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Futuro chanceler diz que Brasil "está entrando em um mundo mais perigoso"

Reprodução/Facebook
Araújo, o embaixador de Israel, Yossi Shelley, e Bolsonaro: aproximação com ideias de Trump Imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em Brasília

02/12/2018 17h15

Indicado como ministro das Relações Exteriores no governo de Jair Bolsonaro (PSL), o futuro chanceler Ernesto Araújo, publicou um texto em seu blog neste domingo (2) em que avalia que, “felizmente”, o Brasil “está entrando em um mundo mais perigoso”. Ele fez a análise em um artigo em que defendeu o nacionalismo e afirmou que país deve ser uma nação ocidental também “no terreno cultural-simbólico” em vez de sempre tentar “fazer parte de tudo”, ou seja, do Ocidente e do Oriente ao mesmo tempo – um mundo liderado por China, Índia e outros países asiáticos.

“Muitos hoje enxergam no nacionalismo, no sentimento nacional, perigos horríveis e se afastam amedrontados”, criticou Araújo . “Estamos entrando em um mundo mais perigoso? Sim, felizmente. No Brasil como em todo o Ocidente, nossas raízes demandam essa aventura. Abandonemos nossa zona de conforto como Ulisses [personagem da mitologia grega] quando saiu de sua aposentadoria em Ítaca para fundar a epopeia atlântica e enfrentemos nossa complicada ocidentalidade. Um Brasil desprendido do Ocidente é um Brasil artificial, superficial, um Brasil de plástico.”

As afirmações vêm em um momento em que o futuro governo do PSL faz discursos alinhados com o do Estados Unidos, comandado por Donald Trump), e em oposição à China, de Xi Jinping. Segundo Araújo, o texto publicado por ele hoje “pode ser pertinente ao debate sobre os rumos do Brasil diante dos horizontes que se abrem com a eleição de Jair Bolsonaro”.

Hoje, a China é o maior parceiro comercial do Brasil, que se beneficia com a compra de commodities. Antes em guerra aberta, os EUA baixaram o tom com os chineses No G20, norte-americanos e a China fizeram um acordo comercial para suspender tarifas adicionais anunciadas por Trump.

Silêncio

No artigo, o futuro chanceler defende Trump como a expressão de um sentimento verdadeiramente alinhado com o Ocidental. Ele critica o “súbito silêncio” daqueles que pregavam um mundo pós-ocidental, liderado inclusive pela China. Nessa nova composição, avalia Araújo, “o futuro pertenceria à Ásia, à China, à Índia, aos países francamente não-ocidentais”.

Para ele, o suposto silêncio é uma estratégia para enfraquecer o presidente dos EUA. “Continuar propagando a ideia de um mundo já não regido pelo Ocidente alimentaria, na visão do ‘establishment’, as pretensões de Trump de reverter esse quadro, de contrapor-se ao poder da China e restaurar a centralidade de uma América ‘great again’.”

O texto de Araújo foi preparado há cerca de quatro meses e faz várias referências à cultura da Grécia Antiga e do cristianismo como indicadores do que seriam os valores ocidentais. No Twitter,  o futuro chanceler fez uma menção ao artigo usando a imagem da capa do livro “Uma jangada para Ulisses”, de Vianna Moog. Para o futuro chanceler, o Ocidente é “como um barco de Ulisses abandonado na praia” mas “talvez ainda possamos empurrar de volta ao divino mar salgado”.