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Irã ameaça recuo em acordo nuclear após assassinato de general pelos EUA

Do UOL, em São Paulo

05/01/2020 10h10Atualizada em 05/01/2020 10h53

Resumo da notícia

  • Irã deve oficializar ainda hoje o 5º recuo em acordo nuclear
  • O motivo foi o assassinato do general Qasem Suleimani pelos EUA
  • Por decisão de Trump, os EUA já haviam abandonado o acordo em 2018

Após o assassinato do general Qasem Suleimani pelos Estados Unidos na sexta-feira (3), o Irã ameaça recuar no compromisso de abandonar seu programa nuclear. A decisão significará o quinto recuo iraniano, informou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Abbas Mousavi, segundo a agência de notícias AFP.

"Em relação ao quinto recuo, as decisões já foram tomadas [...] Mas, considerando a situação atual, algumas mudanças serão feitas em uma reunião importante hoje à noite", afirmou o porta-voz em declarações para emissoras locais de televisão.

O acordo nuclear foi assinado em 2015 pelo Irã, Estados Unidos, China, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha, as principais potências mundiais. Sob Donald Trump, no entanto, os Estados Unidos abandonaram o acordo unilateralmente em 2018.

Assim que deixou o tratado, Trump impôs uma série de sanções ao Irã, que passou a descumprir pontos do acordo, provocando alerta na comunidade internacional. Em novembro, o Irã retomou o enriquecimento de urânio na usina subterrânea de Fordo.

8.maio.2018 - Presidente Donald Trump mostra o memorando assinado após declarar que os EUA vão se retirar do acordo nuclear do Irã - Evan Vucci/AP - Evan Vucci/AP
Trump mostra o memorando assinado após declarar que os EUA vão se retirar do acordo nuclear do Irã
Imagem: Evan Vucci/AP

O que diz o acordo?

O plano foi construído a duras penas pelo antecessor de Trump, Barack Obama. Na ocasião, Teerã se comprometeu a limitar seu programa nuclear, enquanto a comunidade internacional aliviou as sanções econômicas impostas à república islâmica. Desde então, a resolução funcionou bem, com todos os países envolvidos cumprindo sua parte.

No plano, o Irã se comprometia a reduzir o enriquecimento do urânio a uma porcentagem considerada segura pelos órgãos internacionais, suspendendo as atividades em uma de suas instalações e reduzindo suas reservas de urânio em 98% ao longo de 15 anos.

Além disso, o texto prevê monitoramento pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), da ONU (Organização das Nações Unidas). Em troca, os EUA e países europeus revogaram uma série de sanções econômicas que vinham sendo feitas ao país.

O plano se restringe ao enriquecimento de urânio para fins nucleares, mas não toca em pontos nevrálgicos como mísseis balísticos, grupos terroristas e influência em conflitos de países do Oriente Médio.

No começo da semana —antes do atentado ao general—, o presidente iraniano, Hassan Rohani, pediu aos Estados Unidos que admitissem o erro de terem abandonado o compromisso.

"Eles têm que voltar ao primeiro ponto, quando pisaram nos compromissos, e precisam admitir que erraram sobre a nação iraniana", afirmou Rohani em discurso na cidade de Ardebil.

Enterro de Suleimani

O corpo do general Qassim Suleimani chegou hoje ao Irã, onde será enterrado. O corpo deixou ontem o aeroporto em Bagdá, capital do Iraque. O comandante da força Quds do Irã, unidade especial dos Guardiões da Revolução Islâmica, morreu durante ataque aéreo realizado pelos Estados Unidos.

O avião que transportou o caixão de Suleimani pousou no Aeroporto Internacional de Ahvaz por volta da 1h30 de hoje (8h no horário local).

Milhares de pessoas participam do cortejo fúnebre pelas ruas da cidade de Ahvaz. Muitas delas carregam fotos do general e cartazes com palavras de ordem contra os Estados Unidos.

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