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Acredito na reeleição de Trump, diz Bolsonaro; dupla critica socialismo

AFP
Bolsonaro e Trump se cumprimentam durante coletiva de imprensa na Casa Branca Imagem: AFP

Alex Tajra

Do UOL*, em São Paulo

2019-03-19T18:42:00

19/03/2019 18h42

As eleições presidenciais de 2020 nos Estados Unidos, em que Donald Trump tentará a reeleição, estiveram entre os assuntos elencados durante a entrevista concedida hoje pelo líder norte-americano e pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) em Washington. "Acredito piamente na reeleição de Trump", afirmou o brasileiro após um questionamento de um repórter sobre como seria o cenário caso o atual presidente dos EUA perca a eleição.

A pergunta levou em consideração uma suposta influência dos ideais socialistas em algumas candidaturas do Partido Democrata.

"É um assunto interno, mas nós respeitaremos o resultado das urnas em 2020. (...) O povo que o apoiou no passado, assim como foi feito comigo no Brasil, repetirá esse voto com toda a certeza", disse.

Aos poucos, essas pessoas voltadas ao socialismo e até mesmo ao comunismo vão abrindo suas cabeças para a realidade
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil

Sob risadas tímidas da plateia, Trump interrompeu parcialmente Bolsonaro para agradecer o afago e reforçou sua repulsa às ideias de esquerda. "O ocaso do socialismo chegou ao nosso hemisfério, e espero que também tenha chegado ao nosso grande país. A última coisa que queremos nos Estados Unidos é o socialismo", disse Trump.

Para mostrar o que considera o fracasso da ideologia, Bolsonaro utilizou como o exemplo o fechamento da fronteira da Venezuela com o Brasil. "[A fronteira foi fechada] não para que brasileiros que apoiam o socialismo possam ir para a Venezuela. Mas exatamente o contrário, para que venezuelanos que apoiam a democracia não entrassem no Brasil. Esse sentimento, com toda certeza, ficará muito latente por ocasião das eleições do ano que vem", argumentou o presidente brasileiro.

Redes sociais

Entre outros questionamentos sobre as eleições nos Estados Unidos no ano que vem, Trump afirmou que é contrário ao aumento de ministros da Suprema Corte, supostamente uma pauta de candidatos democratas. "Não, eu não concordo", disse Trump. "Eles querem o poder, e se não conseguirem de um jeito, tentarão de outro. Se depender de mim, não vai acontecer nos próximos seis anos".

Trump afirmou ainda que endossa a ideia de tornar as empresas que controlam as redes sociais responsáveis pelos conteúdos que abrigam. Segundo o presidente dos Estados Unidos, existe uma "discriminação" contra republicanos.

"Nós utilizamos a palavra conluio, porque alguma coisa deve estar acontecendo por trás. (...) Você vê que existe um discurso de ódio contra um certo grupo de pessoas que está no poder, que ganhou as eleições. Isso é injusto".

Casa Branca está alertando para "retorno" do socialismo

Nos últimos meses, a Casa Branca e a os funcionários que trabalham para a campanha de Donald Trump para o pleito presidencial de 2020 advertiram que o "socialismo está vivendo um retorno ao discurso político americano" e têm criticado duramente seus efeitos econômicos.

Em outubro, a Casa Branca apresentou um documento elaborado pelo Conselho de Assessores Econômicos do governo americano (CEA, na sigla em inglês) com o título "custos de oportunidade do socialismo".

Entre as propostas analisadas por esse texto, estava a saúde pública universal, que começou a ganhar adeptos após o impulso dado por candidatos progressistas, como o senador Bernie Sanders, que já anunciou que tentará a cadeira presidencial em 2020.

Também senadora pelo Partido Democrata, Elizabeth Warren vem sendo vinculada com o que os norte-americanos chamam de "socialismo democrático", isso por conta de sua postura ideológica em relação a temas econômicos e sociais.

Por esse motivo, Trump e o Partido Republicano têm focado sua estratégia para a reeleição nas críticas ao socialismo, além de se esforçarem ao máximo para atrelar estes ideais aos candidatos democratas.

*Com informações da EFE

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