebeu uma cadeira de rodas após passar mal. A foto foi tirada por seu marido, Felipe, que a acompanha na viagem

    Grávida de seis meses, Camila Kredens Bueno apenas recebeu uma cadeira de rodas após passar mal. A foto foi tirada por seu marido, Felipe, que a acompanha na viagem

Dias de espera no frio, desinformação, deboche e tumulto são alguns dos episódios relatados por brasileiros que aguardam há até cinco dias para pôr fim às férias em Nova York. O transtorno é resultado da onda de frio que assolou boa parte dos Estados Unidos, fechando os dois aeroportos da cidade por um dia e, consequentemente, cancelando milhares de voos.

Desde então, os aeroportos foram reabertos e voos reagendados, mas dezenas de passageiros que esperavam chegar ao Brasil na semana passada pelo voo 8501 da Avianca ainda esperam para retornar. Ao UOL, a empresa assegurou que os passageiros serão reacomodados em voos parceiros nas próximas 24 horas.

Segundo relataram integrantes do grupo, até a tarde desta terça-feira (9), parte dele embarcou para o Brasil em dois voos que saíram de Nova York na noite de segunda (8), ambos com atraso de mais de 2 horas. Outros desistiram da espera e compraram novas passagens por outras companhias aéreas.

Cerca de 30 pessoas, porém, ainda aguardam nos EUA e esperam sair nesta noite --mas não há certeza se haverá vagas para todos. Entre elas, está a dentista da força aérea Patrícia dos Santos, 39, que despachou sua única mala e está há três dias apenas com a roupa do corpo.

Arquivo pessoal
Malas no terminal 4 do aeroporto JFK, em Nova York. A foto foi tirada por uma passageira que aguarda para voltar ao Brasil

Saga 8501

Um voo 8501 sairia de Nova York no dia 6 de janeiro, às 20h, levando algumas pessoas que já aguardavam desde a quinta-feira (4) anterior para embarcar.  

Segundo passageiros contaram à reportagem, após três horas de espera na fila do check-in, sem informações, eles foram avisados de que o voo seria adiado para as 10h30 do dia seguinte. Alguns foram embora e se alojaram em hotéis e casas de conhecidos. Outros, sem dinheiro para deixar o JFK, passaram a noite no chão do aeroporto, aguardando o embarque pela manhã --quando foram informados que não embarcariam mais uma vez.

Devido a falta de informações fornecidas pela aviação, os passageiros criaram um grupo no WhatsApp para se manterem atualizados sobre o embarque. O grupo foi batizado a princípio de "F*ck Avianca", depois de "Voo 8501". Agora, com mais de 130 integrantes recém-conhecidos, chama-se "Avianca -> SP".

No domingo (7), o grupo foi transferido para três portões diferentes, sendo um deles de espera para o ônibus que levaria à aeronave --um espaço pequeno, sem aquecimento, onde ficaram por cerca de três horas com baixas temperaturas. Alguns passageiros chegaram a entrar em um ônibus, que deu a volta na pista e retornou sem sucesso.

"Quase morremos congelados, sem nada, os atendentes tiravam sarro da nossa cara", diz Luana Sutto, 23, auxiliar de administração que estava em Nova York visitando o namorado e amigos. "A cada hora davam uma desculpa diferente para a gente. Disseram para uma brasileira sambar para se virar", completa a advogada Júlia Rodrigues, 26.

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Por volta das 23h30 a turma foi enfim levada a uma aeronave, onde ficou por cerca de duas horas e uma refeição de bordo. De tempos em tempos, o comandante comunicava pelo microfone que problemas técnicos estavam sendo resolvidos antes da decolagem. Às 2h da segunda-feira (8), cancelaram o voo e todos desembarcaram. Os passageiros foram então encaminhados para um hotel, bancado pela companhia, e receberam boletos para os custos de alimentação.

Felipe Bueno, que viajou com a esposa Camila Kredens  Bueno, grávida de seis meses, para comprar o enxoval do bebê, conta que não tem informações sobre o paradeiro de duas de suas quatro malas, despachadas em um dos voos cancelados. Segundo diz, Camila passou mal diversas vezes ao longo do dia, devido ao estresse, ao desconforto e ao frio.

Rebecca Butala How/AFP
Aviões parados no aeroporto JFK, em Nova York, devido à tempestade, no dia 4 de janeiro

O retorno para casa

Em nota oficial enviada ao UOL, a Avianca Brasil informou que "lamenta o desconforto causado aos seus passageiros" e destacou que "situações adversas causadas por motivos meteorológicos são alheios à vontade da companhia." A empresa assegurou que os passageiros que ainda aguardam em Nova York serão reacomodados em voos parceiros nas próximas 24 horas. A Avianca começou a fazer a ponte São Paulo-Nova York no dia 15 de dezembro de 2017.

A dentista Patricia dos Santos aguardava na tarde desta terça (9) no saguão do hotel, na expectativa de embarcar ainda esta noite. Felipe e Camila reagendaram o voo pela empresa para quarta-feira (10). "Até que Camila esteja recuperada do mal-estar que teve. Não tem condições dela ficar mais dois dias dentro de um aeroporto", diz. O assento especial que haviam reservado no voo original não foi garantido.

O mecânico José Carlos Miranda, 50, um dos passageiros que embarcaram na noite de segunda, pousou em São Paulo às 15h50. "Deu tudo certo. Tirando o atraso, a falta de atenção, o resto deu tudo certo", enviou por WhatsaApp. No momento em que falou com a reportagem, estava em outra fila, em Guarulhos, esperando encontrar sua bagagem extraviada.

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