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Fauci vê erros em reabertura nos EUA e cobra responsabilidade de jovens

O médico Anthony Fauci é a maior autoridade em doenças infecciosas nos EUA - Reuters via BBC
O médico Anthony Fauci é a maior autoridade em doenças infecciosas nos EUA Imagem: Reuters via BBC

Do UOL, em São Paulo

30/07/2020 14h59Atualizada em 30/07/2020 15h27

Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, disse que o país nunca conseguiu reduzir efetivamente o número de contágios do coronavírus e que alguns estados fizeram uma reabertura de forma equivocada, contribuindo para o aumento de casos. Em entrevista à revista "Wired", ele também evitou criticar falas do presidente Donald Trump, dizendo que "seria prejudicial" ao seu trabalho.

"Quando fechamos, apesar de ter sido um estresse e uma tensão para muitas pessoas, fizemos apenas em 50% do país. Nossa curva [de casos] sobe e começa a descer. Mas nunca tivemos uma média razoável. Chegamos a 20.000 novas infecções por dia e ficamos nesse nível por várias semanas seguidas. Daí iniciamos a reabertura, e os casos começaram a passar de 20.000 por dia para 30.000, 40.000. Na semana passada, chegamos a 70.000 novos casos por dia", disse Fauci.

Até o meio da tarde de hoje, segundo dados da Universidade Johns Hopkins, que faz um levantamento independente sobre a situação da pandemia em todo o mundo, os Estados Unidos seguem com o maior número de casos de covid-19, com 4.450.492 milhões de pessoas infectadas. O mesmo vale para os mortos pela doença: o país registra a maioria, totalizando 151.269.

Fauci elogiou estados norte-americanos que seguiram as recomendações de segurança e cobrou os que optaram por não cumpri-las. "Em vez de ouvir atentamente e seguir as diretrizes, alguns estados - e eu não vou nomeá-los - não aderiram às diretrizes que sugeriam maneiras seguras de fazer a reabertura. Vimos pessoas se reunindo em bares e sem máscaras. Nunca fechamos completamente. E quando começamos a reabrir, não foi de maneira uniforme", completou.

Questionado se a população norte-americana tem sido "egoísta" nos cuidados para evitar as contaminações, Fauci disse não ver a situação dessa forma.

"Uma proporção substancial das pessoas infectadas - 20% a 45% - não apresenta nenhum sintoma. Muitos são jovens, millennials, pessoas que estão por aí nos bares. Então eles olham em volta e dizem: 'minha chance de ficar doente com esse vírus é muito, muito menor do que uma pessoa idosa ou de alguém com alguma pré-condição. Então, eu vou fazer o que eu quero. Se eu for infectado, vou me arriscar'. O único erro de julgamento é que estamos começando a ver que mais e mais jovens têm apresentado problemas sérios com a infecção", disse Fauci.

Embora não veja o comportamento como "egoísta", o imunologista reforçou que essas pessoas "estão colocando outras em perigo por serem infectadas. Essa é a mensagem que temos que transmitir: você precisa ter alguma responsabilidade social", afirmou.

O imunologista vem sendo questionado e atacado pela Casa Branca, especialmente pelo presidente Donald Trump, devido às suas opiniões e contestações sobre declarações dadas pelo republicano sobre a covid-19. Na semana passada, o governo dos EUA enviou a veículos de comunicação um documento com uma lista de declarações de Fauci sobre a covid-19, que, segundo a nota, mostrava como o médico "estava errado". Mesmo assim, ele afirma que seguirá coordenando a força-tarefa do governo na pandemia.

A revista ainda perguntou a Fauci se ele acha que o Trump entende como a ciência funciona. "Sim, acredito que sim. Eu acredito que sim", respondeu ele, que preferiu não comentar o que ele pensa quando escuta declarações do presidente contradizendo a ciência. "Isso não ajuda. Vai ser prejudicial ao meu esforço. Então, eu não quero falar sobre isso", disse.

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